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Constipação intestinal em adultos: como ela é? O que devo fazer?

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O que é a constipação1 intestinal em adultos?

A constipação1 ou obstipação2 intestinal, popularmente chamada “prisão de ventre”, é uma situação em que o paciente evacua com pouca frequência (uma vez a cada três ou quatro dias ou mais) e sob grande esforço, fezes excessivamente duras e pequenas. Essa “prisão de ventre” é apenas um sintoma3 e não uma doença em si mesma e ocorre em virtude de outras doenças ou da diminuição do conteúdo de líquido nas fezes.

Quais são as causas da constipação1 intestinal em adultos?

As causas da constipação1 intestinal em adultos podem ser alterações estruturais ou funcionais e cada uma delas pode ser aguda ou crônica. As alterações estruturais são detectáveis pelos métodos de investigação por imagens, como radiografias, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, endoscopias, microscopias, etc. As alterações funcionais são representadas por modificações nos movimentos intestinais que conduzem o alimento através do intestino e podem ser percebidas usualmente ao exame clínico. Na maioria das vezes, são de curta duração e ocasionadas por mudança alimentar, pós-operatórios, falta de exercícios, gravidez4, obesidade5, quadros febris, medicações, etc. Algumas alterações funcionais crônicas são ditas idiopáticas, porque não se consegue determinar a causa delas e correspondem àquilo que o leigo costuma chamar de “intestino preguiçoso”.

A constipação1 intestinal em adultos é ajudada por uma alimentação pobre em fibras, baixa ingestão de líquidos, hábitos sedentários, certas doenças (hipotireoidismo6, diabetes7, insuficiência renal8 crônica, etc.), medicamentos (antidepressivos, opiáceos, alguns anti-hipertensivos, etc.), patologias neurológicas ou musculares e situações psiquiátricas como depressões e demências.

Há pessoas que se queixam de constipação1 intestinal apenas quando se encontram em ambientes estranhos ou quando alteram sua rotina e alegam que ele se normaliza quando retornam às suas atividades normais.

Quais são os principais sinais9 e sintomas10 da constipação1 intestinal em adultos?

O que uma pessoa com constipação1 intestinal sente varia muito de um indivíduo para outro e num mesmo indivíduo, ao longo do tempo. As pessoas podem se queixar de passar dias sem esvaziar os intestinos11, dificuldades ou lentificação para evacuar, às vezes desde a infância, dores abdominais ao evacuar, sensação de evacuação insatisfatória, necessidade de ajuda manual para extrair as fezes, eventuais sangramentos ao evacuar ou proceder à higiene, em razão do rompimento de pequenos vasos sanguíneos12, desconforto abdominal, eliminação de muco e/ou sangue13, etc. Além disso, as pessoas se queixam de inquietude, indisposição, dor de cabeça14 e alterações do humor, entre outras alterações comportamentais.

Como o médico diagnostica a constipação1 intestinal em adultos?

 Quando um paciente queixa-se de constipação1 intestinal, o passo inicial deve ser o levantamento da história do paciente, seguido de um exame clínico minucioso, para que o médico possa determinar as causas desse sintoma3. É importante conhecer o hábito evacuatório do paciente ao longo do tempo, bem como as características das fezes passadas e atuais e se há ou não a presença de muco, sangue13 ou pus15.

O toque retal e a retoscopia são exames mandatórios. As investigações devem prosseguir com exames de sangue13, que também podem ser úteis para o controle da evolução do tratamento. As radiografias contrastadas do intestino são muito úteis, mas podem ser substituídas com vantagens pela colonoscopia16, sempre que ela esteja disponível. Um estudo da motilidade intestinal pode ser realizado por meios próprios (exame radiológico intervalado, manometria anorretal, eletromiografia17, etc.).

Como o médico trata a constipação1 intestinal em adultos?

Como medida mais radical, deve-se procurar tratar ou corrigir as enfermidades causais da constipação1 intestinal. Algumas medidas adicionais podem ser adotadas: diminuir a dose ou alterar o tipo de medicamento que possa estar causando o problema, aumentar a ingestão de fibras, ingerir alimentos com propriedades laxativas, usar laxativos18 orientados pelo médico, etc. Os supositórios e lavagens intestinais têm indicações precisas e só devem ser usados sob orientação médica. Meios cirúrgicos podem ser usados em casos de lesões19 obstrutivas ou de lesões19 anais dolorosas.

Um caso especial de dificuldade de evacuar é o fecaloma (acúmulo de fezes endurecidas e secas no reto20), que pode ocorrer em pacientes idosos, psiquiátricos ou neurológicos. A solução demanda o uso de lavagens intestinais e supositórios, mas pode exigir uma descompactação manual das fezes, sob sedação21 ligeira. 

Como prevenir a constipação1 intestinal em adultos?

Alguns conselhos são importantes para evitar a constipação1 intestinal:

  • Procure evacuar com regularidade, em horários pré-estabelecidos, mesmo que não esteja com “vontade”. É importante criar este hábito.
  • Acrescente à sua dieta a ingestão regular de alimentos contendo fibras como cereais integrais, pão integral, arroz integral, macarrão integral, legumes, verduras, frutas e sementes de linhaça.
  • Aumente a ingestão de líquidos diários para pelo menos seis a oito copos de água por dia, além de sucos naturais.
  • Procure tratar as enfermidades causais subjacentes.

Quais são as complicações possíveis da constipação1 intestinal em adultos?

A constipação1 intestinal pode levar a complicações como diverticulose22, hemorroidas23, fissuras24 anais e mesmo câncer25 do intestino

ABCMED, 2014. Constipação intestinal em adultos: como ela é? O que devo fazer?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/542842/constipacao-intestinal-em-adultos-como-ela-e-o-que-devo-fazer.htm>. Acesso em: 12 dez. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Constipação: Retardo ou dificuldade nas defecações, suficiente para causar desconforto significativo para a pessoa. Pode significar que as fezes são duras, difíceis de serem expelidas ou infreqüentes (evacuações inferiores a três vezes por semana), ou ainda a sensação de esvaziamento retal incompleto, após as defecações.
2 Obstipação: Prisão de ventre ou constipação rebelde.
3 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
4 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
5 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
6 Hipotireoidismo: Distúrbio caracterizado por uma diminuição da atividade ou concentração dos hormônios tireoidianos. Manifesta-se por engrossamento da voz, aumento de peso, diminuição da atividade, depressão.
7 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
8 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
9 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
10 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
11 Intestinos: Seção do canal alimentar que vai do ESTÔMAGO até o CANAL ANAL. Inclui o INTESTINO GROSSO e o INTESTINO DELGADO.
12 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
13 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
14 Cabeça:
15 Pus: Secreção amarelada, freqüentemente mal cheirosa, produzida como conseqüência de uma infecção bacteriana e formada por leucócitos em processo de degeneração, plasma, bactérias, proteínas, etc.
16 Colonoscopia: Estudo endoscópico do intestino grosso, no qual o colonoscópio é introduzido pelo ânus. A colonoscopia permite o estudo de todo o intestino grosso e porção distal do intestino delgado. É um exame realizado na investigação de sangramentos retais, pesquisa de diarreias, alterações do hábito intestinal, dores abdominais e na detecção e remoção de neoplasias.
17 Eletromiografia: Técnica voltada para o estudo da função muscular através da pesquisa do sinal elétrico que o músculo emana, abrangendo a detecção, a análise e seu uso.
18 Laxativos: Mesmo que laxantes. Que laxa, afrouxa, dilata. Medicamentos que tratam da constipação intestinal; purgantes, purgativos, solutivos.
19 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
20 Reto: Segmento distal do INTESTINO GROSSO, entre o COLO SIGMÓIDE e o CANAL ANAL.
21 Sedação: 1. Ato ou efeito de sedar. 2. Aplicação de sedativo visando aliviar sensação física, por exemplo, de dor. 3. Diminuição de irritabilidade, de nervosismo, como efeito de sedativo. 4. Moderação de hiperatividade orgânica.
22 Diverticulose: Presença de pequenas bolsas que se projetam para fora da parede intestinal, chamadas divertículos. São mais comuns em pessoas idosas, geralmente são assintomáticos e a maioria localiza-se no cólon sigmóide (parte final do intestino grosso). Os divertículos podem sangrar ou infeccionar.
23 Hemorróidas: Dilatações anormais das veias superficiais que se encontram na última porção do intestino grosso, reto e região perianal. Pode produzir sangramento junto com a defecação e dor.
24 Fissuras: 1. Pequena abertura longitudinal em; fenda, rachadura, sulco. 2. Em geologia, é qualquer fratura ou fenda pouco alargada em terreno, rocha ou mesmo mineral. 3. Na medicina, é qualquer ulceração alongada e superficial. Também pode significar uma fenda profunda, sulco ou abertura nos ossos; cesura, cissura. 4. Rachadura na pele calosa das mãos ou dos pés, geralmente de pessoas que executam trabalhos rudes. 5. Na odontologia, é uma falha no esmalte de um dente. 6. No uso informal, significa apego extremo; forte inclinação; loucura, paixão, fissuração.
25 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
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