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Transecção da medula espinhal

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024
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Transecção da medula espinhal

O que é a medula espinhal?

A medula espinhal é uma parte alongada do sistema nervoso central que se estende a partir do cérebro, em continuidade com o bulbo, descendo pelo interior da coluna vertebral, dentro do canal vertebral. Em adultos, ela mede entre 44 e 46 centímetros de comprimento.

Em um corte transversal, a medula espinhal apresenta formato em H, semelhante a uma borboleta, composto por:

  • Substância cinzenta: localizada no interior e contendo corpos neuronais.
  • Substância branca: situada perifericamente e composta por axônios que formam feixes ascendentes e descendentes.

Sua principal função é transmitir informações entre o cérebro e o corpo, além de coordenar reflexos automáticos, como o reflexo patelar. Os feixes ascendentes conduzem informações sensoriais do corpo ao cérebro, enquanto os feixes descendentes transmitem comandos motores do cérebro aos músculos.

A medula está protegida pelas vértebras da coluna vertebral, envolvida pelas meninges (dura-máter, aracnoide e pia-máter) e imersa no líquido cefalorraquidiano, que a protege contra choques. Possui cinco segmentos, que, de cima para baixo, são: cervical, torácico, lombar, sacral e coccígeo, correspondendo aos segmentos equivalentes da coluna vertebral.

O que é transecção da medula espinhal?

Apesar de protegida por uma estrutura óssea robusta, a medula espinhal pode sofrer uma transecção, interrompendo a comunicação entre suas partes superior e inferior. A transecção da medula espinhal, também conhecida como síndrome de secção medular completa, é uma lesão transversal que resulta em déficits motores e sensitivos completos abaixo do nível da lesão.

Leia sobre "Lesões da medula espinhal" e "Transplante de medula óssea".

Quais são as causas mais comuns da transecção da medula espinhal?

As causas mais frequentes incluem:

1. Traumas

  • Acidentes automobilísticos, motociclísticos e atropelamentos, especialmente em jovens.
  • Quedas, comuns em idosos e trabalhadores de atividades de risco.
  • Esportes de alto impacto, como mergulho em águas rasas, rugby, futebol americano e ginástica.
  • Ferimentos por armas de fogo ou facas.

2. Doenças degenerativas

  • Hérnia de disco grave, quando não tratada, pode levar à transecção.
  • Osteoporose, predispondo a fraturas vertebrais e lesões medulares.

3. Doenças infecciosas

  • Tuberculose vertebral (Mal de Pott), que pode causar colapso vertebral e compressão medular.
  • Abscessos epidurais, que geram compressão ou transecção da medula.

4. Tumores

  • Neoplasias malignas ou benignas na coluna ou na medula, com destruição direta do tecido medular.

5. Complicações cirúrgicas

  • Lesões acidentais durante cirurgias na coluna vertebral.

6. Explosões ou ferimentos de guerra

  • Comum em contextos de conflitos armados.

Qual é o substrato fisiopatológico da transecção da medula espinhal?

Os principais mecanismos fisiopatológicos incluem:

  1. Danos imediatos a axônios, células nervosas e tecido vascular na área da lesão.
  2. Necrose do tecido nervoso devido à lesão mecânica e interrupção do fluxo sanguíneo.
  3. Morte celular adicional pela redução do suprimento sanguíneo.
  4. Excesso de liberação de glutamato, causando influxo descontrolado de cálcio e morte celular.
  5. Citocinas pró-inflamatórias que ampliam os danos neuronais.
  6. Compressão adicional do tecido nervoso pelo acúmulo de líquido intersticial.
  7. Destruição de oligodendrócitos, resultando em desmielinização dos axônios remanescentes.
  8. Perda da transmissão nos tratos descendentes (paralisia) e ascendentes (perda de sensibilidade).
  9. Disfunções autonômicas, como alterações no controle da pressão arterial e função gastrointestinal.
  10. Degeneração axonal retrógrada e anterógrada.
  11. Formação de cicatriz glial, impedindo a regeneração axonal.
  12. Na fase aguda, perda de reflexos, hipotensão e bradicardia devido à interrupção das vias simpáticas.

Quais são as características clínicas da transecção da medula espinhal?

 A transecção da medula espinhal pode ser classificada como:

  • Completa: paralisia total e perda completa de sensibilidade abaixo do nível da lesão.
  • Incompleta: perda parcial das funções motoras e/ou sensitivas, dependendo da localização e extensão da lesão. Exemplos incluem: síndrome de Brown-Séquard, síndrome central da medula e síndrome anterior da medula.

Sintomas da secção completa

  • Paralisia total dos segmentos abaixo da lesão.
  • Ausência ou redução de todas as sensibilidades (tátil, térmica, dolorosa e proprioceptiva).
  • Distúrbios autonômicos, que incluem:
  • Na fase inicial (choque medular), pode haver:
    • Flacidez muscular.
    • Arreflexia.
    • Hipotensão e bradicardia (em lesões acima de T6, pela interrupção das vias simpáticas).
  • Evolução para espasticidade e hiperreflexia na fase crônica.

Sintomas da secção incompleta (exemplo: síndrome de Brown-Séquard)

  • Paralisia espástica ipsilateral à lesão, devido à interrupção das vias corticoespinhais.
  • Diminuição da propriocepção consciente homolateral, pela lesão dos tratos espinocerebelares.
  • Perda da sensibilidade térmica e dolorosa contralateral, pela interrupção da via espinotalâmica lateral.

Outras síndromes medulares incompletas:

  • Síndrome central da medula: perda da função motora mais pronunciada nos membros superiores do que nos inferiores, com preservação relativa da sensibilidade.
  • Síndrome anterior da medula: perda da função motora e das sensibilidades térmica e dolorosa, com preservação da propriocepção e do tato.
  • Síndrome posterior da medula: perda da propriocepção, com preservação da função motora e das sensibilidades térmica e dolorosa (rara).
Veja sobre "Mielite transversa" e " Tumores intramedulares".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Biblioteca Virtual em Saúde e da Fundação Christopher & Dana Reeve.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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