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Estou com muito sono durante o dia. Será que tenho hipersonia?

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O que é hipersonia?

Hipersonia é um distúrbio do sono caracterizado por sonolência excessiva durante o dia e/ou sono prolongado à noite. É uma condição rara que afeta cerca de 1% da população, sendo mais frequente nas mulheres. Os indivíduos que sofrem desse mal podem pegar no sono a qualquer momento, até mesmo quando estão dirigindo ou executando atividades perigosas. Cochilar durante o dia não diminui a sonolência.

A hipersonia é classificada em (1) hipersonia idiopática1, quando a causa não é conhecida e (2) hipersonia sintomática2, quando for secundária a outros transtornos ou ao uso de medicamentos.

Qual é a causa da hipersonia?

A causa da hipersonia pode permanecer desconhecida, pode ser genética, ser consequência de efeitos colaterais3 de medicamentos (antidepressivos, benzodiazepínicos, antipsicóticos, etc.) ou pode ser sintoma4 de outros transtornos (depressão, fibromialgia5, hipotireoidismo6, apneia obstrutiva do sono7, etc.)

Quase sempre a hipersonia é consequência de alterações nos ciclos da serotonina e/ou da noradrenalina8, neurotransmissores envolvidos na regulação do sono e do relaxamento.

Saiba mais sobre "Depressão", "Fibromialgia5", "Apneia9 do sono" e "Hipotireoidismo6". 

Quais são as principais características clínicas da hipersonia?

Indivíduos saudáveis também podem apresentar um quadro de hipersonia em certos momentos, como, por exemplo, quando ficam algumas noites ou dias sem dormir direito, quando realizam um esforço físico incomum ou pelo uso de tranquilizantes.

A hipersonia patológica é mais comum entre os 15 e 25 anos de vida. Mesmo após dormir mais de 8 horas por dia, o paciente tem dificuldade para levantar, acorda cansado e mantém um sentimento de fadiga10 durante todo o dia, mesmo tendo dormido bem durante toda a noite, permanecendo com sono o dia inteiro. Essas características têm um impacto significativo sobre a sua vida social, funcional e emocional.

Outros sintomas11 podem ser ansiedade, irritabilidade, diminuição da energia, inquietação, pensamento e fala lentos, perda de apetite, alucinações12 e problemas de memória. A hipersonia costuma ser acompanhada de dificuldade para acordar, cansaço e fadiga10 intensa, cochilos involuntários, desorientação, perda de concentração e bocejos constantes durante o dia.

Como o médico diagnostica a hipersonia?

Basicamente, o diagnóstico13 é pautado no relato dos pacientes ou de pessoas que lhe são próximas. No entanto, para ser firmado o diagnóstico13, o paciente deve apresentar os sintomas11 por pelo menos um mês. Alguns exames auxiliares poderão ser solicitados como, por exemplo, exames de sangue14, tomografia computadorizada15 do crânio16, eletroencefalograma17 e polissonografia18.

Um diferencial deve ser feito com a narcolepsia (sonolência súbita) a síndrome19 de Kleine-Levin (em que se dorme por até 18 horas por dia) e distúrbios do sono REM.

Leia sobre "Narcolepsia", "Polissonografia18" e "Como é o sono".

Como o médico trata a hipersonia?

A hipersonia tem cura, porém é necessário recorrer ao médico especialista do sono para fazer o tratamento adequado. Alguns casos exigirão o uso de remédios (estimulantes, antidepressivos, etc.), outros, apenas estratégias para reprogramar os padrões de sono. Em alguns casos, o tratamento será apenas sintomático20. Caso a hipersonia seja de origem medicamentosa, o médico deve aconselhar a troca ou suspensão do medicamento.

Além dos medicamentos estimulantes, devem ser feitas mudanças no comportamento, evitando o trabalho noturno e ficar acordado até tarde. Fazer exercícios físicos e ingerir uma dieta mais leve e rica em nutrientes podem oferecer algum alívio. O álcool agrava a sonolência, devendo ser evitado. Se a hipersonia for secundária a alguma causa identificada, essa deve ser tratada adequadamente. Como, por exemplo, nos casos de apneia obstrutiva do sono7, o uso de CPAP pode ajudar a controlar o problema.

Veja também sobre "Antidepressivos", "Ansiedade" e "Insônia".

Como prevenir os efeitos perigosos da hipersonia?

Pessoas com hipersonia devem evitar dirigir e utilizar ferramentas ou máquinas perigosas enquanto estiverem sonolentas.

Quais são as complicações possíveis da hipersonia?

As manifestações clínicas da hipersonia prejudicam o desempenho na escola e o rendimento no trabalho. Além disso, a coordenação e a agilidade podem ficar diminuídas, o que prejudica a capacidade para dirigir ou operar máquinas perigosas.

 

ABCMED, 2017. Estou com muito sono durante o dia. Será que tenho hipersonia?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1305233/estou-com-muito-sono-durante-o-dia-sera-que-tenho-hipersonia.htm>. Acesso em: 16 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Idiopática: 1. Relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença. 2. Peculiar a um indivíduo.
2 Sintomática: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
3 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
4 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Fibromialgia:
6 Hipotireoidismo: Distúrbio caracterizado por uma diminuição da atividade ou concentração dos hormônios tireoidianos. Manifesta-se por engrossamento da voz, aumento de peso, diminuição da atividade, depressão.
7 Apnéia obstrutiva do sono: Pausas na respiração durante o sono.
8 Noradrenalina: Mediador químico do grupo das catecolaminas, liberado pelas fibras nervosas simpáticas, precursor da adrenalina na parte interna das cápsulas das glândulas suprarrenais.
9 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
10 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
11 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
12 Alucinações: Perturbações mentais que se caracterizam pelo aparecimento de sensações (visuais, auditivas, etc.) atribuídas a causas objetivas que, na realidade, inexistem; sensações sem objeto. Impressões ou noções falsas, sem fundamento na realidade; devaneios, delírios, enganos, ilusões.
13 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
14 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
15 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
16 Crânio: O ESQUELETO da CABEÇA; compreende também os OSSOS FACIAIS e os que recobrem o CÉREBRO. Sinônimos: Calvaria; Calota Craniana
17 Eletroencefalograma: Registro da atividade elétrica cerebral mediante a utilização de eletrodos cutâneos que recebem e amplificam os potenciais gerados em cada região encefálica.
18 Polissonografia: Exame utilizado na avaliação de algumas das causas de insônia.
19 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
20 Sintomático: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
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