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Doenças cerebrovasculares

Friday, February 19, 2021
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Doenças cerebrovasculares

O que são doenças cerebrovasculares?

As doenças cerebrovasculares são patologias que afetam os vasos sanguíneos do cérebro e podem danificar o funcionamento e a estrutura dele. Elas acontecem quando as condições de circulação do fluxo sanguíneo são dificultadas ou impedidas de forma momentânea ou permanente em uma área do cérebro, a princípio danificando o funcionamento e, a longo prazo, a própria estrutura desse órgão.

Quais são as causas das doenças cerebrovasculares?

A interrupção do fluxo de sangue para regiões do cérebro deve-se a uma de duas coisas: (1) interrupções da circulação sanguínea em virtude de (a) êmbolos ou (b) trombos intravasculares ou (2) rompimento de um vaso sanguíneo (a) no interior do cérebro ou (b) no espaço subaracnoide. A hipertensão arterial é a causa mais importante que pode causar danos ao revestimento dos vasos sanguíneos. Com a hipertensão permanente, os vasos sanguíneos se tornam mais estreitos, rígidos, deformados e desiguais, o que os faz mais vulneráveis a danos. Também o colesterol alto favorece a formação de placas de arteriosclerose que podem crescer até interromper parcial ou totalmente a circulação local. Principalmente pessoas idosas, diabéticas, fumantes ou com sobrepeso que tenham arteriosclerose ou doenças do coração têm um risco aumentado de doença cerebrovascular.

Veja mais “Doenças das artérias”, “Síndrome Moyamoya”, “Estatinas: prós e contras” e “Atorvastatina: prós e contras”.

Qual é o substrato fisiológico das doenças cerebrovasculares?

Os dois tipos principais de substratos das doenças cerebrovasculares são a isquemia e a hemorragia cerebral. Há vários motivos para que uma dessas duas coisas aconteça, mas todas resultam em deficiência do suprimento de oxigênio para o cérebro. A isquemia, que corresponde a 80% dos casos, decorre de um bloqueio à passagem de sangue e de oxigênio para áreas do cérebro; a hemorragia, que constitui os outros 20% dos casos, corresponde ao extravasamento de sangue na massa cerebral ou na região subaracnoidea.

Há, então, quatro modalidades possíveis de doenças cerebrovasculares:

  1. A trombose cerebral, que é um acidente cerebrovascular isquêmico, que se dá através do estreitamento de algumas das artérias cerebrais devido ao aparecimento de um trombo (um coágulo que se forma na parede) que bloqueia o fluxo de sangue.
  2. A embolia cerebral, que também é um acidente isquêmico devido à interrupção da circulação por um êmbolo, ou seja, um coágulo que se desprende de algum outro local (geralmente o coração), cai na circulação e chega a uma artéria cerebral, obstruindo a circulação.
  3. Hemorragia cerebral ou intracerebral, geralmente ocasionada por um aneurisma em alguma artéria do cérebro, ou seja, de uma dilatação anormal em uma zona enfraquecida de um vaso sanguíneo dentro do cérebro. No momento em que o aneurisma se rompe, aparece a hemorragia cerebral. Se ele nunca se romper, pode permanecer indefinidamente assintomático.
  4. As hemorragias subaracnóideas na maioria das vezes se produzem devido à hipertensão arterial não controlada. Neste caso, o derrame se localiza no espaço existente entre o cérebro e o crânio, chamado espaço subaracnóideo, sem chegar nunca a se introduzir no próprio cérebro.

A ocorrência de qualquer dessas possibilidades constitui o que se usa chamar de Acidente Vascular Cerebral.

Quais são as características clínicas das doenças cerebrovasculares?

A principal doença cerebrovascular é o Acidente Vascular Cerebral (AVC). O Brasil registra cerca de 68 mil mortes por ano devido a essa patologia, sendo a primeira causa de incapacidade e de morte. A partir da década de 70, com o avanço da tecnologia médica na área de imagens, com o surgimento da ressonância magnética e da tomografia computadorizada, as doenças cerebrovasculares ganharam novos e mais eficazes meios de diagnóstico e tratamento.

Muitas vezes um AVC isquêmico se prenuncia de forma leve, por meio do chamado Ataque Isquêmico Transitório (AIT), que é a oclusão parcial de um vaso do cérebro, de efeito temporário. É comum que o AIT anteceda o AVC isquêmico, mas como os sintomas são rápidos e transitórios e podem cessar em sua totalidade, nem sempre são alarmantes o bastante para que o paciente procure uma emergência. Paralisia e dormência no braço ou perna, dificuldade para falar e andar estão entre os sintomas de quem já sofreu um AIT ou um AVC.

Existem diferentes tipos de AVC e as manifestações clínicas, os recursos terapêuticos e o prognóstico são mais ou menos específicos para cada um. Os sintomas clínicos dependerão da gravidade da lesão ocasionada ao cérebro e da localização dela. Em geral, esses sintomas acontecem repentinamente e são, entre outros, perda da consciência, adormecimento ou paralisia de um lado do rosto e do corpo, dor de cabeça muito intensa, convulsões, dificuldade de falar e de caminhar, problemas de visão etc. Os planos terapêuticos dependem da natureza do dano cerebral e da sua gravidade e pode variar desde medicações para dissolver os coágulos, até cirurgia para aliviar a pressão intracraniana e/ou clampear o vaso rompido. Quanto mais rapidamente um acidente vascular cerebral for tratado, maior a probabilidade de o dano cerebral ser menos grave e melhores as chances de recuperação. Normalmente, a melhora continua por seis meses ou mesmo mais de um ano após o acidente vascular cerebral. No caso de idosos, o prognóstico é pior que nos mais jovens.

Quais são as complicações possíveis com as doenças cerebrovasculares?

Alguns AVCs podem levar à morte de imediato. Os pacientes que sobrevivem podem sofrer depressão, convulsões, quedas e demência, constituindo, também, uma taxa de mortalidade tão alta quanto o câncer ou infarto, e sendo a principal causa de incapacidade em adultos com idade acima de 50 anos. Algumas sequelas como distúrbio da fala, paralisias motoras e alterações sobre o equilíbrio podem permanecer para sempre.

Links relacionados: “Tabagismo”, “sedentarismo”, “Obesidade”, “Esteatose metabólica” e “Síndrome metabólica”.

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDC) e Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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