AbcMed

Febre de origem desconhecida

quinta-feira, 28 de abril de 2022
Avalie este artigo
Febre de origem desconhecida

O que é febre de origem desconhecida?

A febre de origem desconhecida é aquela que não resulta de doença identificada, transitória e autolimitada, doença rapidamente fatal ou distúrbios com sintomas ou sinais localizados bem definidos ou com anormalidades nos exames comuns, como radiografia de tórax, urinálise, hemoculturas e outros.

A síndrome da febre de origem desconhecida foi definida em 1961 por Petersdorf e Beeson como:

  • temperatura superior a 38,3°C em várias ocasiões;
  • duração superior a três semanas de doença;
  • falha em chegar a um diagnóstico apesar de uma investigação médica detalhada.

Nas últimas décadas, Durack e Street propuseram um sistema de classificação da febre de origem desconhecida compreendendo quatro categorias distintas:

  1. febre clássica (Petersdorf);
  2. febre associada à assistência à saúde, em pacientes hospitalizados;
  3. febre em pacientes com neutropenia e outras imunodeficiências;
  4. febre relacionada ao HIV.

Quais são as causas da febre de origem desconhecida?

As causas da febre não identificadas são divididas em quatro categorias:

  • Infecções (25 a 50%)
  • Distúrbios do tecido conjuntivo (10 a 20%)
  • Neoplasias (5 a 35%)
  • Diversos (15 a 25%)

As infecções são a causa mais comum de febre de origem desconhecida. Geralmente ocorrem em infecções oportunistas (tuberculose, infecção por micobactérias atípicas, fungos disseminados ou citomegalovírus, etc.) em pacientes com infecção por HIV.

Os distúrbios mais comuns do tecido conjuntivo incluem lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, arterite de células gigantes, vasculite e artrite reumatoide juvenil.

As causas neoplásicas mais comuns são os diversos tipos de câncer.

Entre as causas diversas incluem-se reações medicamentosas, trombose venosa profunda, embolia pulmonar recorrente, sarcoidose, doença inflamatória intestinal e febre factícia (obtida artificialmente).

Em cerca de 10% dos adultos não é possível identificar a causa da febre.

Veja mais sobre "Infecções oportunistas", "Citomegalovírus" e "Mononucleose infecciosa".

Como esclarecer a etiologia da febre de origem desconhecida?

Em casos intrigantes, como a febre de origem desconhecida, é absolutamente necessário obter do paciente uma história exaustiva e minuciosa do seu mal. E o médico deve levar o paciente a repetir seu histórico, mesmo que já tenha feito um relato inicial. Mesmo quando a avaliação inicial tenha sido informada de maneira aparentemente completa a outro médico, os pacientes muitas vezes se lembram de novos detalhes quando o questionamento é repetido.

A história visa descobrir sintomas focais e eventos que possam ter interesse médico, como viagens, ocupação, histórico familiar, exposição a vetores animais, histórico alimentar, etc. A história da doença atual deve abranger a duração e o padrão da febre. A dor focal pode indicar a localização (embora não a causa) do distúrbio subjacente. A avaliação dos sistemas orgânicos deve incluir sintomas inespecíficos, como perda de peso, anorexia, fadiga, sudorese noturna e dores de cabeça.

A história médica anterior deve atender a questões sobre doenças conhecidas por causar febre, como câncer, tuberculose, doenças do tecido conjuntivo, cirrose alcoólica, doença inflamatória intestinal, febre reumática e hipertireoidismo. Também devem ser levados em conta fatores que predispõem à infecção, como sistema imunológico comprometimento (distúrbios como infecção por HIV, câncer, diabetes, uso de imunossupressores, etc.), distúrbios cardíacos estruturais, anormalidades do trato urinário, operações e inserção de dispositivos no corpo.

Também devem ser incluídas perguntas sobre medicamentos específicos conhecidos por causar febre. A história social deve incluir perguntas sobre fatores de risco para infecção, como uso de drogas injetáveis, práticas sexuais de alto risco, exposição a animais vetores, tabagismo, uso de álcool e exposição ocupacional a produtos químicos. A história familiar deve incluir perguntas sobre as causas hereditárias da febre (por exemplo, febre familiar do Mediterrâneo).

A pesquisa deve ser completada com um exame físico. A pele deve ser cuidadosamente inspecionada, incluindo o períneo e os pés, principalmente em diabéticos, que são propensos a infecções nessas áreas, e qualquer achado deve ser avaliado dentro do seu contexto próprio. Todo o corpo deve ser palpado em busca de áreas de sensibilidade, inchaço, crescimento de órgãos ou adenomegalias, incluídos o toque retal e o exame pélvico. O coração deve ser auscultado em busca de sons anormais (sopros) e sons de atritos pericárdicos (sugerindo pericardite). Muitas vezes, as principais anormalidades físicas encontradas em pacientes com febre de origem desconhecida dão uma boa indicação sobre a causa da febre e em outras ocasiões esses sinais são tão sutis que não têm esse efeito.

Como o médico trata a febre de origem desconhecida?

Na medida do possível, deve-se evitar a antibioticoterapia empírica porque ela pode alterar a capacidade de obter culturas e estabelecer a verdadeira causa da febre. Em alguns casos, no entanto, principalmente em pacientes muito idosos, a terapia empírica pode ser aconselhável, mas o início dela não significa o final da investigação diagnóstica. Na verdade, ela requer que o médico mantenha o paciente sob avaliação contínua ainda mais cuidadosa.

Sem a terapia empírica, o tratamento é feito apenas sintomaticamente com antitérmicos até que a causa da febre seja descoberta, quando, então, ele deve ser dirigido à causa. Outros tratamentos sintomáticos, como para dor de cabeça e maior hidratação, por exemplo, podem ser praticados mesmo antes que a causa da febre seja esclarecida. Em algumas ocasiões, a febre pode desaparecer espontaneamente antes que se consiga determinar a sua causa.

Leia também sobre "Lúpus eritematoso", "Febre reumática" e "Sarcoidose".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Faculdade de Medicina da UFMG e da Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários