Síndrome de extravasamento capilar

O que é a síndrome de extravasamento capilar?
A síndrome de extravasamento capilar sistêmico, também chamada de doença de Clarkson, é uma condição médica extremamente rara e grave, caracterizada por episódios de extravasamento para fora dos vasos sanguíneos de fluidos e proteínas, que passam a se acumular no espaço intersticial. A síndrome de extravasamento capilar é uma doença multifacetada e potencialmente letal que tem sido cada vez mais reconhecida.
Ela foi primeiramente descrita por B. Clarkson, quando ele perdeu uma paciente que apresentou febre baixa, hipotensão arterial e edema na face, nos braços e nas pernas, que evoluiu rápida e inexplicavelmente para óbito por insuficiência cardíaca e edema pulmonar. Entre 1960 e 2006, apenas 100 casos foram relatados na literatura médica mundial, tanto porque a enfermidade seja realmente rara como porque, sendo pouco conhecida, tenha sido subdiagnosticada.
São reconhecidas três formas desta síndrome:
- Idiopática, que é a forma mais prevalente, em que os ataques duram dias, recorrem a intervalos regulares e têm como fatores disparadores a menstruação, as sinusites e a alergia ao pólen.
- A associada a doenças cutâneas, como eritrodermia e psoríase pustulosa.
- Induzida por drogas, como retinoides e fator estimulador de granulócitos.
Quais são as causas da síndrome de extravasamento capilar?
A causa da síndrome de extravasamento capilar não é totalmente conhecida, mas sabe-se que as células do endotélio que revestem os capilares aparentemente se separam por alguns dias, permitindo a fuga de fluidos dos capilares sanguíneos para os tecidos circundantes. Ou seja, há um extravasamento de volumes do sistema circulatório para o fluido intersticial.
A síndrome é desencadeada principalmente por drogas (terapias antitumorais), malignidade, infecções e doenças inflamatórias. Algumas medicações utilizadas para o tratamento de doenças oncohematológicas, assim como no transplante de células-tronco hematopoiéticas, podem causar a síndrome de extravasamento capilar.
Quando a síndrome acontece, trata-se de uma emergência médica, pois pode levar o paciente à morte em pouco tempo. Mais recentemente, essa síndrome foi associada a algumas vacinas contra a Covid-19, como as da Janssen e da AstraZeneca.
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Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome de extravasamento capilar?
Diversas hipóteses têm sido aventadas para explicar o aumento da permeabilidade capilar:
- Dano endotelial causado por citocinas, como as interleucinas 2 e 6, interferon gama e fator de necrose tumoral alfa.
- Leucotrieno B4, que tem papel central na permeabilidade capilar e que, in vitro, foi detectado como aumentado na síndrome de extravasamento capilar.
- Componentes do soro de pacientes com a síndrome que levam à apoptose de células endoteliais.
- Concentração plasmática de fator vascular de crescimento endotelial que pode atuar na microvasculatura para induzir aumento da permeabilidade.
Quais são as características clínicas da síndrome de extravasamento capilar?
A síndrome de extravasamento capilar é mais prevalente entre a 4ª e 5ª décadas de vida e ambos os sexos são afetados, embora alguns casos tenham sido descritos em crianças. Tipicamente, ela se manifesta por um acúmulo de líquidos e proteínas no espaço intersticial e choque hipovolêmico.
Até 70% do volume intravascular pode extravasar durante um episódio. Por isso, estão sempre presentes uma profunda hipoalbuminemia e hemoconcentração. Isso causa inchaço nos braços e pernas, baixa pressão arterial, sensação de desmaio (devido à pressão arterial baixa), espessamento do sangue, alta concentração do hematócrito e baixos níveis de albumina.
Os achados clínicos se caracterizam em três fases:
- Fase prodrômica inicial: em que há sintomas gripais, dor abdominal, náusea, vertigem.
- Fase aguda: em que ocorre perda de água, eletrólitos e proteínas para o espaço extravascular, com edema generalizado, síndrome compartimental, ganho de peso, eritema, prurido, sudorese, falência renal e choque hipovolêmico.
- Fase tardia: em que o fluido retorna ao leito intravascular e é responsável por causar edema pulmonar agudo, síndrome da angústia respiratória do adulto, derrame pericárdico, tamponamento cardíaco, choque cardiogênico e ocorre hipóxia grave associada à congestão pulmonar e função cardíaca anormal. É nesta fase que podem ocorrer complicações e morte.
Como o médico diagnostica a síndrome de extravasamento capilar?
Os sintomas inespecíficos iniciais são seguidos pela intrigante marca registrada da síndrome de extravasamento capilar, o duplo paradoxo associando edema severo difuso e hipovolemia, acompanhados de hemoconcentração e hipoalbuminemia. A permeabilidade microvascular renal aumentada é indiretamente medida pela proteinúria. Além disso, detecta-se neutrofilia e hemoconcentração, com ou sem a paraproteinemia associada.
Como o médico trata a síndrome de extravasamento capilar?
Não há, ainda, uma terapêutica específica para tratar a síndrome de extravasamento capilar. Diversas terapêuticas têm sido tentadas, como imunoglobulina IV, teofilina, terbutalina, corticoides, indometacina, espironolactona, ciclosporina, plasmaférese, prostaciclina, gingko biloba, etc., todas com resultados incertos.
Opções ainda em estudo são: a inibição da apoptose por anticaspases ou antioxidantes e ação inibitória sobre o fator vascular de crescimento endotelial ou sobre as vias mediadas por ele.
Como evolui a síndrome de extravasamento capilar?
A fase resolutiva espontânea é frequentemente associada a resultados ruins devido à sobrecarga hídrica durante a fase de reabsorção do vazamento. A síndrome é potencialmente fatal se não for tratada a tempo. Os pacientes pioram muito e podem morrer tanto na fase aguda da síndrome de extravasamento capilar, quando ocorre o extravasamento de líquido para o interstício, quanto na fase tardia, quando o líquido retorna para o espaço intravascular. A taxa de mortalidade da doença é de 30 a 76%.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da Biblioteca Virtual em Saúde.
