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Siringomielia - definição, causas, diagnóstico e tratamento

Tuesday, August 27, 2019
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Siringomielia - definição, causas, diagnóstico e tratamento

O que é siringomielia?

Siringomielia é uma patologia em que um cisto cheio de líquido (siringe) se desenvolve dentro da cavidade tubular localizada na área central da medula espinhal. Com o tempo, o cisto pode aumentar, danificando a medula espinhal e causando sintomas. Estes cistos podem se localizar em qualquer parte da medula, mas predominam na medula cervical e na medula torácica.

Quais são as causas da siringomielia?

A siringomielia tem várias causas possíveis, embora a maioria dos casos esteja associada a uma condição em que o tecido cerebral se projeta para dentro do canal medular. Outras causas de siringomielia incluem tumores da medula espinhal, lesões na medula espinhal e danos causados pela inflamação em torno da medula espinhal. Os cistos podem estar presentes desde o nascimento ou se desenvolverem mais tarde, devido a uma lesão ou a um tumor.

Contudo, a patogênese da siringomielia não é bem compreendida em toda a sua extensão. Em algumas ocasiões, as siringes parecem ser causadas por trauma da medula espinhal e podem se desenvolver meses ou anos após a lesão. Aracnoidite espinhal e tumores intramedulares também são causas conhecidas que levam à formação da siringe.

Leia sobre "Lesões da medula espinhal", "Paraplegia" e "Tetraplegia".

Qual é o mecanismo fisiológico da siringomielia?

Os cistos endomedulares que constituem a siringomielia são pouco frequentes. Normalmente eles são uma condição congênita (metade dos casos), caso em que o cisto se desenvolve em número maior de vezes nos segmentos cervical e torácico da medula. Inicialmente, se origina como um divertículo do canal central medular preenchido por um líquido, e aumenta gradualmente durante a adolescência ou os primeiros anos da idade adulta, até passar a pressionar a substância cinzenta posterior ou anterior e causar a dilatação da medula.

As crianças que têm um cisto de nascença geralmente têm também outras anomalias estruturais do cérebro e/ou da medula espinhal. Mais frequentemente, os cistos que se desenvolvem com o passar dos anos são decorrentes de lesões ou de tumores. Cerca de 30% dos tumores originados na medula espinhal acabam por produzir um cisto.

Os cistos que crescem na medula espinhal tendem a afetar primeiramente as fibras nervosas que transportam informações sobre dor e temperatura e só depois afetam as fibras que transmitem sinais para estimular o movimento dos músculos.

Quais são as principais características clínicas da siringomielia?

Os cistos podem ocorrer em qualquer lugar ao longo da medula espinhal. Quando uma pessoa sofre de siringomielia, ela pode ficar menos sensível à dor e à temperatura e sentir fraqueza nas mãos e nas pernas, ou pode ter vertigem e problemas com os movimentos dos olhos, com o paladar e com a fala.

Em geral, os sintomas de siringomielia começam sutilmente entre a adolescência e os 45 anos de idade, média de 30 anos. Os cistos no pescoço produzem sintomas nos braços, na parte superior das costas, parte inferior do pescoço e nas mãos. À medida que os cistos aumentam e se fortalecem, podem causar atrofia e fraqueza dos músculos, começando pelas mãos, mas atingindo também as pernas.

Os sintomas têm qualidade e intensidade diferentes em cada um dos lados do corpo. Os cistos no tronco cerebral podem causar vertigem, nistagmo, perda da sensação no rosto, perda do paladar, dificuldade em falar, rouquidão e dificuldade em deglutir. Os músculos da língua podem enfraquecer e deteriorar.

Como o médico diagnostica a siringomielia?

O médico pode suspeitar da existência de cistos em função dos sintomas, mas eles podem ser confirmados pela ressonância magnética, que é o exame mais indicado para detectar um cisto. A imagem por ressonância magnética de toda a medula espinhal e do cérebro normalmente é feita depois de injetar um contraste.

Como o médico trata a siringomielia?

Se a siringomielia não estiver causando nenhum problema, o médico deve apenas monitorar a condição. Mas se o paciente está com sintomas perturbadores, pode precisar de cirurgia. Um neurocirurgião pode fazer um orifício no cisto para drená-lo e evitar sua expansão, mas a cirurgia nem sempre corrige o problema em definitivo. Mesmo quando se consegue drenar o cisto, o sistema nervoso pode encontrar-se já lesionado de forma irreversível. Os sintomas podem não ser aliviados ou o cisto pode voltar a surgir. As doenças que contribuíram para ou causaram o cisto devem ser tratadas e corrigidas, se possível. 

Veja também sobre "Mielite transversa", "Amiotrofia espinhal" e "Transplante Recupera Função Motora em Ratos".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic, da Radiopaedia e da National Organization for Rare Disorders.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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