Gostou do artigo? Compartilhe!

Hipotonia muscular

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é hipotonia1 muscular?

A hipotonia1 muscular é um estado de baixo tônus ​​muscular e baixa resistência ao alongamento do músculo, geralmente envolvendo redução da força muscular. A hipotonia1 pode ser uma condição por si só ou pode ser devida a uma doença subjacente. Nesses casos, é uma manifestação potencial de muitas doenças e distúrbios diferentes que afetam o controle do nervo motor pelo cérebro2 ou a força muscular.

A hipotonia1 não é a mesma coisa que fraqueza muscular. A hipotonia1 é uma falta ou diminuição de resistência ao movimento passivo, enquanto a fraqueza muscular resulta em um movimento ativo prejudicado, mesmo com tônus normal.

Há dois tipos de hipotonia1: (1) a hipotonia1 central, que se origina do sistema nervoso central3 e a (2) a hipotonia1 periférica, que está relacionada a problemas na medula espinhal4, nervos periféricos e/ou músculos5 esqueléticos.

Quais são as causas da hipotonia1 muscular?

A hipotonia1 pode ser causada por uma variedade de condições, incluindo aquelas que envolvem o sistema nervoso central3, distúrbios musculares e distúrbios genéticos. Algumas causas comuns podem incluir, mas não estão limitadas a essas causas:

Qual é o substrato fisiopatológico da hipotonia1 muscular?

Acredita-se que a hipotonia1 esteja associada à interrupção da entrada aferente dos receptores de estiramento e/ou à falta da influência eferente facilitadora do cerebelo10 no sistema fusimotor do músculo, o sistema que inerva as fibras musculares11 intrafusais, controlando assim a sensibilidade do fuso muscular.

Conheça mais sobre "Paralisia8 cerebral", "Tônus muscular12", "Atrofia13 muscular", "Astenia14" e "Síndrome da cauda equina15".

Quais são as características clínicas da hipotonia1 muscular?

A hipotonia1 muscular é detectada durante a infância. Um bebê com hipotonia1 exibe uma sensação de moleza ou sensação de "boneca de pano" quando é segurado. Por isso, a hipotonia1 severa na infância é comumente conhecida como “síndrome do bebê flexível”.

O bebê pode ficar para trás na aquisição de certos marcos de desenvolvimento motor que permitem a ele manter a cabeça16 erguida quando colocado de bruços, equilibrar-se ou sentar-se e permanecer sentado sem cair. Há também uma tendência à ocorrência de luxações de quadril, mandíbula17 e pescoço18.

Algumas crianças com hipotonia1 podem ter problemas para se alimentar, se não conseguirem sugar ou mastigar por longos períodos. Uma criança com hipotonia1 também pode ter problemas de fala ou apresentar respiração superficial.

Como o médico diagnostica a hipotonia1 muscular?

O reconhecimento da hipotonia1, mesmo na primeira infância, é relativamente simples, mas o diagnóstico19 da causa subjacente pode ser difícil e malsucedido. No exame físico, observa-se uma resistência diminuída ao movimento passivo e os músculos5 podem ficar anormalmente moles e flácidos à palpação20. Também podem ser observados reflexos tendinosos profundos diminuídos.

A hipotonia1 é uma condição que pode ser ajudada com uma intervenção precoce.

Como o médico trata a hipotonia1 muscular?

Atualmente, não há tratamento ou cura conhecidos para a hipotonia1, e as manifestações dela podem durar a vida toda. O resultado em um caso particular de hipotonia1 depende muito da natureza da doença subjacente.

Em alguns casos, o tônus ​​muscular melhora com o tempo ou o paciente pode criar mecanismos de enfrentamento que o ajudem a superar os aspectos mais incapacitantes do distúrbio. No entanto, a hipotonia1 causada por disfunção cerebelar ou doenças do neurônio motor pode ser progressiva e potencialmente fatal.

Juntamente com o atendimento pediátrico normal, o atendimento de uma criança com hipotonia1 deve incluir:

Se a causa subjacente for conhecida, o tratamento deve ser feito para a doença específica, acompanhado por terapia sintomática21 e de suporte para a hipotonia1. Em casos muito graves, o tratamento pode ser principalmente de suporte, como assistência mecânica às funções vitais básicas como respiração e alimentação, fisioterapia22 para prevenir atrofia13 muscular e manter a mobilidade articular e medidas para tentar prevenir infecções23 oportunistas, como pneumonia24.

Os tratamentos para melhorar o estado neurológico podem envolver medicamentos para um distúrbio convulsivo, medicamentos ou suplementos para estabilizar um distúrbio metabólico ou cirurgia para ajudar a aliviar a pressão da hidrocefalia25, por exemplo, se for o caso.

A fisioterapia22 pode melhorar o controle motor e a força corporal geral em indivíduos com hipotonia1. Um fisioterapeuta pode desenvolver programas de treinamento específicos para o paciente para otimizar o controle postural, a fim de aumentar o equilíbrio e a segurança, e usar técnicas de estimulação neuromuscular, facilitando ou intensificando a contração muscular em pacientes com hipotonia1. Para pacientes26 que demonstram fraqueza muscular, são indicados exercícios de fortalecimento da hipotonia1, que não sobrecarreguem os músculos5. A estimulação elétrica também pode ser usada para ativar os músculos5 hipotônicos, melhorar a força e gerar movimento em membros paralisados, evitando a atrofia13 por desuso.

A terapia ocupacional27 pode ajudar o paciente a aumentar a independência nas tarefas diárias por meio da melhoria das habilidades motoras, força e resistência funcional. A terapia de fala e linguagem pode ajudar com qualquer dificuldade de respiração, fala e/ou deglutição28 que o paciente possa ter.

A terapia para bebês29 e crianças pequenas também pode incluir programas de estimulação sensorial. Um fisioterapeuta pode recomendar uma órtese30 de tornozelo31 ou pé para ajudar o paciente a compensar os músculos5 fracos da perna.

Alguns distúrbios têm um tratamento específico, mas o principal tratamento para a maioria das hipotonias de causa idiopática32 ou neurológica é a fisioterapia22 e/ou terapia ocupacional27 para remediação.

Como evolui a hipotonia1 muscular?

Os efeitos a longo prazo da hipotonia1 no desenvolvimento e na vida posterior de uma criança dependem principalmente da gravidade da fraqueza muscular e da natureza da causa.

Leia também sobre "Fisioterapia22", "Reeducação postural global (RPG)", "Reabilitação funcional" e "Terapia ocupacional27".

 

Referncias:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do NHS – National Health Service (UK) e da Cleveland Clinic.

ABCMED, 2021. Hipotonia muscular. Disponvel em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1402305/hipotonia+muscular.htm>. Acesso em: 9 dez. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Hipotonia: 1. Em biologia, é a condição da solução que apresenta menor concentração de solutos do que outra. 2. Em fisiologia, é a redução ou perda do tono muscular ou a redução da tensão em qualquer parte do corpo (por exemplo, no globo ocular, nas artérias, etc.)
2 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
3 Sistema Nervoso Central: Principais órgãos processadores de informação do sistema nervoso, compreendendo cérebro, medula espinhal e meninges.
4 Medula Espinhal:
5 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
6 Síndrome de Down: Distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 a mais, por isso é também conhecida como trissomia do 21. Os portadores desta condição podem apresentar retardo mental, alterações físicas como prega palmar transversa (uma única prega na palma da mão, em vez de duas), pregas nas pálpebras, membros pequenos, tônus muscular pobre e língua protrusa.
7 Distrofia: 1. Acúmulo de grande quantidade de matéria orgânica, mas poucos nutrientes, em corpos de água, como brejos e pântanos. 2. Na medicina, é qualquer problema de nutrição e o estado de saúde daí decorrente.
8 Paralisia: Perda total da força muscular que produz incapacidade para realizar movimentos nos setores afetados. Pode ser produzida por doença neurológica, muscular, tóxica, metabólica ou ser uma combinação das mesmas.
9 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
10 Cerebelo: Parte do encéfalo que fica atrás do TRONCO ENCEFÁLICO, na base posterior do crânio (FOSSA CRANIANA POSTERIOR). Também conhecido como “encéfalo pequeno“, com convoluções semelhantes àquelas do CÓRTEX CEREBRAL, substância branca interna e núcleos cerebelares profundos. Sua função é coordenar movimentos voluntários, manter o equilíbrio e aprender habilidades motoras.
11 Fibras Musculares: Células grandes, multinucleadas e individuais (cilídricas ou prismáticas) que formam a unidade básica do tecido muscular esquelético. Constituídas por uma substância mole contrátil, revestida por uma bainha tubular. Derivam da união de MIOBLASTOS ESQUELÉTICOS com o sincício, seguida de diferenciação.
12 Tônus muscular: Estado de tensão elástica (contração ligeira) que o músculo apresenta em repouso e que lhe permite iniciar a contração imediatamente depois de receber o impulso dos centros nervosos. Num estado de relaxamento completo (sem tônus), o músculo levaria mais tempo para iniciar a contração.
13 Atrofia: 1. Em biologia, é a falta de desenvolvimento de corpo, órgão, tecido ou membro. 2. Em patologia, é a diminuição de peso e volume de órgão, tecido ou membro por nutrição insuficiente das células ou imobilização. 3. No sentido figurado, é uma debilitação ou perda de alguma faculdade mental ou de um dos sentidos, por exemplo, da memória em idosos.
14 Astenia: Sensação de fraqueza, sem perda real da capacidade muscular.
15 Síndrome da cauda equina: É uma compressão aguda que afeta um conjunto de raízes nervosas, conhecido como cauda equina, que fica na região lombar da medula espinhal. Ela é uma séria condição neurológica, consistindo em uma emergência cirúrgica, ela ocorre quando essas raízes nervosas são comprimidas e os nervos ficam paralisados, cortando a sensação e o movimento nos membros inferiores e nos órgãos pélvicos. As raízes nervosas que controlam a função da bexiga e do intestino são especialmente vulneráveis aos danos.
16 Cabeça:
17 Mandíbula: O maior (e o mais forte) osso da FACE; constitui o maxilar inferior, que sustenta os dentes inferiores. Sinônimos: Forame Mandibular; Forame Mentoniano; Sulco Miloióideo; Maxilar Inferior
18 Pescoço:
19 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
20 Palpação: Ato ou efeito de palpar. Toque, sensação ou percepção pelo tato. Em medicina, é o exame feito com os dedos ou com a mão inteira para explorar clinicamente os órgãos e determinar certas características, como temperatura, resistência, tamanho etc.
21 Sintomática: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
22 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
23 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
24 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
25 Hidrocefalia: Doença produzida pelo aumento do conteúdo de Líquido Cefalorraquidiano. Nas crianças pequenas, manifesta-se pelo aumento da cabeça, e nos adultos, pelo aumento da pressão interna do cérebro, causando dores de cabeça e outros sintomas neurológicos, a depender da gravidade. Pode ser devido a um defeito de escoamento natural do líquido ou por um aumento primário na sua produção.
26 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
27 Terapia ocupacional: A terapia ocupacional trabalha com a reabilitação das pessoas para as atividades que elas deixaram de fazer devido a algum problema físico (derrame, amputação, tetraplegia), psiquiátrico (esquizofrenia, depressão), mental (Síndrome de Down, autismo), geriátrico (Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson) ou social (ex-presidiários, moradores de rua), objetivando melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Além disso, ela faz a organização e as adaptações do domicílio para facilitar o trânsito dessa pessoa e as medidas preventivas para impedir o aparecimento de deformidades nos braços fazendo exercícios e confeccionando órteses (aparelhos confeccionados sob medida para posicionar partes do corpo).
28 Deglutição: Passagem dos alimentos desde a boca até o esôfago; ação ou efeito de deglutir; engolir. É um mecanismo em parte voluntário e em parte automático (reflexo) que envolve a musculatura faríngea e o esfíncter esofágico superior.
29 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
30 Órtese: Qualquer aparelho externo usado para imobilizar ou auxiliar os movimentos dos membros ou da coluna vertebral.
31 Tornozelo: A região do membro inferior entre o PÉ e a PERNA.
32 Idiopática: 1. Relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença. 2. Peculiar a um indivíduo.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dvida sobre Neurologia?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta ser enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dvidas j respondidas.