AbcMed

FODMAP: o que é isso?

Friday, June 16, 2023
Avalie este artigo
FODMAP: o que é isso?

O que são FODMAPs?

FODMAPs são carboidratos que podem ser mal absorvidos pelo intestino delgado e que passam para o intestino grosso, onde são fermentados pela microbiota intestinal, o que pode causar sintomas gastrointestinais em algumas pessoas.

A sigla FODMAP refere-se a Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides and Polyols (Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos e Poliois Fermentáveis). Esses carboidratos são notórios por causar problemas digestivos, como gases, dor abdominal, inchaço, constipação, distensão abdominal e diarreia, e agravarem os sintomas de pessoas que sofrem de síndrome do intestino irritável.

Vários estudos têm mostrado que a restrição de alimentos ricos em FODMAPs pode melhorar muito esses sintomas.

Quando se fala apenas em FODMAP está-se referindo a uma dieta que visa reduzir a ingestão desses carboidratos fermentáveis, mal tolerados por algumas pessoas. A dieta FODMAP foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália.

O que é a dieta FODMAP?

Quando se fala de dieta FODMAP, usualmente está-se referindo a uma dieta com baixa ingesta dos açúcares que podem causar distúrbios intestinais. A dieta FODMAP envolve a eliminação de alimentos ricos em certos carboidratos fermentáveis por um período de quatro a seis semanas, que posteriormente voltarão a ser gradativamente reintroduzidos.

Esses alimentos incluem:

  • trigo
  • cevada
  • centeio
  • cebola
  • alho
  • laticínios
  • legumes como feijão e lentilha
  • certas frutas, como maçãs, pêssegos e cerejas
  • adoçantes artificiais
  • alimentos com alto teor de poliois, como xilitol e sorbitol

No lugar deles, as refeições devem ser baseadas em alimentos com baixo teor de FODMAP, como:

  • ovos e carnes
  • certos queijos, como brie, Camembert, cheddar e feta
  • leite de amêndoas
  • grãos como arroz, quinoa e aveia
  • legumes como berinjela, batata, tomate, pepino e abobrinha
  • frutas como uvas, laranjas, morangos, mirtilos e abacaxi

Outros produtos devem ser aconselhados pelo nutricionista.

Após uma fase de eliminação total, os alimentos constantes da dieta restritiva devem ser reintroduzidos gradualmente em diferentes grupos para identificar quais FODMAPs específicos desencadeiam os sintomas da síndrome do intestino irritável em cada indivíduo. Com base nessas informações, é possível personalizar a dieta para que as pessoas possam consumir uma alimentação variada, evitando apenas aqueles que causam sintomas.

A dieta FODMAP não é uma abordagem recomendada para todas as pessoas. Ela deve ser seguida sob a supervisão de um médico ou nutricionista, para garantir que todas as necessidades nutricionais sejam atendidas, evitando deficiências nutricionais.

Veja também sobre "Diarreia por Clostridium difficile", "Benefícios dos probióticos para o organismo" e "Alimentos ricos em fibras".

Por que fazer a dieta FODMAP?

Há alimentos que têm uma alta atividade fermentável durante a digestão. Os alimentos FODMAPs puxam mais água para os intestinos que aqueles que não o são e, se não forem completamente absorvidos no intestino delgado, podem levar a uma maior produção de ácido no cólon. Esses processos favorecem o desequilíbrio das bactérias intestinais e, em consequência, causam sintomas digestivos gerais, como dor abdominal, inchaço, gases, hábitos intestinais alterados e outros desconfortos abdominais.

A dieta FODMAP deve fazer parte da terapia para pessoas com a síndrome do intestino irritável ou outros transtornos funcionais do intestino, podendo reduzir os sintomas em até 86% dos casos. Ela não é uma dieta destinada às pessoas que desejam perder peso; a pessoa pode até perder peso com ela, mas isso ocorre devido à eliminação de muitos alimentos ricos em carboidratos. Quem está abaixo do peso não deve tentá-la sem acompanhamento do médico ou do nutricionista. Para alguém com um peso já muito baixo, perder mais peso pode ser perigoso.

Com a restrição da ingestão dos alimentos indicados, ocorre naturalmente a redução das bactérias que os fermentam, ocasionando uma melhoria do microbioma intestinal e dos sintomas. A dieta FODMAP é um meio de driblar esses alimentos, evitando consumi-los. Como os alimentos FODMAPs são também fontes de nutrientes importantes, a restrição alimentar total desses carboidratos deve ser uma estratégia apenas temporária e não uma orientação alimentar permanente. A retomada permite ver como o organismo reage a cada alimento.

Como executar a dieta FODMAP?

A dieta FODMAP pode ser executada em três etapas:

  • Etapa I: são retirados da dieta, por um período de 4 a 6 semanas, todos os alimentos que contêm FODMAPs.
  • Etapa II: gradualmente é feita a reintrodução dos alimentos com FODMAPs, por grupos específicos e em baixa quantidade, durante 6 a 8 semanas, para verificar a tolerância ou intolerância de cada um deles.
  • Etapa III: redução permanente dos alimentos que contêm FODMAPs que desencadeiam efeitos adversos.

Os oligossacarídeos incluem trigo, centeio, muitas frutas, legumes e leguminosas. Entre os dissacarídeos, a lactose é o principal. Os monossacarídeos têm na frutose seu principal representante e os poliois são encontrados principalmente entre as frutas e os legumes.

A lista de alimentos que contêm FODMAPs é muito grande e inclui, entre outros, maçã, melancia, pêssego, cereja, abacate, alcachofra, quiabo, alho, cebola, repolho, aspargo, feijão, ervilha, iogurte, leite, certos queijos, cuscuz, farinhas, cevada, soja, trigo, espessantes e estabilizantes, sucos de frutas, cervejas, refrigerantes e alguns prebióticos.

Quais são os riscos possíveis com a dieta FODMAP?

A dieta FODMAP só deve ser mantida por um período curto, para ajudar a entender quais alimentos realmente estão fazendo mal ao organismo, e também como forma de restituir a saúde intestinal, pois há estudos que sugerem que uma dieta FODMAP rigorosa de longo prazo pode afetar negativamente o microbioma intestinal.

Leia sobre "Metabolismo", "Bactérias do bem - o que elas têm a oferecer" e "Probióticos e Prebióticos".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Prefeitura Municipal de Campinas e da Johns Hopkins Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários