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Distúrbios respiratórios do sono

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O que são distúrbios respiratórios do sono?

Os distúrbios respiratórios do sono são um conjunto de condições que provocam alterações na respiração durante o sono, impedindo a pessoa de dormir adequadamente ou fazendo com que ela acorde diversas vezes durante a noite. Esses distúrbios podem ser agrupados em:

  • Apneia1 do sono, subdividida em apneia obstrutiva do sono2, apneia1 central do sono e apneia1 mista do sono;
  • Hipoventilação relacionada ao sono;
  • Distúrbios de hipoxemia3 relacionados ao sono.

Quais são as causas dos distúrbios respiratórios do sono?

A apneia obstrutiva do sono2, que é o mais comum dos distúrbios respiratórios do sono, é causada por estruturas que se tornam mais relaxadas durante o sono e que podem se mover, obstruindo a passagem do ar para os pulmões4, ou vibrar, causando roncos. Na maioria dos casos, trata-se de algum impedimento mecânico representado pela obesidade5, amígdalas6 inflamadas ou aumentadas, peso e/ou circunferência do pescoço7, formato do nariz8, do pescoço7 ou da mandíbula9, entre outras causas.

A apneia1 central do sono é causada por alguma doença ou condição que afeta o controle respiratório exercido pelo cérebro10, como problemas cardiovasculares, uso de narcóticos e estar em altitude muito elevada.

A apneia1 mista do sono é causada por fatores que associam as duas condições anteriores.

Os distúrbios de hipoventilação são ocasionados por condições que dificultam a mecânica respiratória, como doenças pulmonares crônicas, alguns tipos de medicamentos e outras condições menos comuns. Uma forma específica de hipoventilação ocorre em pacientes obesos.

Na hipoxemia3 relacionada ao sono os pacientes podem apresentar dessaturação da hemoglobina11 mesmo na ausência da síndrome12 da apneia1.

Leia sobre "Distúrbios do sono", Doenças respiratórias"", "Insônia", "Roncos", "Falta de ar" e "Oxigenoterapia".

Qual é o substrato fisiopatológico dos distúrbios respiratórios do sono?

Nas apneias, o ar é impedido ou incapaz de chegar aos pulmões4, seja por causa de uma obstrução nas vias respiratórias seja porque deixa de haver movimentos respiratórios normais. Embora as vias respiratórias estejam abertas, o ar não consegue chegar ao pulmão13 porque não há comunicação entre o cérebro10 e os músculos respiratórios14 ou eles não são ativados normalmente em resposta aos sinais15 enviados pelo cérebro10, o que acaba interrompendo a ação automática de respiração.

Quais são as características clínicas dos distúrbios respiratórios do sono?

Os distúrbios respiratórios do sono são transtornos que surgem ou se agravam durante o sono, ocasionando uma má oxigenação do sangue16 e perturbando a continuidade normal do sono com acordares frequentes. As noites mal dormidas em razão disso podem resultar em diversos problemas, que vão desde sonolência diurna, queda de rendimento no estudo, no trabalho ou outras atividades do dia seguinte, até problemas mais sérios como ansiedade e depressão, entre outros.

A apneia obstrutiva do sono2 engloba mais de 80% dos casos de distúrbios respiratórios do sono e a apneia1 mista do sono é o tipo menos comum de apneias.

Na apneia1 central do sono, ocorrem lapsos na respiração durante o sono devido à falta de esforço para respirar. Dessa forma, a apneia1 central do sono é distinta da apneia obstrutiva do sono2, mas as duas condições podem ocorrer juntas, o que é conhecido como apneia1 mista do sono. Além disso, às vezes o tratamento para apneia obstrutiva do sono2 desencadeia a apneia1 central do sono.

A apneia1 central do sono afeta menos de 1% das pessoas com mais de 40 anos e é mais comum em homens acima de 65 anos. Mesmo assim, existem diferentes tipos de apneia1 central do sono com base na natureza do problema subjacente que esteja impedindo uma respiração adequada.

Os distúrbios de hipoventilação relacionados ao sono envolvem níveis elevados de dióxido de carbono no sangue16 durante o sono, resultantes da falta de ar entrando e saindo dos pulmões4. As pessoas com distúrbios de hipoventilação relacionados ao sono têm problemas pulmonares como doença pulmonar obstrutiva crônica ou hipertensão17 pulmonar, por exemplo, ou sofrem a ação de alguns tipos de medicamentos que podem desencadear uma diminuição da aeração pulmonar.

A hipoventilação durante o sono frequentemente está relacionada à obesidade5 e normalmente ocorre juntamente à apneia obstrutiva do sono2. Ela é frequentemente associada ao sono insatisfatório e ao ronco, e pode causar efeitos deletérios no sistema cardiovascular18.

A hipoxemia3 noturna intermitente19 está fortemente associada a inúmeras disfunções que atingem os pacientes, como alterações cardíacas, musculares, hipertensão arterial20 pulmonar, neuropatia periférica21 e outras alterações autonômicas e/ou fisiológicas22.

Grande parte das pessoas com distúrbios respiratórios relacionados ao sono têm dificuldades para respirar mesmo quando acordadas, mas o problema normalmente se intensifica durante o sono.

Como o médico diagnostica os distúrbios respiratórios do sono?

O método mais utilizado para o diagnóstico23 da apneia1 do sono era a polissonografia24, em que o paciente tinha de dormir uma noite numa clínica de sono, mas as investigações diagnósticas estão cada vez mais simplificadas e muitas vezes ocorrem na casa do paciente.

A polissonografia24 continua sendo o padrão ouro para avaliar a apneia1 do sono, mas os sistemas simplificados de registro são cada vez mais usados e muitas vezes são caseiros. Ela monitora simultaneamente o fluxo de ar nasal e/ou oral, o movimento toracoabdominal, o ronco, o eletroencefalograma25, o eletro-oculograma, o eletromiograma e a saturação de oxigênio.

A hipoventilação relacionada ao sono também é diagnosticada a partir de estudos polissonográficos que mostram hipoxemia3 e hipercapnia26 relacionadas ao sono que não são explicadas por nenhum outro transtorno relacionado ao sono.

Como o médico trata os distúrbios respiratórios do sono?

O tratamento para os distúrbios respiratórios do sono depende da causa deles e deve começar por medidas simples, como mudanças do estilo de vida do paciente, que podem incluir emagrecer, parar de fumar, fazer exercícios físicos, etc.

Se essas medidas não forem suficientes para resolver o problema, o paciente será orientado a usar uma máscara que empurra o ar até aos pulmões4, permitindo uma respiração normal que não interrompe o sono.

Em última instância, pode ser necessário recorrer à cirurgia para corrigir o problema. Ela visa remover o excesso de tecido27 na parte de trás da garganta28 como amígdalas6 e adenoides, por exemplo, evitando que essas estruturas tapem a passagem de ar ou vibrem, provocando o ronco.

Além disso, as cirurgias possíveis devem ser adaptadas para tratar o problema específico de cada pessoa. Frequentemente o tratamento para distúrbios respiratórios do sono tem de ser direcionado ao controle de uma doença subjacente que contribui para o problema.

Veja também sobre "Hipersonia", "Fadiga29 crônica" e "Inércia do sono".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine e da Sleep Foundation.

ABCMED, 2021. Distúrbios respiratórios do sono. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1400930/disturbios-respiratorios-do-sono.htm>. Acesso em: 9 dez. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
2 Apnéia obstrutiva do sono: Pausas na respiração durante o sono.
3 Hipoxemia: É a insuficiência de oxigênio no sangue.
4 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
5 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
6 Amígdalas: Designação comum a vários agregados de tecido linfoide, especialmente o que se situa à entrada da garganta; tonsila.
7 Pescoço:
8 Nariz: Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.
9 Mandíbula: O maior (e o mais forte) osso da FACE; constitui o maxilar inferior, que sustenta os dentes inferiores. Sinônimos: Forame Mandibular; Forame Mentoniano; Sulco Miloióideo; Maxilar Inferior
10 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
11 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
12 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
13 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
14 Músculos Respiratórios: Neste grupo de músculos estão incluídos o DIAFRAGMA e os MÚSCULOS INTERCOSTAIS.
15 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
16 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
17 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
18 Sistema cardiovascular: O sistema cardiovascular ou sistema circulatório sanguíneo é formado por um circuito fechado de tubos (artérias, veias e capilares) dentro dos quais circula o sangue e por um órgão central, o coração, que atua como bomba. Ele move o sangue através dos vasos sanguíneos e distribui substâncias por todo o organismo.
19 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
20 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
21 Neuropatia periférica: Dano causado aos nervos que afetam os pés, as pernas e as mãos. A neuropatia causa dor, falta de sensibilidade ou formigamentos no local.
22 Fisiológicas: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
23 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
24 Polissonografia: Exame utilizado na avaliação de algumas das causas de insônia.
25 Eletroencefalograma: Registro da atividade elétrica cerebral mediante a utilização de eletrodos cutâneos que recebem e amplificam os potenciais gerados em cada região encefálica.
26 Hipercapnia: É a presença de doses excessivas de dióxido de carbono no sangue.
27 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
28 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
29 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
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