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Cintilografia miocárdica

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O que é cintilografia1 miocárdica?

cintilografia1 miocárdica é um exame de imagem que tem por finalidade avaliar o fluxo sanguíneo nas artérias2 que nutrem o músculo cardíaco3, detectando possíveis falhas na irrigação de alguma região do coração4 bem como alterações já estabelecidas do músculo cardíaco3.

Apesar de haver outras inúmeras técnicas de obter imagens do coração4, a cintilografia1 cardíaca continua sendo a principal e a mais usada delas, por ser um teste não invasivo e muito sensível para identificar e localizar fluxo sanguíneo reduzido para o músculo cardíaco3.

Leia sobre "Angina5 de peito6", "Hiperlipidemia7" e "Dieta para reduzir a pressão arterial8".

Como é feito o exame de cintilografia1 miocárdica?

O exame é feito em duas etapas: (1) com o indivíduo em repouso e (2) com o coração4 submetido a estresse, e consta da injeção9 intravenosa de pequena dose de substância radioativa que logo circula pelo organismo e se distribui pelo coração4, podendo ser captada por um aparelho especial, capaz de gerar imagens. As áreas de músculo normais captam a radiação e as áreas comprometidas não as captam, formando imagens distintas, que permitem ao médico reconhecer áreas de isquemia10.

Como preparação para o exame, o paciente deve observar:

  • Jejum de 2 horas antes do exame.
  • Não tomar café, chás ou refrigerantes ou qualquer outro alimento ou medicamento que contenha cafeína e não comer chocolate ou achocolatados.
  • Não tomar medicamentos que contenham nitratos ou que diminuam a frequência cardíaca.
  • Suspender por pelo menos 24 horas antes da etapa de estresse as medicações que contenham Aminofilina e Teofilina, comumente usadas para Asma11 / Bronquite.
  • Evitar exercício físico na véspera e no dia do exame.
  • Não fumar pelo menos nas 2 horas que antecedem o exame.
  • Não ingerir bebidas alcoólicas na véspera e no dia do exame.
  • Em caso de dor, inclusive dor de cabeça12, deve usar apenas dipirona ou paracetamol puro, sem associação com outras drogas.

Na cintilografia1 de repouso, uma substância radioativa é administrada na corrente sanguínea do paciente, cujas emissões, depois de uma leve caminhada, são captadas acumuladas no coração4 por uma máquina especial que permite a formação de imagens a partir delas, possibilitando ao médico avaliar o fluxo de sangue13 nas artérias2 coronarianas e no miocárdio14.

Na ocasião de uma cintilografia1 de estresse geralmente são seguidas várias etapas. Primeiro, o paciente será solicitado a remover quaisquer joias ou adereços que esteja portando. Um acesso intravenoso será obtido em sua mão15 ou braço e ele será conectado a uma máquina de eletrocardiograma16 (ECG). Em seguida, um manguito de pressão arterial8 será colocado em seu braço.

O paciente é colocado para se exercitar em uma esteira, cuja velocidade crescerá gradualmente, aumentando a intensidade do exercício. Durante o exercício, sua frequência cardíaca e pressão arterial8 serão monitoradas e quando atingirem o ponto máximo determinado pelo médico, em cada caso, um marcador radioativo17 será injetado através do acesso venoso e o paciente deverá continuar se exercitando por vários minutos, após o que será colocado no scanner cardíaco para que as imagens possam ser obtidas.

Se o paciente tiver qualquer impossibilidade de usar a esteira, ele, em vez disso, se deitará na mesa do scanner cardíaco e receberá pelo acesso venoso alguma medicação que mimetize o funcionamento cardíaco sob estresse (aumentos da frequência cardíaca e da pressão arterial8). Então, o traçador (substância radioativa) será injetado na veia do paciente e o exame seguirá seu curso normal.

Ele ficará deitado na mesa cerca de 10 a 60 minutos (dependendo do tipo de marcador usado) enquanto as imagens do seu coração4 são tiradas. Após a injeção9 do marcador, a câmera gama começará a tirar fotos do coração4. Depois que a varredura for concluída, ele poderá deixar a área, mas precisará retornar para um segundo conjunto de varreduras, que será feito de 3 a 6 horas após o primeiro.

Durante esse período, ele não poderá comer ou usar tabaco e terá acesso limitado a água ou líquidos descafeinados e sem calorias18. Em alguns casos, o médico pode decidir que ele retorne em outro dia para o segundo conjunto de exames. O segundo conjunto de exames será muito parecido com o primeiro, mas ele não precisará se exercitar ou tomar o medicamento. 

Se o paciente tiver quaisquer sintomas19 em qualquer momento do procedimento, deve informar imediatamente ao médico.

Por que fazer o exame de cintilografia1 miocárdica?

O exame de cintilografia1 cardíaca serve para avaliar o fluxo sanguíneo através das artérias coronárias20, a perfusão dos músculos21 cardíacos e a força de ejeção deles. Normalmente, é feito para avaliar a presença de infarto22 ou das sequelas23 dele nos músculos21 cardíacos e em pacientes com dor no peito6 e com risco elevado de ter problemas cardíacos, bem como em casos de insuficiência cardíaca24, transplante cardíaco e doenças das válvulas do coração4.

Em geral, os médicos solicitam o exame quando:

  • o eletrocardiograma16 está alterado;
  • quando os níveis de cálcio no sangue13 estão maiores de 100;
  • antes de cirurgias de risco moderado;
  • antes de cirurgia vascular25 em pessoas que possuem diabetes26, insuficiência renal27, história de doença cardíaca ou de doença cerebrovascular28;
  • antes de cirurgia cardíaca em pessoas que possuem doença cardíaca confirmada;
  • após revascularização do miocárdio14;
  • para avaliar a viabilidade do miocárdio14 em pessoas que possuem disfunção ventricular.

Como o exame utiliza uma substância radioativa, não é recomendado para mulheres grávidas ou em fase de amamentação29.

Quais são as complicações possíveis com a cintilografia1 miocárdica?

Nenhuma reação grave foi descrita até agora com os marcadores radiofármacos. O principal risco está relacionado ao estresse físico ou farmacológico (distúrbios do ritmo, infarto22 cardíaco, eventos isquêmicos induzidos por estresse), embora eventos graves ocorram muito raramente (1-10 em 100.000 exames).

A carga de radiação está na faixa média no espectro dos exames de medicina nuclear. Agentes de perfusão miocárdica infiltram o leite materno e devem ser evitados em mulheres que estejam amamentando e a amamentação29 deve ser discutida com a equipe do departamento de medicina nuclear. A capacidade de conduzir veículos a motor não é influenciada por este teste.

Veja também sobre "Insuficiência cardíaca congestiva30", "Ponte de safena" e "Dor no peito6: é sempre um sinal31 de alerta?"

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Johns Hopkins Medicine e da Medical University of Vienna.

ABCMED, 2022. Cintilografia miocárdica. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/1413745/cintilografia+miocardica.htm>. Acesso em: 9 dez. 2022.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Cintilografia: Procedimento que permite assinalar num tecido ou órgão interno a presença de um radiofármaco e acompanhar seu percurso graças à emissão de radiações gama que fazem aparecer na tela uma série de pontos brilhantes (cintilação); também chamada de cintigrafia ou gamagrafia.
2 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
3 Músculo Cardíaco: Tecido muscular do CORAÇÃO. Composto de células musculares estriadas e involuntárias (MIÓCITOS CARDÍACOS) conectadas, que formam a bomba contrátil geradora do fluxo sangüíneo.
4 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
5 Angina: Inflamação dos elementos linfáticos da garganta (amígdalas, úvula). Também é um termo utilizado para se referir à sensação opressiva que decorre da isquemia (falta de oxigênio) do músculo cardíaco (angina do peito).
6 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
7 Hiperlipidemia: Condição em que os níveis de gorduras e colesterol estão mais altos que o normal.
8 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
9 Injeção: Infiltração de medicação ou nutrientes líquidos no corpo através de uma agulha e seringa.
10 Isquemia: Insuficiência absoluta ou relativa de aporte sanguíneo a um ou vários tecidos. Suas manifestações dependem do tecido comprometido, sendo a mais frequente a isquemia cardíaca, capaz de produzir infartos, isquemia cerebral, produtora de acidentes vasculares cerebrais, etc.
11 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
12 Cabeça:
13 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
14 Miocárdio: Tecido muscular do CORAÇÃO. Composto de células musculares estriadas e involuntárias (MIÓCITOS CARDÍACOS) conectadas, que formam a bomba contrátil geradora do fluxo sangüíneo. Sinônimos: Músculo Cardíaco; Músculo do Coração
15 Mão: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
16 Eletrocardiograma: Registro da atividade elétrica produzida pelo coração através da captação e amplificação dos pequenos potenciais gerados por este durante o ciclo cardíaco.
17 Radioativo: Que irradia ou emite radiação, que contém radioatividade.
18 Calorias: Dizemos que um alimento tem “x“ calorias, para nos referirmos à quantidade de energia que ele pode fornecer ao organismo, ou seja, à energia que será utilizada para o corpo realizar suas funções de respiração, digestão, prática de atividades físicas, etc.
19 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
20 Artérias coronárias: Veias e artérias do CORAÇÃO.
21 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
22 Infarto: Morte de um tecido por irrigação sangüínea insuficiente. O exemplo mais conhecido é o infarto do miocárdio, no qual se produz a obstrução das artérias coronárias com conseqüente lesão irreversível do músculo cardíaco.
23 Sequelas: 1. Na medicina, é a anomalia consequente a uma moléstia, da qual deriva direta ou indiretamente. 2. Ato ou efeito de seguir. 3. Grupo de pessoas que seguem o interesse de alguém; bando. 4. Efeito de uma causa; consequência, resultado. 5. Ato ou efeito de dar seguimento a algo que foi iniciado; sequência, continuação. 6. Sequência ou cadeia de fatos, coisas, objetos; série, sucessão. 7. Possibilidade de acompanhar a coisa onerada nas mãos de qualquer detentor e exercer sobre ela as prerrogativas de seu direito.
24 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
25 Vascular: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
26 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
27 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
28 Doença cerebrovascular: É um dano aos vasos sangüíneos do cérebro que resulta em derrame (acidente vascular cerebral). Os vasos tornam-se obstruídos por depósitos de gordura (aterosclerose) ou tornam-se espessados ou duros bloqueando o fluxo sangüíneo para o cérebro. Quando o fluxo é interrompido, as células nervosas sofrem dano ou morrem, resultando no derrame. Pacientes com diabetes descompensado têm maiores riscos de AVC.
29 Amamentação: Ato da nutriz dar o peito e o lactente mamá-lo diretamente. É um fenômeno psico-sócio-cultural. Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar... A amamentação é uma forma de aleitamento, mas há outras formas.
30 Insuficiência Cardíaca Congestiva: É uma incapacidade do coração para efetuar as suas funções de forma adequada como conseqüência de enfermidades do próprio coração ou de outros órgãos. O músculo cardíaco vai diminuindo sua força para bombear o sangue para todo o organismo.
31 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
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