Gostou do artigo? Compartilhe!

Paralisia do sono - como ela é?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é paralisia1 do sono?

A paralisia1 do sono é um fenômeno relacionado ao sono que ocorre quando uma pessoa acorda, mas seu corpo permanece temporariamente imóvel e incapaz de se mover ou falar. Durante a paralisia1 do sono, a pessoa está consciente de sua incapacidade de se mover ou falar, o que pode ser uma experiência aterrorizante, embora de pequena duração. Além disso, é comum que as pessoas relatem alucinações2 vívidas durante esses episódios, o que pode aumentar o medo de reincidências e a ansiedade.

Quais são as causas da paralisia1 do sono?

A paralisia1 do sono ocorre quando há uma disfunção na transição entre sono e vigília. Isso pode ser desencadeado por vários fatores, incluindo:

Saiba mais sobre "Insônia", "Apneia3 do sono", "Síndrome4 das pernas inquietas" e "Ciclos do sono".

Qual é o substrato fisiopatológico da paralisia1 do sono?

A fisiopatologia5 da paralisia1 do sono ainda não é inteiramente compreendida, embora haja diversas teorias para explicá-la. A primeira delas relaciona o fenômeno com a fase REM (Movimento Rápido dos Olhos6) do sono. Durante essa fase, o cérebro7 está ativo, mas os músculos8 do corpo ficam temporariamente paralisados para evitar que a pessoa aja fisicamente nos sonhos. Em algumas situações, a pessoa pode acordar durante essa fase REM, mas a paralisia1 muscular ainda está ativa, resultando na sensação aterrorizante de estar "preso" no próprio corpo.

Outra teoria importante postula que as funções neurais que regulam o sono estão desequilibradas de tal forma que faz com que diferentes estados de sono se sobreponham uns aos outros. Nesse caso, os aglomerados neurais envolvidos com o sono colinérgico9 estariam hiperativados e as demais populações neurais do sono serotoninérgico estariam subativadas. Como resultado, as células10 capazes de enviar os sinais11 que permitiriam o despertar completo do estado de sono têm dificuldade em superar os sinais11 enviados pelas células10 que mantêm o cérebro7 no estado de sono.

Quais são as características clínicas da paralisia1 do sono?

A paralisia1 do sono, em suas formas brandas ou mais graves, é uma condição relativamente comum (10% da população já sofreu pelos menos um ataque) e bastante angustiante, causando medo e desespero no paciente. Ela é mais comum entre jovens de 20 a 30 anos de idade e incide igualmente em ambos os sexos.

Embora seja uma experiência assustadora, a paralisia1 do sono é inofensiva e não causa danos físicos. O sintoma12 mais marcante é a incapacidade de fazer qualquer movimento e de falar. As pessoas também relatam dificuldade em respirar, pressão no peito13 e emoções angustiantes, como pânico ou desamparo durante episódios de paralisia1 do sono. É comum que se sintam excessivamente sonolentas ou cansadas nos momentos ou no dia seguinte à paralisia1 do sono.

Além da paralisia1, a pessoa pode apresentar também alucinações2 visuais aterrorizante e ouvir barulhos estranhos e inexistentes. Os episódios costumam durar apenas alguns segundos ou minutos, mas podem parecer mais longos devido à ansiedade associada a eles, e geralmente acontecem quando a pessoa está despertando ou iniciando o sono, ou seja, na transição entre o sono e a vigília ou vice-versa.

Pode acontecer que a pessoa tenha um único desses episódios, isoladamente, ou tenha múltiplos episódios repetidos se a condição for associada à narcolepsia, por exemplo.

Leia sobre "Sono dos bebês14 e crianças" e "Solilóquio — falar dormindo".

Como o médico diagnostica a paralisia1 do sono?

Não existem exames de laboratório específicos para diagnosticar a paralisia1 do sono. O diagnóstico15 é feito com base na história clínica do paciente e em uma avaliação médica que deve contar com uma história clínica em que o paciente descreve os sintomas16 e experiências associadas à paralisia1 do sono.

O médico deve descartar outras condições médicas ou psiquiátricas que possam causar sintomas16 semelhantes, como distúrbios do sono, narcolepsia, transtorno de ansiedade, transtorno do pânico ou esquizofrenia17.

Em alguns casos, dependendo das circunstâncias individuais, o médico pode solicitar exames adicionais, como estudos do sono (polissonografia18) para avaliar a qualidade do sono do paciente e descartar outros distúrbios que ocorrem durante o sono. Embora esses exames não sejam específicos para a paralisia1 do sono, podem fornecer informações sobre a saúde19 geral do sono.

Como o médico trata a paralisia1 do sono?

A maioria dos casos de paralisia1 do sono é relativamente comum e não requer tratamento específico. Tampouco existe esse tipo de tratamento! Os sintomas16 tendem a desaparecer sozinhos dentro de segundos ou minutos e podem ser administrados por meio da educação do paciente quanto a uma correta higiene do sono e à melhoria dos hábitos de dormir.

Os tratamentos tentados visam evitar novos episódios de paralisia1 do sono. Os ansiolíticos e antidepressivos às vezes são dados como a intenção de modificar a arquitetura do sono e melhorar o estado psíquico do paciente. É possível sair mais rapidamente desse estado quando alguém toca a pessoa ou a chama, por exemplo.

Se a paralisia1 do sono estiver associada a outros distúrbios do sono, como a narcolepsia, o tratamento dessas condições subjacentes pode ajudar a reduzir a ocorrência da paralisia1 do sono. Uma psicoterapia pode ser útil para ajudar o paciente com pensamentos negativos na hora de dormir e para manejar melhor os sintomas16 enquanto eles durem.

Em casos graves ou debilitantes, um médico especializado em distúrbios do sono pode ser consultado para avaliar e fornecer orientações específicas.

Quais são os riscos da paralisia1 do sono?

A paralisia1 do sono não implica em riscos orgânicos, mas por ser uma experiência aterrorizante pode deixar consequências significativas, fazendo com que o indivíduo entre em um estado de ansiedade e passe a ter medo de dormir.

Indiretamente, a paralisia1 do sono pode causar a morte do paciente, como, por exemplo, se estiver associada à narcolepsia, já que ela é uma parassonia limitante e incontrolável e pode levar o indivíduo a adormecer em situações de risco, como ao dirigir veículos, por exemplo.

Veja também sobre "Melatonina", "Hipersonia", "Como melhorar o sono" e "Distúrbios do sono".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Sleep Foundation e da Cleveland Clinic.

ABCMED, 2023. Paralisia do sono - como ela é?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1462917/paralisia-do-sono-como-ela-e.htm>. Acesso em: 16 jul. 2024.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Paralisia: Perda total da força muscular que produz incapacidade para realizar movimentos nos setores afetados. Pode ser produzida por doença neurológica, muscular, tóxica, metabólica ou ser uma combinação das mesmas.
2 Alucinações: Perturbações mentais que se caracterizam pelo aparecimento de sensações (visuais, auditivas, etc.) atribuídas a causas objetivas que, na realidade, inexistem; sensações sem objeto. Impressões ou noções falsas, sem fundamento na realidade; devaneios, delírios, enganos, ilusões.
3 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
4 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
5 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
6 Olhos:
7 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
8 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
9 Colinérgico: 1. Relativo a ou semelhante à acetilcolina, especialmente quanto à ação fisiológica. 2. Diz-se das sinapses ou das fibras nervosas que liberam ou são ativadas pela acetilcolina.
10 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
11 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
12 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
13 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
14 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
15 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
16 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
17 Esquizofrenia: Doença mental do grupo das Psicoses, caracterizada por alterações emocionais, de conduta e intelectuais, caracterizadas por uma relação pobre com o meio social, desorganização do pensamento, alucinações auditivas, etc.
18 Polissonografia: Exame utilizado na avaliação de algumas das causas de insônia.
19 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.