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Em que consiste a gasometria arterial? Quando deve ser feita?

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O que é gasometria?

Gasometria ou gasometria arterial é o exame que visa medir o oxigênio (O2), o gás carbônico (CO2) e o pH no sangue1 arterial para avaliar o equilíbrio acidobásico de um paciente. Esse exame é utilizado principalmente para verificar se os pulmões2 estão sendo capazes de fazer corretamente a troca do oxigênio pelo dióxido de carbono nos seus alvéolos3. Quando as artérias4 passam pelos pulmões2, elas deixam o dióxido de carbono coletado nas células5 dos tecidos orgânicos e o trocam pelo oxigênio que está nos alvéolos3, graças à respiração, para então levá-los aos órgãos.

Em que consiste a gasometria?

A gasometria utiliza o sangue1 retirado por punção de uma artéria6, em que o oxigênio e o dióxido de carbono podem ser medidos antes de entrar nos tecidos corporais. O sangue1 venoso não pode ser usado para avaliação do oxigênio. Em geral, o exame é realizado por meio da punção da artéria6 radial, mas pode também ser coletado em outras artérias4, como a braquial ou femoral, por exemplo. O paciente deve ficar assentado, com o braço estendido, seu pulso descansando em um pequeno travesseiro, como nas punções venosas comuns. Nos casos em que o sangue1 seja retirado da virilha, o paciente é posicionado de maneira mais confortável, geralmente deitado.

Como a punção de uma artéria6 é mais dolorosa que a de uma veia, o paciente pode receber um anestésico no local, para diminuir a dor. Esse exame exige equipamento especializado, quase sempre não disponível em consultórios médicos. Depois do exame, o profissional de saúde7 que colher o sangue1 deve limpar o local de inserção da agulha com álcool, colocar uma gaze no local da picada, pressionar firmemente o local por cinco a dez minutos, ou ainda mais, e colocar um curativo sobre a área. Se for necessária mais de uma coleta, um cateter pode permanecer inserido na artéria6.

Existe outro método, não invasivo, de monitoração da saturação de oxigênio: a oximetria de pulso. É um método de monitoração contínua, em que não é necessário colher uma amostra de sangue1. Um sensor, chamado oxímetro, é preso à ponta de um dedo ou ao lobo de uma orelha8 e mede a intensidade da luz transmitida através do sangue1, no caso, influenciada pela concentração de oxigênio. O método, no entanto, tem sua precisão afetada pela presença de hemoglobinas anormais, perfusão deficiente ou por anemia9 intensa.

Quando deve ser solicitada uma gasometria?

Geralmente a gasometria é pedida quando há um problema respiratório que implique alterações na troca oxigênio-gás carbônico ou a possibilidade de um desequilíbrio acidobásico. A gasometria arterial por si só não fornece informações suficientes para diagnosticar uma doença, mas ajuda a determinar se um paciente tem ou não necessidade de suplementação10 de oxigênio. Ao mesmo tempo, outros exames podem ser pedidos, visando objetivos correlatos, como dosagem dos eletrólitos11, da glicose12, da ureia13 e da creatinina14. Ademais, ajuda a avaliar a função renal15, fator essencial no equilíbrio ácido-base.

Em resumo, a gasometria deve ser pedida para ajudar a diagnosticar e monitorar doenças pulmonares, metabólicas ou renais que possam causar desequilíbrio ácido-base ou dificuldades respiratórias. As anestesias prolongadas também podem exigir monitoração prolongada da gasometria no pós-operatório. E em recém-nascidos a gasometria do sangue do cordão umbilical16 pode revelar problemas respiratórios e orientar o tratamento.

Além disso, na pessoa que esteja recebendo oxigênio como terapia, a gasometria é usada para avaliar a eficácia do tratamento. Em resumo, a gasometria é solicitada nas doenças pulmonares obstrutivas crônicas, na fibrose cística17, no diabetes18 não controlado, nos distúrbios do sono, nas infecções19 graves, na insuficiência cardíaca20 ou renal15 ou depois de uma overdose de drogas. Em pacientes hospitalizados a gasometria arterial muitas vezes é feita em pacientes com doenças graves ou que farão uma cirurgia, em que o teste pode medir se os pulmões2 e os rins21 da pessoa estão funcionando adequadamente ou não.

Como evolui a coleta de sangue1 para a gasometria?

Os problemas com a coleta de sangue1 são muito raros, mas é recomendável ter cuidado com o braço ou perna em que ela tenha sido feita. Pode ficar um pequeno hematoma22 no local da punção, que desaparecerá com o tempo, e o paciente deve procurar não levantar peso ou transportar objetos pesados com esse braço ou perna por cerca de 24 horas após o exame.

Quais são as complicações possíveis da gasometria?

Quase não há complicações com a gasometria. A contraindicação maior do exame é a presença de doença arterial periférica grave que dificulte ou impeça a pulsação arterial. O exame também não deve ser feito se o paciente tiver problemas de coagulação23 do sangue1 ou estiver tomando anticoagulantes24, se for alérgico a algum medicamento e se estiver em terapia de oxigênio.

ABCMED, 2015. Em que consiste a gasometria arterial? Quando deve ser feita?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/755617/em-que-consiste-a-gasometria-arterial-quando-deve-ser-feita.htm>. Acesso em: 19 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
2 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
3 Alvéolos: Pequenas bolsas poliédricas localizadas ao longo das paredes dos sacos alveolares, ductos alveolares e bronquíolos terminais. A troca gasosa entre o ar alveolar e o sangue capilar pulmonar ocorre através das suas paredes. DF
4 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
5 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
6 Artéria: Vaso sangüíneo de grande calibre que leva sangue oxigenado do coração a todas as partes do corpo.
7 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
8 Orelha: Sistema auditivo e de equilíbrio do corpo. Consiste em três partes
9 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
10 Suplementação: Que serve de suplemento para suprir o que falta, que completa ou amplia.
11 Eletrólitos: Em eletricidade, é um condutor elétrico de natureza líquida ou sólida, no qual cargas são transportadas por meio de íons. Em química, é uma substância que dissolvida em água se torna condutora de corrente elétrica.
12 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
13 Ureia: 1. Resíduo tóxico produzido pelo organismo, resulta da quebra de proteínas pelo fígado. É normalmente removida do organismo pelos rins e excretada na urina. 2. Substância azotada. Composto orgânico cristalino, incolor, de fórmula CO(NH2)2 (ou CH4N2O), com um ponto de fusão de 132,7 °C.
14 Creatinina: Produto residual das proteínas da dieta e dos músculos do corpo. É excretada do organismo pelos rins. Uma vez que as doenças renais progridem, o nível de creatinina aumenta no sangue.
15 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
16 Sangue do Cordão Umbilical: Sangue do feto. A troca de nutrientes e de resíduos entre o sangue fetal e o materno ocorre através da PLACENTA. O sangue do cordão é o sangue contido nos vasos umbilicais (CORDÃO UMBILICAL) no momento do parto.
17 Fibrose cística: Doença genética autossômica recessiva que promove alteração de glândulas exócrinas do organismo. Caracterizada por infecções crônicas das vias aéreas, que leva ao desenvolvimento de bronquiectasias, insuficiência pancreática exócrina, disfunções intestinais, anormalidades das glândulas sudoríparas e disfunção genitourinária.
18 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
19 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
20 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
21 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
22 Hematoma: Acúmulo de sangue em um órgão ou tecido após uma hemorragia.
23 Coagulação: Ato ou efeito de coagular(-se), passando do estado líquido ao sólido.
24 Anticoagulantes: Substâncias ou medicamentos que evitam a coagulação, especialmente do sangue.
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