AbcMed

Síndrome da ardência bucal

quinta-feira, 10 de agosto de 2023
Avalie este artigo
Síndrome da ardência bucal

O que é a síndrome da ardência bucal?

A síndrome da ardência bucal, também conhecida como boca ardente ou glossodinia, é uma condição crônica caracterizada por uma sensação de queimação, dor ou formigamento na boca, especialmente na língua, lábios e mucosa bucal, sem que se possa encontrar qualquer lesão aparente nem definir uma causa específica, localizada ou sistêmica. Essa sensação pode persistir por semanas, meses ou até mesmo anos.

Quais são as causas da síndrome da ardência bucal?

Em geral, não se consegue determinar uma causa específica para a ardência bucal, mas existem várias teorias sobre seus possíveis desencadeadores, tais como:

  • danos nos nervos que controlam a sensação da boca;
  • alterações nas papilas gustativas da língua, que podem levar à sensação de sabor alterado ou metálico;
  • alterações hormonais que podem desempenhar um papel na síndrome de ardência bucal;
  • e infecções bucais, como candidíase oral ou infecções bacterianas.

Também a pressão exercida pela língua sobre os dentes, uma reação alérgica ou o uso de substâncias irritantes, como álcool, fumo e temperos, podem causar essa sensação.

A ardência bucal pode ocorrer secundariamente a condições bucais anormais conhecidas, porém, isso não configura a síndrome de ardência bucal. Entre essas condições, contam-se:

  • lesões;
  • infecções ou traumas bucais;
  • hipossalivação e xerostomia, devidas a efeitos colaterais de remédios ou drogas ou à manifestação de doenças sistêmicas;
  • reações secundárias a tratamentos oncológicos.

Doença do refluxo gastroesofágico, hipoacidez gástrica crônica, ansiedade e depressão também podem estar relacionadas à queixa da ardência bucal.

Na ausência dessas condições, sugere-se investigação por meio da solicitação de exames laboratoriais, como:

A suplementação, caso haja alguma deficiência, pode levar à melhora dos sintomas da ardência bucal.

Veja também sobre "Halitose ou mau hálito", "Glossite", "Hipertrofia gengival", "Língua saburrosa".

Quais são as características clínicas da síndrome da ardência bucal?

Na maioria das vezes, os sintomas da síndrome da ardência bucal atinge as mulheres. Eles podem variar de pessoa para pessoa, mas comumente incluem:

  • uma sensação de queimação na língua, lábios, gengivas, céu da boca ou em toda a boca;
  • sabor metálico ou amargo persistente;
  • boca seca ou aumento da sede;
  • formigamento ou dormência na boca;
  • e dor que pode variar de leve a grave.

Além da ardência, os pacientes com síndrome da ardência bucal podem queixar-se de parestesia, disgeusia (distorção persistente do paladar) e disestesia (desordem neurológica caracterizada por uma sensitividade alterada dos sentidos, especialmente do tato). 

Os sintomas da síndrome da ardência bucal podem se manifestar periodicamente e afetar diferentes áreas da boca a cada vez. Algumas pessoas sentem uma dor pronunciada que pode durar vários dias ou semanas de cada vez. Outros podem experimentar episódios periódicos de leve desconforto ou irritação que duram apenas alguns dias, acompanhados por uma ausência de sintomas por vários dias entre os episódios.

Como o médico diagnostica a síndrome da ardência bucal? 

Não há um único exame que possa confirmar se um indivíduo tem ou não síndrome da ardência bucal. O diagnóstico tem de ser feito com base na avaliação dos sintomas e na exclusão de outras possíveis causas, como infecções, alergias ou condições médicas subjacentes.

Inicialmente, uma revisão da história médica do indivíduo pode ser conduzida, seguida por um exame da boca. Após esse exame preliminar, testes adicionais podem ser realizados para avaliar a saúde geral da pessoa e para verificar quaisquer condições subjacentes.

O uso de certos medicamentos prescritos pode ser interrompido para avaliar se seu uso está contribuindo para os sintomas. Os exames de sangue podem ser solicitados para avaliar os níveis de glicose do indivíduo e as funções imunológica e tireoidiana.

Em alguns casos, exames de imagem podem ser realizados para avaliar se uma condição subjacente pode estar presente. Culturas de material oral podem ser realizadas para descartar a presença de qualquer infecção viral, fúngica ou bacteriana. A ardência bucal pode ser vista também como sintoma do diabetes.

Como o médico trata a síndrome da ardência bucal? 

Como a causa da síndrome da ardência bucal é desconhecida, o tratamento tem de ser voltado para aliviar os sintomas e envolve uma abordagem multidisciplinar, incluindo medicamentos analgésicos, antidepressivos tricíclicos ou agentes tópicos para alívio da dor e medicamentos para controlar a produção de saliva. Como algumas vezes a síndrome da ardência bucal pode ser sinal de distúrbio emocional, tranquilizantes em doses baixas podem ser úteis. Tratamentos tópicos, como enxaguatórios bucais, géis ou cremes contendo ingredientes como anestésicos ou corticosteroides também podem ser utilizados para aliviar a sensação de ardência.

Técnicas de gerenciamento do estresse e terapia cognitivo-comportamental podem ajudar a lidar com a síndrome de ardência bucal relacionada ao estresse ou à ansiedade. Alguns autocuidados também podem ajudar:

  • substituir a dentadura mal ajustada;
  • tomar suplementos para deficiências de vitaminas;
  • beber mais líquidos;
  • evitar o fumo e o álcool;
  • e evitar alimentos picantes.

A simples mudança da marca do dentifrício, do líquido para higiene bucal ou da goma de mascar pode prover algum alívio dos sintomas.

Quais são as complicações possíveis com a síndrome da ardência bucal?

As complicações associadas à síndrome da ardência bucal incluem alterações de humor, insônia e/ou perda de apetite. Aqueles que têm alergia alimentar conhecida, os que são diagnosticados com infecção do trato respiratório superior ou que estejam tomando certos medicamentos podem ter um risco aumentado de desenvolver glossodinia.

Procedimentos odontológicos recentes e quantidades anormalmente altas de estresse, como a experiência de um evento traumático, também aumentam a suscetibilidade do indivíduo a essa condição.

Leia sobre "Cárie dental", "Higiene dental infantil" e "Gengivite".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários