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Cor pulmonale - saiba como é

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O que é cor pulmonale?

“Cor pulmonale” é uma expressão latina que significa “coração pulmonar”. Numa tradução mais livre e mais elegante é também chamado de doença cardíaca pulmonar. Corresponde a um aumento do ventrículo direito do coração1, secundário ao aumento da força de contração que ele é obrigado a fazer em virtude de alguma pneumopatia, a qual provoca hipertensão arterial2 pulmonar, quase sempre sucedida por insuficiência3 ventricular direita.

Por essa razão, a condição é também conhecida como insuficiência cardíaca4 direita. Quando o distúrbio do ventrículo cardíaco5 for primário e não consequente a uma patologia6 pulmonar, não se deve falar em cor pulmonale. O cor pulmonale, por sua vez, pode ser agudo7 ou crônico8.

Quais são as causas do cor pulmonale?

O cor pulmonale é causado por alguma patologia6 pulmonar que dificulta a circulação9 do sangue10 nos pulmões11. O cor pulmonale agudo7 é causado por patologia6 pulmonar aguda, como a embolia12 pulmonar, por exemplo. O cor pulmonale crônico8 é causado por patologia6 pulmonar crônica, como a DPOC (doença pulmonar obstrutiva cônica), por exemplo, mas também pode ser decorrente de coágulos de sangue10 nos pulmões11, da perda de tecido13 pulmonar devido à cirurgia, da fibrose14 pulmonar, da apneia15 do sono, de distúrbios que envolvam os músculos respiratórios16 ou devido à embolia12 pulmonar crônica.

Leia também sobre "O que é respirar normalmente", "Falta de ar", "Saturação de oxigênio".

Qual é o substrato fisiopatológico do cor pulmonale?

O ventrículo direito do coração1 recebe o sangue10 venoso oriundo da periferia do corpo e o envia para os pulmões11. Quando há uma pneumopatia que cria alguma resistência ao fluxo sanguíneo, o ventrículo direito precisa fazer maior força para ejetar o sangue10 e a pressão nas artérias17 pulmonares aumenta.

Nas fases iniciais, o ventrículo direito pode ser capaz de manter um débito cardíaco18 normal em repouso, embora possa ser incapaz de aumentá-lo com o exercício, conduzindo, assim, à dispneia19 de esforço. Conforme evolui a doença, a disfunção ventricular direita pode progredir até o ponto em que o débito cardíaco18 em repouso é comprometido.

Com o passar do tempo, o músculo do ventrículo direito do coração1 se hipertrofia20 e mais adiante entra em falência, não sendo mais capaz de bombear para os pulmões11 a quantidade necessária de sangue10. Com tudo isso, o coração1 se dilata.

Quais são as características clínicas do cor pulmonale?

Os sintomas21 do cor pulmonale podem passar despercebidos durante algum tempo, porque a princípio eles são semelhantes aos que a pessoa sente após um exercício físico: falta de ar, cansaço, aumento da frequência cardíaca, tontura22, etc. O cor pulmonale também pode causar retenção severa de líquidos, dificuldade para respirar e até choque23.

A tendência desses sintomas21 é piorarem com o tempo e mais tarde se manifestarem mesmo em repouso. Os sinais24 mais notáveis do cor pulmonale são edema25 periférico, distensão das veias26 do pescoço27 e hepatomegalia28. Conforme a doença progride, pode aparecer também cianose29, ascite30, icterícia31 e presença de sons cardíacos anormais.

Veja sobre "Cianose29", "Oxigenoterapia" e "Ventilação32 mecânica".

Como o médico diagnostica o cor pulmonale?

O diagnóstico33 do cor pulmonale envolve tanto os sintomas21 relatados pelo paciente como também um exame físico e exames complementares. No exame físico o médico irá procurar ritmos cardíacos anormais, retenção de líquidos e veias26 do pescoço27 salientes. Os exames complementares incluirão tomografias computadorizadas, ecocardiograma34, radiografias de tórax35, escaneamento pulmonar, testes de função pulmonar e cateterismo36 cardíaco direito.

Em casos raros, o médico também pode solicitar uma biópsia37 pulmonar para ver se algum tecido13 subjacente está danificado.

Como o médico trata o cor pulmonale?

O mais fundamental de tudo é tratar as causas do cor pulmonale. No entanto, certos medicamentos podem ajudar a diminuir a pressão nos vasos pulmonares e estimular o fluxo de oxigênio de volta aos pulmões11. Diuréticos38 podem ser usados para eliminar a retenção de líquidos e manter baixos os níveis de sódio no sangue10.

Também devem ser receitados anticoagulantes39 para prevenir a formação de coágulos sanguíneos. Antibióticos podem ser dados preventivamente para evitar uma infecção40. Algumas pessoas podem precisar de terapia de oxigênio. Os casos graves ou avançados podem requerer tratamentos mais agressivos, como transplante de coração1 ou de pulmão41.

Como evolui o cor pulmonale?

A evolução das pessoas com cor pulmonale depende da causa subjacente da doença e do manejo que se puder fazer da hipertensão42 pulmonar. É possível que com o tempo o cor pulmonale resulte em uma síndrome43 de insuficiência cardíaca4 direita, geralmente sem compensação cardíaca.

Os êmbolos pulmonares leves a moderados têm melhor perspectiva de evolução. A hipertensão42 pulmonar primária tem prognóstico44 desfavorável e curso progressivo. As doenças graves o suficiente para causar insuficiência cardíaca4 direita significativa estão associadas a prognósticos ruins. Não tratado, o cor pulmonale é fatal.

Saiba mais sobre "Doenças respiratórias", "Embolia12 pulmonar ou embolismo45" e "Fisioterapia46 respiratória".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Encyclopedia Britannica e U.S. National Library of Medicine.

ABCMED, 2021. Cor pulmonale - saiba como é. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1396075/cor+pulmonale+saiba+como+e.htm>. Acesso em: 20 set. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
2 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
3 Insuficiência: Incapacidade de um órgão ou sistema para realizar adequadamente suas funções.Manifesta-se de diferentes formas segundo o órgão comprometido. Exemplos: insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória.
4 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
5 Ventrículo Cardíaco: Câmeras inferiores direita e esquerda do coração. O ventrículo direito bombeia SANGUE venoso para os PULMÕES e o esquerdo bombeia sangue oxigenado para a circulação arterial sistêmica.
6 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
7 Agudo: Descreve algo que acontece repentinamente e por curto período de tempo. O oposto de crônico.
8 Crônico: Descreve algo que existe por longo período de tempo. O oposto de agudo.
9 Circulação: 1. Ato ou efeito de circular. 2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito. 3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.
10 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
11 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
12 Embolia: Impactação de uma substância sólida (trombo, colesterol, vegetação, inóculo bacteriano), líquida ou gasosa (embolia gasosa) em uma região do circuito arterial com a conseqüente obstrução do fluxo e isquemia.
13 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
14 Fibrose: 1. Aumento das fibras de um tecido. 2. Formação ou desenvolvimento de tecido conjuntivo em determinado órgão ou tecido como parte de um processo de cicatrização ou de degenerescência fibroide.
15 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
16 Músculos Respiratórios: Neste grupo de músculos estão incluídos o DIAFRAGMA e os MÚSCULOS INTERCOSTAIS.
17 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
18 Débito cardíaco: Quantidade de sangue bombeada pelo coração para a aorta a cada minuto.
19 Dispnéia: Falta de ar ou dificuldade para respirar caracterizada por respiração rápida e curta, geralmente está associada a alguma doença cardíaca ou pulmonar.
20 Hipertrofia: 1. Desenvolvimento ou crescimento excessivo de um órgão ou de parte dele devido a um aumento do tamanho de suas células constituintes. 2. Desenvolvimento ou crescimento excessivo, em tamanho ou em complexidade (de alguma coisa). 3. Em medicina, é aumento do tamanho (mas não da quantidade) de células que compõem um tecido. Pode ser acompanhada pelo aumento do tamanho do órgão do qual faz parte.
21 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
22 Tontura: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
23 Choque: 1. Estado de insuficiência circulatória a nível celular, produzido por hemorragias graves, sepse, reações alérgicas graves, etc. Pode ocasionar lesão celular irreversível se a hipóxia persistir por tempo suficiente. 2. Encontro violento, com impacto ou abalo brusco, entre dois corpos. Colisão ou concussão. 3. Perturbação brusca no equilíbrio mental ou emocional. Abalo psíquico devido a uma causa externa.
24 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
25 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
26 Veias: Vasos sangüíneos que levam o sangue ao coração.
27 Pescoço:
28 Hepatomegalia: Aumento anormal do tamanho do fígado.
29 Cianose: Coloração azulada da pele e mucosas. Pode significar uma falta de oxigenação nos tecidos.
30 Ascite: Acúmulo anormal de líquido na cavidade peritoneal. Pode estar associada a diferentes doenças como cirrose, insuficiência cardíaca, câncer de ovário, esquistossomose, etc.
31 Icterícia: Coloração amarelada da pele e mucosas devido a uma acumulação de bilirrubina no organismo. Existem dois tipos de icterícia que têm etiologias e sintomas distintos: icterícia por acumulação de bilirrubina conjugada ou direta e icterícia por acumulação de bilirrubina não conjugada ou indireta.
32 Ventilação: 1. Ação ou efeito de ventilar, passagem contínua de ar fresco e renovado, num espaço ou recinto. 2. Agitação ou movimentação do ar, natural ou provocada para estabelecer sua circulação dentro de um ambiente. 3. Em fisiologia, é o movimento de ar nos pulmões. Perfusão Em medicina, é a introdução de substância líquida nos tecidos por meio de injeção em vasos sanguíneos.
33 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
34 Ecocardiograma: Método diagnóstico não invasivo que permite visualizar a morfologia e o funcionamento cardíaco, através da emissão e captação de ultra-sons.
35 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
36 Cateterismo: Exame invasivo de artérias ou estruturas tubulares (uretra, ureteres, etc.), utilizando um dispositivo interno, capaz de injetar substâncias de contraste ou realizar procedimentos corretivos.
37 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
38 Diuréticos: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
39 Anticoagulantes: Substâncias ou medicamentos que evitam a coagulação, especialmente do sangue.
40 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
41 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
42 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
43 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
44 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
45 Embolismo: É o mesmo que embolia, mas é um termo menos usado. Significa obstrução de um vaso, frequentemente uma artéria, pela migração de um corpo estranho (chamado de êmbolo) levado pela corrente sanguínea.
46 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
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