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O perigo dos remédios para emagrecer

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O que é o poderoso desejo de emagrecer?

As pessoas obesas costumam demonstrar um poderoso desejo de perder peso, seja por motivos estéticos, seja por questões de saúde1 ou simplesmente para se sentirem mais confortáveis. Idênticas preocupações envolvem também algumas pessoas de peso normal que são preocupadas em manter seu peso dentro do ideal, muitas vezes desenvolvendo uma verdadeira “fobia” de ganhar peso.

A maioria das pessoas procura conseguir isso por meio de uma alimentação adequada, de dietas restritivas e/ou exercícios físicos. Mas há também aquelas pessoas que na ânsia de emagrecer rapidamente apelam para o uso de medicações. Algumas delas são drogas legais, aprovadas pela ANVISA; outras são usadas ilegalmente.

Aproveitando-se dessa ânsia das pessoas, os fabricantes desses produtos usualmente fazem promessas extravagantes sobre as propriedades de seus medicamentos, a maioria das quais não é apoiada por pesquisas clínicas sérias e, assim, podem conter perigos ocultos para a saúde1. Quando uma pessoa precisa usar medicamentos para perder peso por motivos clínicos legítimos, ela deve fazer isso sob a supervisão de um médico, para livrar-se desses perigos.

A aflição por perder peso pode afetar tanto pessoas sem patologias como aquelas com distúrbios alimentares, como a anorexia2 mental ou bulimia3, ou pode dever-se a motivos profissionais, como no caso das modelos, por exemplo. Muitas vezes começadas por razões objetivas, as tentativas de perder peso acabam fugindo ao controle racional das pessoas e se tornam verdadeiramente compulsivas.

Veja também "Obesidade4", "Alimentação saudável", "Dietas para emagrecer", "Atividade física", "Anorexia2" e "Bulimia3".

Quais são os principais medicamentos usados para perda de peso e quais são os seus efeitos?

De um modo geral, os medicamentos aconselhados para emagrecer têm efeitos colaterais5 desagradáveis ou mesmo que causam danos à saúde1. Esses efeitos colaterais5 dependem do organismo de quem usa e do tempo de uso. Outra importante desvantagem do uso de medicações para emagrecer é que algumas delas podem causar dependência. A síndrome6 de abstinência, por exemplo, chega a atingir 87% dos usuários de anfetaminas.

Algumas das principais drogas reconhecidas pela Medicina como inibidoras do apetite e que, secundariamente, podem levar à perda de peso, são:

1. Anfetaminas

As anfetaminas, na verdade, são um grupo de várias substâncias sintéticas, umas legais, outras não, todas capazes de causar tolerância e dependência. Por isso, no emprego médico, quando for o caso, só devem ser indicadas para uso a curto prazo.

Além de inibir o apetite, elas geram outros efeitos no organismo, como excitação, estado de alerta, euforia, alucinações7, delírios, depressão de rebote, após cessar o efeito da droga, insônia e sensação de bem-estar, dentre muitos outros. E podem, inclusive, desencadear um surto psicótico em pessoas predispostas. Além de afetarem o cérebro8, elas afetam também outros órgãos como rins9, intestino e coração10.

2. Fentermina

A fentermina é um dos derivados da anfetamina usado principalmente como supressor11 do apetite. Seus efeitos colaterais5 são mais ou menos os mesmos de todos os derivados da anfetamina. Ela só deve ser prescrita para pessoas que têm risco médico alto devido ao peso e não para emagrecimento estético.

Ela não deve ser tomada durante a gravidez12, devido ao risco de anormalidades no feto13, e deve ser evitada se a pessoa tiver de conduzir veículos automotores. Também não deve ser usada juntamente com medicamentos similares, com um inibidor da monoamina oxidase (IMAO14).

A fentermina pode alterar os níveis de açúcar15 no sangue16. Por isso, os pacientes diabéticos podem notar uma mudança nos testes de glicemia17 no sangue16 ou na urina18. Como um derivado da anfetamina, a fentermina pode criar habituação.

3. Dietilpropiona

A dietilpropiona é um fármaco19 anorexígeno20, auxiliar no tratamento da obesidade4. Possui atividade similar, mas de menor potência estimulante que a anfetamina. Seu mecanismo de ação é também uma inibição do apetite e consequente diminuição da ingesta calórica. Trata-se de uma amina simpaticomimética.

A dietilpropiona não deve ser tomada ou ser tomada com muito cuidado em pacientes com arteriosclerose21, hipertensão22, hipersensibilidade a aminas simpatomiméticas, uso de medicamentos antidepressivos, doenças cardiovasculares23, histórico de uso de drogas e uso de algum outro tipo de medicamento.

4. Sibutramina

A sibutramina é um fármaco19 utilizado no tratamento da obesidade4, com mecanismo de ação diferente das anfetaminas. Ela aumenta rapidamente a sensação de saciedade, evitando que sejam ingeridos alimentos em excesso e, assim, facilita a perda de peso. Com o uso da substância foram observados os seguintes efeitos adversos: aumento da pressão arterial24, taquicardia25, palpitações26, vasodilatação, constipação27 intestinal, xerostomia28, dor de cabeça29, insônia, parestesias30 (distúrbios da sensibilidade), dores lombares, náusea31, dispepsia32, sudorese33, alterações do paladar34, dismenorreia35, alterações visuais do tipo moscas volantes.

A sibutramina não deve ser tomada por pessoas com história de diabetes mellitus36 tipo 2, com doenças cardíacas, distúrbios alimentares, que usam cigarro com frequência e juntamente com outros medicamentos como descongestionantes nasais, antidepressivos, antitussígenos ou supressores do apetite. A sibutramina também é contraindicada para crianças, adolescentes, idosos com mais de 65 anos, mulheres grávidas ou que estão tentando engravidar e durante a amamentação37.

5. Orlistat (Xenical)

O orlistat (Xenical) é um medicamento que combate o sobrepeso38 e a obesidade4 agindo diretamente no intestino, pois limita a absorção de gordura39 em até 30%. O Xenical causa menos efeitos colaterais5 e não causa dependência química, porém causa problemas gastrointestinais em 91% dos casos e renais em mais de 33% das pessoas que o utilizam.

Leia sobre "Usos e abusos dos anorexígenos40", "Dicas para emagrecer e perder barriga", "O que são calorias41" e "Gordura abdominal42" e "Cálculo43 do IMC44".

 

ABCMED, 2019. O perigo dos remédios para emagrecer. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/obesidade/1340853/o+perigo+dos+remedios+para+emagrecer.htm>. Acesso em: 16 jul. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Anorexia: Perda do apetite ou do desejo de ingerir alimentos.
3 Bulimia: Ingestão compulsiva de alimentos, em geral seguida de indução do vômito ou uso abusivo de laxantes. Trata-se de uma doença psiquiátrica, que faz parte dos chamados Transtornos Alimentares, juntamente com a Anorexia Nervosa, à qual pode estar associada.
4 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
5 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
6 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
7 Alucinações: Perturbações mentais que se caracterizam pelo aparecimento de sensações (visuais, auditivas, etc.) atribuídas a causas objetivas que, na realidade, inexistem; sensações sem objeto. Impressões ou noções falsas, sem fundamento na realidade; devaneios, delírios, enganos, ilusões.
8 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
9 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
10 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
11 Supressor: 1. Que ou o que suprime. 2. Em genética, é o gene que torna o fenótipo idêntico àquele determinado pelo alelo não mutante (diz-se de mutação).
12 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
13 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
14 IMAO: Tipo de antidepressivo que inibe a enzima monoaminoxidase (ou MAO), hoje usado geralmente como droga de terceira linha para a depressão devido às restrições dietéticas e ao uso de certos medicamentos que seu uso impõe. Deve ser considerada droga de primeira escolha no tratamento da depressão atípica (com sensibilidade à rejeição) ou agente útil no distúrbio do pânico e na depressão refratária. Pode causar hipotensão ortostática e efeitos simpaticomiméticos tais como taquicardia, suores e tremores. Náusea, insônia (associada à intensa sonolência à tarde) e disfunção sexual são comuns. Os efeitos sobre o sistema nervoso central incluem agitação e psicoses tóxicas. O término da terapia com inibidores da MAO pode estar associado à ansiedade, agitação, desaceleração cognitiva e dor de cabeça, por isso sua retirada deve ser muito gradual e orientada por um médico psiquiatra.
15 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
16 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
17 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
18 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
19 Fármaco: Qualquer produto ou preparado farmacêutico; medicamento.
20 Anorexígeno: Que ou o que provoca anorexia (diz-se de substância ou droga), ou seja, que ou o que produz falta ou perda de apetite.
21 Arteriosclerose: Doença degenerativa da artéria devido à destruição das fibras musculares lisas e das fibras elásticas que a constituem, levando a um endurecimento da parede arterial, geralmente produzido por hipertensão arterial de longa duração ou pelo envelhecimento.
22 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
23 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
24 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
25 Taquicardia: Aumento da frequência cardíaca. Pode ser devido a causas fisiológicas (durante o exercício físico ou gravidez) ou por diversas doenças como sepse, hipertireoidismo e anemia. Pode ser assintomática ou provocar palpitações.
26 Palpitações: Designa a sensação de consciência do batimento do coração, que habitualmente não se sente. As palpitações são detectadas usualmente após um exercício violento, em situações de tensão ou depois de um grande susto, quando o coração bate com mais força e/ou mais rapidez que o normal.
27 Constipação: Retardo ou dificuldade nas defecações, suficiente para causar desconforto significativo para a pessoa. Pode significar que as fezes são duras, difíceis de serem expelidas ou infreqüentes (evacuações inferiores a três vezes por semana), ou ainda a sensação de esvaziamento retal incompleto, após as defecações.
28 Xerostomia: Ressecamento da boca provocado em geral pela secreção insuficiente de saliva pelas glândulas salivares. É ocasionado como efeito colateral de algumas drogas (anticolinérgicos) ou por diversos transtornos locais ou gerais.
29 Cabeça:
30 Parestesias: São sensações cutâneas subjetivas (ex.: frio, calor, formigamento, pressão, etc.) que são vivenciadas espontaneamente na ausência de estimulação.
31 Náusea: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc.
32 Dispepsia: Dor ou mal-estar localizado no abdome superior. O mal-estar pode caracterizar-se por saciedade precoce, sensação de plenitude, distensão ou náuseas. A dispepsia pode ser intermitente ou contínua, podendo estar relacionada com os alimentos.
33 Sudorese: Suor excessivo
34 Paladar: Paladar ou sabor. Em fisiologia, é a função sensorial que permite a percepção dos sabores pela língua e sua transmissão, através do nervo gustativo ao cérebro, onde são recebidos e analisados.
35 Dismenorréia: Dor associada à menstruação. Em uma porcentagem importante de mulheres é um sintoma normal. Em alguns casos está associada a doenças ginecológicas (endometriose, etc.).
36 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
37 Amamentação: Ato da nutriz dar o peito e o lactente mamá-lo diretamente. É um fenômeno psico-sócio-cultural. Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar... A amamentação é uma forma de aleitamento, mas há outras formas.
38 Sobrepeso: Peso acima do normal, índice de massa corporal entre 25 e 29,9.
39 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
40 Anorexígenos: Que ou o que provoca anorexia (diz-se de substância ou droga), ou seja, que ou o que produz falta ou perda de apetite.
41 Calorias: Dizemos que um alimento tem “x“ calorias, para nos referirmos à quantidade de energia que ele pode fornecer ao organismo, ou seja, à energia que será utilizada para o corpo realizar suas funções de respiração, digestão, prática de atividades físicas, etc.
42 Gordura Abdominal: Tecido gorduroso da região do ABDOME. Dela fazem parte as GORDURAS SUBCUTÂNEAS ABDOMINAL e a INTRA-ABDOMINAL
43 Cálculo: Formação sólida, produto da precipitação de diferentes substâncias dissolvidas nos líquidos corporais, podendo variar em sua composição segundo diferentes condições biológicas. Podem ser produzidos no sistema biliar (cálculos biliares) e nos rins (cálculos renais) e serem formados de colesterol, ácido úrico, oxalato de cálcio, pigmentos biliares, etc.
44 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
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