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Síndrome da costela cervical

quarta-feira, 1 de setembro de 2021
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Síndrome da costela cervical

O que é a costela cervical?

A costela cervical é uma anormalidade congênita óssea ou fibrosa do processo transverso da sétima vértebra cervical (C7), que pode ser uni ou bilateral e ser desde uma pequena protrusão óssea, às vezes com uma extensão fibrosa, até uma costela supranumerária completamente formada.

Anatomicamente, ela fica localizada acima da primeira costela normal. Na parte posterior, essa costela se conecta à sétima vértebra cervical e, na frente, em algumas pessoas, essa costela cervical pode "flutuar" e não ter conexão, enquanto, em outras, ela pode estar conectada à primeira costela por uma faixa de tecido fibroso resistente ou por uma articulação propriamente dita.

O que é a síndrome da costela cervical?

A síndrome da costela cervical é o conjunto de sinais e sintomas que podem surgir devido à presença completa ou incompleta de uma costela cervical.

Veja sobre "Desvios da coluna vertebral", "Espondilose cervical", "Espondilolistese lombar", "Hérnia de disco" e "Artrodese da coluna".

Quais são as causas da síndrome da costela cervical?

Na maioria das vezes, a costela cervical tem uma existência silenciosa e não gera sintomas, mas em outros casos pode causar distúrbios neurológicos e/ou vasculares nos membros superiores devido à compressão exercida sobre a artéria subclávia e o tronco nervoso que transita pelo desfiladeiro torácico.

Isso ocorre em cerca de 10% das pessoas que têm uma costela cervical extra e em que esse espaço é invadido pela costela cervical e pelos músculos escalenos, gerando sintomas.

Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome da costela cervical?

A costela cervical pode ser um fator a mais de congestionamento do desfiladeiro torácico, uma região anatômica localizada entre o pescoço e o tórax, por onde passam os nervos do plexo braquial, as artérias, demais vasos sanguíneos subclávios e vários músculos, tendões, ossos e bandas fibróticas. Essa região fica entre a primeira costela e a clavícula e pode ser invadida e comprimida por uma costela cervical extranumerária.

Uma costela cervical representa uma ossificação persistente do elemento costal lateral da sétima vértebra cervical. Durante o desenvolvimento inicial normal esse elemento costal ossificado torna-se reabsorvido. O crescimento e desenvolvimento dele representa, pois, uma falha nesse processo.

As costelas cervicais são uma ocorrência rara na população, com uma incidência de menos de 1%. Como são congênitas, a pessoa já nasce com elas. São ligeiramente mais frequentes nas mulheres que nos homens e podem estar presentes apenas em um ou em ambos os lados do corpo.

Quais são as características clínicas da síndrome da costela cervical?

Nas pessoas com a síndrome da costela cervical pode ocorrer:

  • dor intermitente e relacionada aos movimentos
  • parestesia e diminuição de força muscular, preferencialmente nos dedos anular e mínimo
  • cefaleia
  • dificuldade de coordenação
  • edema no membro superior
  • alterações da cor devidas a problemas circulatórios.

A compressão venosa pode resultar em trombose da veia subclávia.

Como o médico diagnostica a síndrome da costela cervical?

O diagnóstico de síndrome da costela cervical deve partir dos sintomas, do exame físico e de imagens radiográficas. No entanto, costelas cervicais silenciosas, sem gerar sintomas, geralmente são descobertas incidentalmente em radiografias e tomografias computadorizadas feitas com outros objetivos.

Outros elementos diagnósticos são o teste de Adson, que consiste em palpar o pulso da artéria radial com o braço do doente em abdução e com o cotovelo estendido, ou o teste de abdução do ombro, em que o médico faz com que o paciente abduza o ombro e coloque a mão no topo da cabeça. Se o teste for positivo, haverá uma diminuição da radiculopatia ou da dor.

Um diagnóstico diferencial deve ser feito com:

Como tratar a síndrome da costela cervical?

Uma costela cervical que não gere sintomas não necessita de tratamentos.

Se o paciente tiver a síndrome do desfiladeiro torácico, o médico deve encaminhá-lo a um fisioterapeuta. Os exercícios para os ombros podem ajudar a alongar e fortalecer a área do pescoço e corrigir a má postura, melhorando os sintomas. A massagem também pode ajudar a liberar os tecidos retesados ou encurtados do pescoço.

Um terapeuta ocupacional pode oferecer conselhos sobre técnicas para proteger as costas e o pescoço durante o trabalho.

Para aliviar a dor e o inchaço, o médico pode prescrever um analgésico e anti-inflamatório. Caso o paciente desenvolva coágulos sanguíneos, podem ser receitados medicamentos trombolíticos e anticoagulantes para prevenir o desenvolvimento de novos coágulos. Caso esses tratamentos não produzam os resultados esperados, a cirurgia pode ser uma opção.

Como evolui a síndrome da costela cervical?

Para a maioria das pessoas afetadas, as perspectivas são boas e os sintomas melhoram com o tempo. Se a compressão ou bloqueio da artéria ou da veia subclávia forem diagnosticados e tratados rapidamente, uma boa recuperação é possível.

No entanto, os sintomas de compressão nervosa podem ser mais difíceis de tratar. Algumas pessoas podem sentir dor crônica persistente e fraqueza, com alguma perda da capacidade de usar o braço afetado. Às vezes, isso pode ser grave o suficiente para afetar a qualidade de vida.

Leia também sobre "Dor no ombro", "Dor no pescoço", "Alterações posturais","Tumor de Pancoast" e "Síndrome cervicobraquial". 

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do NHS – National Health Service (UK), da Mayo Clinic e do Johns Hopkins Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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