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Astenia

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O que é astenia1?

Astenia1 (do grego: a = privação + esthénos = vigor, força) significa ausência de força ou vigor e sensação de fadiga2 e fraqueza corporal. Uma pessoa pode experimentar fraqueza apenas em uma determinada parte do corpo, como braços ou pernas, ou senti-la no corpo inteiro. Acontece também de experimentar tremores ou contorções nas áreas de fraqueza. A fraqueza pode ser temporária, mas em alguns casos pode tornar-se crônica e continuar indefinidamente.

Quais são as causas fisiológicas3 da astenia1?

Anteriormente acreditava-se que o acúmulo de ácido lático era a causa da fadiga2 muscular. A suposição era de que esse ácido inibia a capacidade de contrair a musculatura. Atualmente, o papel do ácido láctico é controverso. É incerto se o ácido láctico reduz a fadiga2 através do aumento do cálcio intracelular ou aumenta a fadiga2 através da redução da sensibilidade das proteínas4 contráteis ao íon5 cálcio.

Existem muitas condições nas quais uma pessoa pode experimentar astenia1. A seguir, alguns exemplos:

  1. A ansiedade e/ou depressão são condições consideradas como a principal causa de fadiga2 e são responsáveis pela maioria dos casos de astenia1. Infelizmente, a maioria dos casos não é reconhecida e diagnosticada como tal.
  2. De acordo com a Organização Mundial de Saúde6, 60% a 85% das pessoas em todo o mundo não desempenham a quantidade necessária de atividade física e têm um estilo de vida sedentário. Isso aumenta a sensação de astenia1.
  3. À medida que a idade avança (envelhecimento), a capacidade das células7 e tecidos do corpo para manter a homeostase torna-se cada vez menor. Isso pode levar indivíduos mais velhos a se tornarem menos habilitados para preservar energia. Quando a pessoa está sob estresse, os sintomas8 de astenia1 são mais frequentes.
  4. As infecções9 ou doenças crônicas são outras causas de astenia1, porque os esforços corporais para combater uma infecção10 podem levar à diminuição dos níveis de energia. Infecções9 prolongadas podem levar à astenia1 devido ao seu efeito debilitante nos músculos11. Condições como diabetes12 e insônia também podem levar à fraqueza severa.
  5. A falta de vitaminas importantes pode levar a diminuições na produção de glóbulos vermelhos e à diminuição dos níveis de energia.
Saiba mais sobre "Ansiedade", "Depressão", "Atividade física", "Sedentarismo13", "Estresse" e "Insônia".

Qual é o mecanismo fisiológico14 da astenia1?

O funcionamento das células musculares15 depende de que elas detectem impulsos elétricos que as comandam a se contraírem, devido à liberação de cálcio. Uma pesquisa de cientistas da Columbia University sugere que a fadiga2 muscular é causada pelo vazamento de cálcio da célula16 muscular, tornando-o menos disponível para a célula16. Além disso, os pesquisadores daquela universidade propõem que uma enzima17 ativada por este cálcio liberado corrói as fibras musculares18.

Substratos como trifosfato de adenosina, glicogênio19, fosfato de creatina e íons20 de fosfato inorgânico permitem contrações potentes e sustentadas que duram entre 5 e 7 segundos. O glicogênio19 é a forma de armazenamento intramuscular de glicose21, usada para gerar energia rapidamente, quando os estoques de creatina intramuscular estiverem esgotados. Isso produz ácido láctico como um subproduto metabólico.

Quais são as doenças que causam astenia1?

Um número muito grande de doenças e condições clínicas podem levar à sensação de astenia1 e fraqueza. Entre elas, incluem-se a gripe22, doenças da tireoide23, anemia24, depressão, carência de sono, diabetes12 mal controlada, insuficiência cardíaca congestiva25, déficit ou overdose de vitaminas, efeitos colaterais26 de medicamentos, polimiosite, câncer27, quimioterapia28, acidente vascular cerebral29, doenças que afetam os nervos ou os músculos11 e overdose de medicação.

Muitas vezes a astenia1 pode também decorrer de uma infecção10 bacteriana ou viral, como gripe22 ou hepatite30. A depressão é a causa mais comum de fadiga2, representando aproximadamente metade dos casos.

Leia sobre "Anemias", "Diabetes12", "Insuficiência cardíaca31", "Polimiosite" e "Prevenção do câncer27".

Quais são as principais características clínicas da astenia1?

Os principais sintomas8 da astenia1 dependem se ela é localizada ou generalizada por todo o corpo, mas independentemente disso as pessoas sempre apresentam algum tipo de fraqueza. Quando há uma causa subjacente para a condição, deve-se também levar em conta os sintomas8 específicos dessa condição.

Se a astenia1 afeta apenas uma parte do corpo, os sintomas8 são movimentos lentos ou atrasados, tremores ou agitação, episódios de espasmos32 musculares e câimbras33 musculares. Se afeta o corpo inteiro, a pessoa se sentirá esgotada ou fatigada, pode ter febre34, sentir falta de energia, experimentar desconforto físico, ausência ou perda de força muscular e incapacidade de concluir tarefas.

Como o médico diagnostica e trata a astenia1?

A astenia1 é um sintoma35 difícil de definir, constituindo um conjunto de sensações vagas, diferentes para cada paciente. A fadiga2 representa até 10% dos casos de consultas ambulatoriais, 0,2-0,7% dos quais pertencem à síndrome36 da fadiga2 crônica. O tratamento mais eficaz para a astenia1 é resolver a causa subjacente, embora até 20% dos pacientes permaneçam sem diagnóstico37.

Veja também sobre "Síndrome36 da fadiga2 crônica", "Musculação para idosos" e "Envelhecimento saudável".

 

ABCMED, 2018. Astenia. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1319283/astenia.htm>. Acesso em: 20 jul. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Astenia: Sensação de fraqueza, sem perda real da capacidade muscular.
2 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
3 Fisiológicas: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
4 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
5 Íon: Átomo ou grupo atômico eletricamente carregado.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
7 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
8 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
9 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
11 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
12 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
13 Sedentarismo: Qualidade de quem ou do que é sedentário, ou de quem tem vida e/ou hábitos sedentários. Sedentário é aquele que se exercita pouco, que não se movimenta muito.
14 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
15 Células Musculares: Células contráteis maduras, geralmente conhecidas como miócitos, que formam um dos três tipos de músculo. Os três tipos de músculo são esquelético (FIBRAS MUSCULARES), cardíaco (MIÓCITOS CARDÍACOS) e liso (MIÓCITOS DE MÚSCULO LISO). Provêm de células musculares embrionárias (precursoras) denominadas MIOBLASTOS.
16 Célula: Unidade funcional básica de todo tecido, capaz de se duplicar (porém algumas células muito especializadas, como os neurônios, não conseguem se duplicar), trocar substâncias com o meio externo à célula, etc. Possui subestruturas (organelas) distintas como núcleo, parede celular, membrana celular, mitocôndrias, etc. que são as responsáveis pela sobrevivência da mesma.
17 Enzima: Proteína produzida pelo organismo que gera uma reação química. Por exemplo, as enzimas produzidas pelo intestino que ajudam no processo digestivo.
18 Fibras Musculares: Células grandes, multinucleadas e individuais (cilídricas ou prismáticas) que formam a unidade básica do tecido muscular esquelético. Constituídas por uma substância mole contrátil, revestida por uma bainha tubular. Derivam da união de MIOBLASTOS ESQUELÉTICOS com o sincício, seguida de diferenciação.
19 Glicogênio: Polissacarídeo formado a partir de moléculas de glicose, utilizado como reserva energética e abundante nas células hepáticas e musculares.
20 Íons: Átomos ou grupos atômicos eletricamente carregados.
21 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
22 Gripe: Doença viral adquirida através do contágio interpessoal que se caracteriza por faringite, febre, dores musculares generalizadas, náuseas, etc. Sua duração é de aproximadamente cinco a sete dias e tem uma maior incidência nos meses frios. Em geral desaparece naturalmente sem tratamento, apenas com medidas de controle geral (repouso relativo, ingestão de líquidos, etc.). Os antibióticos não funcionam na gripe e não devem ser utilizados de rotina.
23 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
24 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
25 Insuficiência Cardíaca Congestiva: É uma incapacidade do coração para efetuar as suas funções de forma adequada como conseqüência de enfermidades do próprio coração ou de outros órgãos. O músculo cardíaco vai diminuindo sua força para bombear o sangue para todo o organismo.
26 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
27 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
28 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
29 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
30 Hepatite: Inflamação do fígado, caracterizada por coloração amarela da pele e mucosas (icterícia), dor na região superior direita do abdome, cansaço generalizado, aumento do tamanho do fígado, etc. Pode ser produzida por múltiplas causas como infecções virais, toxicidade por drogas, doenças imunológicas, etc.
31 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
32 Espasmos: 1. Contrações involuntárias, não ritmadas, de um ou vários músculos, podendo ocorrer isolada ou continuamente, sendo dolorosas ou não. 2. Qualquer contração muscular anormal. 3. Sentido figurado: arrebatamento, exaltação, espanto.
33 Câimbras: Contrações involuntárias, espasmódicas e dolorosas de um ou mais músculos.
34 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
35 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
36 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
37 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
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