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Anorexia nervosa. Como é este transtorno alimentar?

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O que é anorexia nervosa1?

A anorexia nervosa1  é um distúrbio alimentar caracterizado pela preocupação exagerada com o peso corpóreo, distorção da imagem corporal e busca incessante por magreza, podendo levar à perda das forças óssea e muscular e à inanição.

Ela manifesta-se principalmente em mulheres jovens, mas a incidência2 em homens está aumentando.

O índice de mortalidade3 pode atingir 15% a 20% dos casos e geralmente a morte é pelos efeitos da desnutrição4 no organismo.

Pessoas com anorexia nervosa1, embora estando extremamente magras, têm um medo intenso de engordar, o que leva aos exageros nas estratégias para perder peso como realização de atividades físicas extenuantes, jejuns, uso abusivo de laxantes5 ou diuréticos6 e vômitos7 frequentes. Essas pessoas geralmente vêem a perda de peso como algo que ajuda a aumentar a sua confiança e auto-estima. E precisam de apoio especializado para se recuperar.

Quais são os sinais8 e sintomas9 da anorexia nervosa1?

  • Perda exagerada de peso em curto espaço de tempo, sem justificativa. Nos casos mais graves, o índice de massa corpórea chega a ser inferior a 16 kg/m².
  • Distorção da imagem corporal, julgam-se com excesso de peso mesmo estando extremamente magros.
  • Preocupação obsessiva com alimentação, peso corporal e o valor calórico dos alimentos. Recusam-se a participar das refeições familiares alegando que já comeram e estão satisfeitas.
  • Uso abusivo de diuréticos6 ou laxantes5.
  • Vômitos7 frequentes.
  • Em mulheres, interrupção do ciclo menstrual (amenorreia10) e regressão das características femininas.
  • Realização de atividades físicas intensas e exageradas.
  • Depressão, síndrome11 do pânico, comportamentos obsessivo-compulsivos, ansiedade, irritabilidade. Isolam-se progressivamente da família e dos amigos.
  • Pele12 seca e coberta por lanugem13 (pêlos parecidos com os pêlos de um bebê).

Quais são as causas da doença?

Esta condição é multicausal. Alguns fatores favorecem o seu aparecimento:

  • Predisposição genética.
  • Busca incessante pela magreza como símbolo de beleza.
  • Receber a recomendação para seguir dietas restritivas.
  • Pressão familiar, profissional e social.
  • Alterações nas concentrações de serotonina e noradrenalina14.

Quais são as complicações da anorexia nervosa1?

  • Desnutrição4.
  • Desidratação15.
  • Alterações em exames bioquímicos e hematológicos, como anemia16.
  • Redução dos batimentos cardíacos.
  • Queda da temperatura corporal para menos de 34° C.
  • Queda da pressão arterial17 (hipotensão18).
  • Perda de massas muscular e óssea.
  • Infertilidade19.
  • Comprometimento do sistema imunológico20, podendo predispor a infecções21.

Como é o tratamento?

O trabalho de uma equipe multidisciplinar é muito importante para ajudar na recuperação. Ele envolve a participação de psiquiatra, psicólogo, pediatra ou clínico geral e nutricionista22. Esta equipe deve motivar o paciente a mudar sua atitude e prevenir as perdas de peso futuras.

Os riscos à saúde23 devem ser avaliados prontamente e a internação hospitalar pode ser necessária.

A reintrodução dos alimentos deve ser gradual para evitar sobrecarga cardíaca. A recuperação do peso corporal deve ser baseada em uma reeducação alimentar, com aumento da ingestão calórica e diminuição da perda energética.

Psicoterapia individual, orientação familiar, terapia cognitivo24-comportamental podem ajudar muito neste processo.

Não existe uma medicação específica para tratar a anorexia nervosa1. Os antidepressivos podem ajudar a aliviar sintomas9 depressivos, compulsivos e ansiedade.

O acompanhamento deve ser de longo prazo para evitar recaídas.

Pontos a serem levados em consideração:

  • Alguns profissionais sofrem maior pressão para reduzirem o peso corporal, sendo consideradas profissões de risco para a anorexia nervosa1: bailarinas, jóqueis, modelos e atletas olímpicos.
  • Adolescentes, principalmente do sexo feminino, que disfarçam o emagrecimento usando roupas largas e se recusam a participar das refeições com a família devem ser observadas pelos pais.
  • Os apelos em relação ao ideal de beleza imposto pela sociedade e pelos meios de comunicação precisam ser avaliados com bom senso e espírito crítico.
  • Uma pessoa com baixo peso por anorexia25 precisa ser atendida e avaliada por uma equipe multiprofissional.
  • Orientações para a prática de dietas rigorosas podem desencadear os transtornos alimentares e devem ser evitadas.
ABCMED, 2010. Anorexia nervosa. Como é este transtorno alimentar?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/54675/anorexia-nervosa-como-e-este-transtorno-alimentar.htm>. Acesso em: 24 abr. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Anorexia nervosa: Distúrbio alimentar caracterizado por uma alteração da imagem corporal associado à anorexia.
2 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
3 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
4 Desnutrição: Estado carencial produzido por ingestão insuficiente de calorias, proteínas ou ambos. Manifesta-se por distúrbios do desenvolvimento (na infância), atrofia de tecidos músculo-esqueléticos e caquexia.
5 Laxantes: Medicamentos que tratam da constipação intestinal; purgantes, purgativos, solutivos.
6 Diuréticos: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
7 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
8 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
9 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
10 Amenorréia: É a ausência de menstruação pelo período equivalente a 3 ciclos menstruais ou 6 meses (o que ocorrer primeiro). Para períodos inferiores, utiliza-se o termo atraso menstrual.
11 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
12 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
13 Lanugem: Lanugo ou lanugem são pelos curtos, finos, macios e sem pigmentação que cobrem o corpo do feto durante a gravidez. Estes pelos, na maioria das vezes, desaparecem no sétimo ou oitavo mês de gestação. Alguns recém-nascidos ainda apresentam esses pelos finos ao nascer, que desaparecem em dias ou semanas.
14 Noradrenalina: Mediador químico do grupo das catecolaminas, liberado pelas fibras nervosas simpáticas, precursor da adrenalina na parte interna das cápsulas das glândulas suprarrenais.
15 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
16 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
17 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
18 Hipotensão: Pressão sanguínea baixa ou queda repentina na pressão sanguínea. A hipotensão pode ocorrer quando uma pessoa muda rapidamente de uma posição sentada ou deitada para a posição de pé, causando vertigem ou desmaio.
19 Infertilidade: Capacidade diminuída ou ausente de gerar uma prole. O termo não implica a completa inabilidade para ter filhos e não deve ser confundido com esterilidade. Os clínicos introduziram elementos físicos e temporais na definição. Infertilidade é, portanto, freqüentemente diagnosticada quando, após um ano de relações sexuais não protegidas, não ocorre a concepção.
20 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
21 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
22 Nutricionista: Especialista em nutricionismo, ou seja, especialista no estudo das necessidades alimentares dos seres humanos e animais, e dos problemas relativos à nutrição.
23 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
24 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
25 Anorexia: Perda do apetite ou do desejo de ingerir alimentos.
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Comentários

01/12/2013 - Comentário feito por marcia
Re: Anorexia nervosa. Como é este transtorno alimentar?
não sei o que fazer com o meu filho, ele tem 18 anos quase 1,80 de altura e pesa só 50 kg, nos sintomas da doença ele não se encaixa nos sinais e sintomas da doença, porque quando ele resolve comer devora tudo que tem na frente unica coisa que reconheço é o fato de se manter afastado da família como a maioria dos adolescentes, já levei ao medico o qual disse que ele é magro só isso, então não sei ais o que fazer ele passa o dia todo sem se alimentar, dorme o dia todo, esta apático desanimado, recusa praticar esportes ou ate mesmo sair de casa, para ele ficar na internet a noite toda é normal, tentei leva-lo ao psicologo ele se recusa, não sei o que fazer, preciso de ajuda urgente para não perder meu filho !

05/08/2011 - Comentário feito por carlos
Re: Anorexia nervosa. Como é este transtorno alimentar?
Olá, gostaria de saber, se alguém aqui conhece algum caso de anorexia nerv.atípica. (minha filha tem), este tipo, não permite que ela se alimente, este é um procedimento involuntário, pois minha filha ver-se no espelho a imagem real sempre, gosta de ter corpão, porém, sem sabermos o motivo, vomita incessantemete, e sente dores horrendas no abdomem que nem um remédio, consegue fazer desaparecer tal dor, que o psiquiatra diz ser piscológica. O fato é que todos nós sofremos muito,pois ela geme de dor quase todo o dia. e ninguém sabe explicar ou medicá-la. Ela já teve 4 crises em 3 anos. todos os exames clíncos foram feitos e nada de anormalé constatado. Gostaria muito que alguém se interessasse por tal anomalia, e conversasse comigo para que eu possa dar mais informações. obrigado

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