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Púrpura trombocitopênica imune

Friday, August 30, 2019
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Púrpura trombocitopênica imune

O que é a púrpura trombocitopênica imune?

A púrpura trombocitopênica imune, anteriormente chamada púrpura trombocitopênica idiopática, é uma doença adquirida, geralmente benigna, de causa desconhecida, que consiste em níveis invulgarmente baixos de plaquetas (células circulatórias que ajudam na coagulação do sangue). Quanto à faixa etária acometida, a púrpura trombocitopênica imune pode ser classificada como infantil ou adulta e, quanto ao tempo de evolução, como aguda ou crônica.

Quais são as causas da púrpura trombocitopênica imune?

As causas da púrpura trombocitopênica imune são desconhecidas em sua totalidade.  A púrpura acontece quando o sistema imunológico ataca e destrói erroneamente as plaquetas. Apesar da etiologia pouco conhecida, reconhecem-se certos anticorpos direcionados a antígenos da membrana das plaquetas.

As crianças podem desenvolver a doença após uma infecção viral como a caxumba ou a gripe, por exemplo, e se recuperam espontaneamente sem tratamento. Em adultos, a púrpura trombocitopênica pode ser desencadeada por infecção por HIV, hepatite ou Helicobacter pylori.

Qual é o mecanismo fisiológico da púrpura trombocitopênica imune?

A trombocitopenia imune acontece quando o sistema imunológico ataca e destrói erroneamente as plaquetas, que são elementos celulares que ajudam na coagulação sanguínea. Uma vez que as plaquetas apresentam um anticorpo aderido à sua membrana, elas são reconhecidas por macrófagos localizados no baço e em outras áreas de tecido reticuloendotelial onde, então, são destruídas, levando a um menor tempo de vida médio e, consequentemente, a menores contagens de plaquetas circulantes.

Quais são as principais características clínicas da púrpura trombocitopênica imune?

A púrpura trombocitopênica imune é mais comum entre as mulheres jovens e pode não apresentar sinais e sintomas. Mas, quando eles ocorrem, podem incluir sangramentos superficiais na pele, de aparecimento espontâneo, que aparecem como manchas roxo-avermelhadas ou hematomas roxos, ou hemorragias fáceis ante a pequenos traumas locais. Pode ocorrer também sangramento das gengivas ou nariz, sangue na urina, sangramento do trato digestivo ou fluxo menstrual incomumente abundante. Podem ocorrer ainda sangramentos intracranianos, mas eles são raros.

Veja sobre "Coagulação sanguínea", "Hemorragias", "Coagulograma", "Coagulação intravascular disseminada" e "Hemograma".

Como o médico diagnostica a púrpura trombocitopênica imune?

A suspeita do diagnóstico da púrpura trombocitopênica imune é realizado com base na história clínica e no exame físico do paciente, além do hemograma completo e esfregaço de sangue periférico. O diagnóstico é confirmado quando houver presença de trombocitopenia de menos de 100.000 plaquetas/mm³, sem alterações nas outras séries do hemograma ou no esfregaço de sangue periférico e ausência de outras condições clínicas que cursem com diminuição das plaquetas.

Nos casos graves, a contagens de plaquetas fica tão baixa como 10.000-20.000/mm³. É importante tentar excluir outras causas possíveis de hemorragia e de uma baixa contagem de plaquetas, como uma doença subjacente ou medicamentos que o paciente possa estar tomando. Raramente, os adultos podem precisar de um exame de medula óssea para descartar outros problemas.

Como o médico trata a púrpura trombocitopênica imune?

A terapia medicamentosa da púrpura trombocitopênica deve ser direcionada para a redução do risco de sangramentos graves e para o controle precoce dos demais sintomas. Na infância, às vezes há remissão espontânea. Na população adulta, ao contrário, as remissões espontâneas são infrequentes (menos de 10% dos casos).

Se o paciente não tem sinais de sangramento e sua contagem de plaquetas não é muito baixa, ele pode não precisar de nenhum tratamento. Sendo assim, o tratamento deve ser reservado a pacientes com trombocitopenia grave e sintomática, uma vez que o risco de complicações dele decorrentes pode ser até maior do que o do sangramento em si.

Se os sintomas forem ainda mais graves, o tratamento pode incluir várias abordagens ao mesmo tempo, como medicamentos para aumentar a contagem de plaquetas e/ou a cirurgia para remover o baço, órgão que as destrói.

O médico deve conversar com o paciente sobre medicamentos de venda livre que ele esteja eventualmente tomando e que deve parar de usar, como aspirina, ibuprofeno e ginkgo biloba. Por outro lado, o médico provavelmente prescreverá corticosteroide oral, imunoglobulina e/ou drogas que aumentam a produção de plaquetas. Se a doença for grave ou persistir apesar do tratamento com medicamentos, o médico poderá sugerir uma cirurgia para remover o baço, eliminando assim a principal fonte de destruição de plaquetas.

Como evolui em geral a púrpura trombocitopênica imune?

A gravidade dos sintomas da púrpura trombocitopênica está associada com as contagens de plaquetas, sendo maior quando elas são abaixo de 10.000/mm³. Os pacientes assintomáticos e com contagem plaquetária acima de 30.000/mm³ tendem a seguir um curso clínico favorável, sendo o tratamento restrito aos poucos casos que evoluem para trombocitopenia grave (contagens abaixo de 20.000/mm³).

A morbimortalidade relacionada à doença é baixa, aproximando-se daquela da população geral, ao passo que as complicações relacionadas ao tratamento não são desprezíveis.

Leia também sobre "Esplenectomia ou retirada do baço", "Púrpura" e "Plaquetas baixas".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte do site da Mayo Clinic e, em parte, da portaria nº 1.316, de 22 de novembro de 2013, do Ministério da Saúde.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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