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Gravidez gemelar - como ela é? Quais são as peculiaridades? Como se dá o parto de gêmeos?

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O que é gravidez1 gemelar?

Gravidez1 gemelar é aquela em que a mulher gesta, ao mesmo tempo, dois ou mais fetos, que darão origem a dois ou mais bebês2, então chamados de “gêmeos”. Os que derivam de um mesmo embrião são ditos gêmeos idênticos, monozigóticos ou univitelinos.

São conhecidos casos (raríssimos) de mulheres que gestaram até 6 embriões ao mesmo tempo. Como os embriões competem no útero3 por melhor posição e nutrição4, nem todos se desenvolvem da mesma forma e costumam nascer com grandes diferenças de peso, o que faz com que tenham diferentes chances de sobrevivência5.

Quais são as causas da gravidez1 gemelar?

A gravidez1 gemelar pode resultar da bipartição de um óvulo fecundado6 por um único espermatozoide7 (embrião), o que dá origem a gêmeos chamados idênticos, ou da fecundação8 de dois ou mais óvulos por dois ou mais espermatozoides9 diferentes. Os gêmeos monozigóticos têm uma carga genética exatamente igual e são fisionomicamente idênticos e os outros têm uma carga genética que se assemelham entre si, como aquelas de dois irmãos nascidos em momentos diferentes. Desse ponto de vista, é como se duas gravidezes ocorressem ao mesmo tempo e como se os gêmeos não fossem senão irmãos.

Não se sabe bem porque a gemelaridade ocorre, mas é fato de que ela tem uma tendência maior a acontecer em famílias que já tenham gêmeos. Se há um ou mais casos de gêmeos na família, há grandes possibilidades de uma gravidez1 gemelar, mas a mulher pode ter gravidez1 múltipla mesmo que não tenha casos de gêmeos na família.

Dentre outros, os fatores que favorecem a formação de gêmeos são a idade avançada da mãe, a gravidez1 que ocorre depois da mulher tomar pílula anticoncepcional por muito tempo e a estatura mais alta da mulher. Estima-se que em cada 1000 nascimentos, 22 partos são de gêmeos, dos quais 4 são univitelinos.

O aumento atual do número de partos gemelares deve-se ao maior sucesso das fertilizações in vitro, porque nelas costuma-se usar mais de um embrião, aumentando a probabilidade de gravidez1 múltipla.

Saiba mais sobre "Pílulas anticoncepcionais", "Fertilização10 in vitro" e "Menstruação11 durante a gravidez1".

Como transcorre a gravidez1 gemelar?

Em termos gerais, a gravidez1 gemelar transcorre como uma gravidez1 comum, observados apenas alguns detalhes que a circunstância exige. De qualquer maneira, os cuidados devem ser redobrados quando a mulher descobre a gravidez1 de gêmeos. Os gêmeos univitelinos dividem entre si uma mesma placenta, sempre são do mesmo tipo sanguíneo e do mesmo sexo. Os gêmeos não univitelinos são gerados em placentas diferentes e podem ser de tipos sanguíneos e sexos diferentes.

Pelo menos no princípio, a aparência da mulher costuma ser a mesma da gravidez1 de um só feto12 e as pessoas que não sabem do fato não são capazes de advinhá-lo. Um bom pré-natal e um monitoramento frequente são essenciais para que a mulher tenha uma gravidez1 tranquila, já que algumas ocorrências e sintomas13 costumam ser mais acentuados nas gravidezes gemelares que nas gestações de feto12 único.

O diabetes gestacional14 e a pré-eclâmpsia15 são dois exemplos disso. Os edemas16, as cãibras, os enjoos, o edema17, as dificuldades para dormir e a fome devoradora também são mais frequentes. Embora a gestação gemelar possa transcorrer normalmente, ela causa bastante desconforto para a mãe e por isso deve ser acompanhada de perto por um obstetra.

Leia sobre "Pré-natal", "Diabetes gestacional14" e "Eclâmpsia18 e pré-eclâmpsia15".

Peculiaridades da gravidez1 gemelar

Os níveis muito altos do hormônio19 beta-gonadotrofina coriônica (HCG), comuns na gravidez1 gemelar, são responsáveis pela intensidade dos enjoos, mal-estar e sonolência próprios dessa fase. Esses sintomas13 são tanto mais intensos quanto maior for a produção desses hormônios.

Nas gravidezes gemelares o ganho de peso varia de 10 a 18 quilos, no lugar dos 7 a 12 quilos de uma gestação comum. Os desconfortos físicos do último trimestre aumentam muito por causa da sobrecarga dos sistemas respiratório e circulatório e aparecem as estrias. A mulher que esteja gestando gêmeos precisa fazer mais ultrassonografias, exames de sangue20 e de urina21 do que uma gestante comum. Também a dopplerfluxometria deve acompanhar o fluxo sanguíneo dos bebês2 e certificar se o crescimento de cada feto12 está adequado.

Como se dá o parto de gêmeos?

Os gêmeos podem nascer de parto normal, um após outro, desde que a mãe esteja sadia e os bebês2 estejam na posição correta ou, então, por meio de cesariana, quando for necessário. O parto cesáreo costuma ser mais frequente nos partos múltiplos. Em geral, os bebês2 ficam algum tempo na incubadora, dependendo da prematuridade e do peso com que nascem, mas isso não é uma regra absoluta, nem igual para todos.

Veja mais sobre "Ultrassonografia22 na gravidez1", "Cesárea", "Parto vaginal", "Trabalho de parto" e "Prematuridade".

Como o médico diagnostica a gravidez1 gemelar?

Uma dosagem muito alta do hormônio19 beta-gonadotrofina coriônica (HCG) no sangue20, aquele que prepara o útero3 para o crescimento do feto12 no início da gestação, aponta para a possibilidade de gravidez1 gemelar. A ausculta23 do abdômen pode detectar a presença de dois ou mais focos de batimentos cardíacos, mas a confirmação, contudo, só vem com o primeiro ultrassom, que mostra a presença inequívoca de dois ou mais corações.

Como evolui a gravidez1 gemelar?

A duração esperada da gravidez1 gemelar é também de 40 semanas, embora seja comum que o parto se adiante um pouco, para 36 ou 37 semanas. Quanto maior o número de gêmeos, menos costuma durar a gestação. Quadrigêmeos costumam nascer entre a 28ª e 32ª semanas.Os fetos nascidos antes da 24ª semana de gestação em geral são inviáveis.

Quais são as complicações possíveis da gravidez1 gemelar?

Em geral, 50-60% dos partos gemelares são prematuros e impõem riscos especiais à mãe e aos recém-nascidos, que na maioria das vezes são de baixo peso. Além disso, diabetes24, pressão alta, anemia25 e depressão pós-parto são mais frequentes nas gestantes de gêmeos que nas gestantes de feto12 único.

Leia também sobre "Depressão pós-parto", "Psicose26 pós-parto", "Hemorragia27 pós-parto", "Parto na água" e "Parto de cócoras".

 

ABCMED, 2019. Gravidez gemelar - como ela é? Quais são as peculiaridades? Como se dá o parto de gêmeos?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/gravidez/1334723/gravidez-gemelar-como-ela-e-quais-sao-as-peculiaridades-como-se-da-o-parto-de-gemeos.htm>. Acesso em: 23 mai. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
2 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
3 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
4 Nutrição: Incorporação de vitaminas, minerais, proteínas, lipídios, carboidratos, oligoelementos, etc. indispensáveis para o desenvolvimento e manutenção de um indivíduo normal.
5 Sobrevivência: 1. Ato ou efeito de sobreviver, de continuar a viver ou a existir. 2. Característica, condição ou virtude daquele ou daquilo que subsiste a um outro. Condição ou qualidade de quem ainda vive após a morte de outra pessoa. 3. Sequência ininterrupta de algo; o que subsiste de (alguma coisa remota no tempo); continuidade, persistência, duração.
6 Óvulo Fecundado: ÓVULO fecundado, resultante da fusão entre um gameta feminino e um masculino.
7 Espermatozóide: Célula reprodutiva masculina.
8 Fecundação: 1. Junção de gametas que resulta na formação de um zigoto; anfigamia, fertilização. 2. Ato ou efeito de fecundar (-se).
9 Espermatozóides: Células reprodutivas masculinas.
10 Fertilização: Contato entre espermatozóide e ovo, determinando sua união.
11 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
12 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
13 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
14 Diabetes gestacional: Tipo de diabetes melito que se desenvolve durante a gravidez e habitualmente desaparece após o parto, mas aumenta o risco da mãe desenvolver diabetes no futuro. O diabetes gestacional é controlado com planejamento das refeições, atividade física e, em alguns casos, com o uso de insulina.
15 Pré-eclâmpsia: É caracterizada por hipertensão, edema (retenção de líquidos) e proteinúria (presença de proteína na urina). Manifesta-se na segunda metade da gravidez (após a 20a semana de gestação) e pode evoluir para convulsão e coma, mas essas condições melhoram com a saída do feto e da placenta. No meio médico, o termo usado é Moléstia Hipertensiva Específica da Gravidez. É a principal causa de morte materna no Brasil atualmente.
16 Edemas: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
17 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
18 Eclâmpsia: Ocorre quando a mulher com pré-eclâmpsia grave apresenta covulsão ou entra em coma. As convulsões ocorrem porque a pressão sobe muito e, em decorrência disso, diminui o fluxo de sangue que vai para o cérebro.
19 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
20 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
21 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
22 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
23 Ausculta: Ato de escutar os ruídos internos do organismo, para controlar o funcionamento de um órgão ou perceber uma anomalia; auscultação.
24 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
25 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
26 Psicose: Grupo de doenças psiquiátricas caracterizadas pela incapacidade de avaliar corretamente a realidade. A pessoa psicótica reestrutura sua concepção de realidade em torno de uma idéia delirante, sem ter consciência de sua doença.
27 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
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