AbcMed

Hipertonia em bebês

Tuesday, November 20, 2018
Avalie este artigo
Hipertonia em bebês

O que é hipertonia em bebês?

O tônus muscular é o estado de contratilidade em que os músculos se encontram. Hipertonia é o aumento do tônus muscular normal, comum nos músculos dos membros superiores e inferiores de bebês. Todos os bebês nascem com uma hipotonia axial (parte central do corpo) e uma hipertonia dos membros superiores e inferiores, mas à medida que se desenvolvem, ambas as condições devem desaparecer entre o 3º e o 18º mês de vida. Caso contrário, isso pode envolver um problema que exigirá tratamento.

Quais são as causas da hipertonia anormal em bebês?

A hipertonia é mais frequente em bebês prematuros, pois seus músculos ainda não estavam prontos para nascer e, à medida que amadurecem fora do ambiente líquido do útero da mãe, eles o fazem de maneira diferente do normal. Como no útero o bebê ficou flexionado, a hipertonia dos músculos extensores é normal em bebês nascidos antes da 32ª semana de gestação. No entanto, a hipertonia pode acontecer também nos bebês nascidos a termo (após 37 semanas de gestação) porque o sistema nervoso deles ainda não está completamente amadurecido.

Quais são as principais características clínicas da hipertonia em bebês?

Há uma hipertonia transitória benigna que desaparece por volta dos 18 meses de vida e não é causada por nenhum dano cerebral. Por outro lado, se ela se torna mais prolongada ou se é permanente, geralmente é devida a lesões cerebrais.

Os principais sinais e sintomas da hipertonia são:

  1. Bebê está em constante tensão.
  2. Mantém punhos cerrados e apertados.
  3. As pernas ficam em flexão tripla ou extensão total.
  4. Os pés em flexão plantar e com os dedos flexionados e apertados.
  5. Bebê geralmente é muito ereto desde o nascimento e com grande força no pescoço.
  6. Bebê oferece resistência ao tentar mover um de seus membros.
  7. Apresenta-se em contração permanente e perde a elasticidade, o que pode causar contraturas e deformidades esqueléticas.

A hipertonia patológica em lactentes geralmente é um dos sintomas que leva ao diagnóstico de paralisia cerebral, embora se saiba que a hipertonia também pode ser causada por uma variedade de outros fatores. As lesões comuns que ocorrem no útero, durante o parto ou logo após o parto que levam à hipertonia incluem: lesões na cabeça, infecção no sistema nervoso central, falta de oxigênio, acidente vascular encefálico, desnutrição e ingestão de metais pesados. Bebês com sinais de hipertonia grave devem estar sob os cuidados de um médico qualificado o mais rápido possível, para evitar complicações. Levá-los ao neuropediatra é fundamental para avaliação e acompanhamento adequados. A hipertonia, com ou sem paralisia cerebral, pode resultar em cuidados médicos e fisioterápicos de longo prazo.

Saiba mais "Paralisia cerebral infantil", "Microcefalia" e "Meningites".

Como o médico diagnostica a hipertonia em bebês?

Após uma cuidadosa história clínica são realizados o exame físico geral e o exame neurológico. Os dados do exame físico geral podem dar pistas sobre o diagnóstico neurológico. A presença de alterações no histórico de saúde e ao exame neurológico leva à classificação sindrômica desses achados.

Como o médico trata a hipertonia em bebês?

Para tratar a hipertonia fisiológica, é essencial que o bebê seja assistido por um fisioterapeuta. As crianças têm a capacidade de redirecionar seus cérebros se começarem a terapia suficientemente cedo. Mas também há exercícios que os pais podem fazer em casa, sempre sob orientação de profissionais qualificados para evitarem danos maiores ao bebê e ao seu desenvolvimento: massagens relaxantes nas extremidades; movimentação de todas as articulações, especialmente as das extremidades; verificação da higiene postural da criança para evitar deformidades na coluna e estímulo sensorial com vários objetos que devem ser passados em suas extremidades.

Como evolui a hipertonia em bebês?

A tensão muscular sustentada interfere com o desenvolvimento normal das habilidades motoras da criança e pode levar a um atraso no desenvolvimento físico. A hipertonia fisiológica geralmente desaparece com o tempo.

Quais são as complicações possíveis da hipertonia em bebês?

O fato de o músculo estar em contração contínua faz com que, ao longo do tempo, ele perca sua elasticidade, terminando em contraturas, se não for tratado. Isso leva à presença de desalinhamentos ósseos que podem gerar deformidades esqueléticas, como pé torto ou flexão de joelho, por exemplo. É importante detectar o problema e fazer o tratamento correto a tempo de evitar essas consequências.

Leia também "Teste de Apgar", "Baixo peso ao nascer" e "Hipoglicemia neonatal".
Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários