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Coagulação intravascular disseminada: como ela é?

Monday, November 30, 2015
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Coagulação intravascular disseminada: como ela é?

O que é coagulação intravascular disseminada?

Coagulação intravascular disseminada ou coagulopatia de consumo é uma condição patológica na qual o sangue começa a coagular dentro dos vasos, por todo o corpo.

Quais são as causas da coagulação intravascular disseminada?

A coagulação intravascular disseminada é uma síndrome adquirida, caracterizada pela ativação descontrolada dos mecanismos da coagulação, levando à formação e deposição de fibrina nos micro vasos. Na maior parte dos casos, há inibição da fibrinólise, o que contribui para a deposição de fibrina no interior dos vasos. Pode ocorrer em associação com uma grande variedade de condições clínicas.

As doenças infecciosas, em particular a septicemia bacteriana, são as mais comumente associadas a ela. Trauma grave também é frequentemente relacionado à coagulação intravascular disseminada. Tumores sólidos e neoplasias hematológicas podem cursar com coagulação intravascular disseminada. Ela é uma complicação clássica de condições obstétricas como descolamento de placenta, embolia de líquido amniótico, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, síndrome do feto morto retido, ruptura uterina e aborto séptico. Vale ainda mencionar a púrpura trombocitopênica, a síndrome hemolítico-urêmica, a anemia hemolítica microangiopática e a hipertensão maligna.

Qual é a fisiopatologia da coagulação intravascular disseminada?

Em linhas gerais, pode-se dizer que a deposição sistêmica de fibrina é resultado da geração de trombina e da inibição ou disfunção dos anticoagulantes naturais. Em adição, a inibição da atividade fibrinolítica resulta em remoção inadequada da fibrina, contribuindo desta forma para a trombose microvascular. A ativação sistêmica da coagulação promove também maior consumo dos fatores da coagulação e plaquetas, o que frequentemente resulta em manifestações hemorrágicas.

No conjunto, esses mecanismos explicam a ocorrência simultânea de trombose e sangramentos. Para muitas doenças associadas, o evento comum é a lesão endotelial, que causa adesão e agregação das plaquetas, formação de trombo e alteração da fibrinólise. Os mecanismos controladores desse processo ainda não foram completamente elucidados. Assim, o significado clínico da presença da coagulação intravascular disseminada não está completamente esclarecido.

Quais são os principais sinais e sintomas da coagulação intravascular disseminada?

A deposição de fibrina leva à oclusão vascular e consequente comprometimento do fluxo sanguíneo para diversos órgãos, o que em conjunto com alterações metabólicas e hemodinâmicas pode contribuir para a falência de múltiplos órgãos. O consumo e consequente depleção dos fatores da coagulação e plaquetas, resultantes da contínua ativação da coagulação, pode levar a sangramentos em diversos sítios. Os sinais e sintomas da coagulação intravascular disseminada dependem da sua causa e de a condição ser aguda ou crônica. Às vezes, a forma crônica da doença pode não apresentar sinais ou sintomas. A doença aguda se desenvolve rapidamente e é muito grave. A condição crônica se desenvolve ao longo de semanas ou meses, dura um tempo maior e geralmente não é reconhecida tão prontamente como a condição aguda.

Na coagulação intravascular disseminada aguda, a coagulação sanguínea nos vasos normalmente ocorre antes que o sangramento. No entanto, o sangramento pode ser o primeiro sinal óbvio. A coagulação do sangue também ocorre com a coagulação intravascular disseminada crônica, mas geralmente não leva à hemorragia. Os sinais e sintomas devidos aos coágulos nos vasos sanguíneos dependem da localização e da extensão deles, assim também os sinais e sintomas das hemorragias. As hemorragias internas podem ocorrer nos rins, intestinos, cérebro, etc.

Como o médico diagnostica a coagulação intravascular disseminada?

As questões relativas ao diagnóstico e tratamento da coagulação intravascular disseminada são ainda motivo de grande controvérsia. O diagnóstico deve ser feito pela combinação das alterações clínicas e laboratoriais compatíveis com a doença. Clinicamente, pode-se observar os sinais de resposta inflamatória sistêmica, como febre, hipotensão, acidose, manifestações de sangramento difuso e de trombose. Os exames laboratoriais normalmente pedidos para a confirmação do diagnóstico são: tempo de protrombina, tempo de tromboplastina e tempo de trombina, contagem de plaquetas, dosagem de fibrinogênio plasmático, dosagem de fatores da coagulação e anticoagulantes naturais e marcadores de ativação da coagulação. A observação do esfregaço de sangue periférico é importante porque nos casos de coagulação intravascular disseminada a presença de hemácias fragmentadas é indicativa da presença de trombose microvascular.

Como o médico trata a coagulação intravascular disseminada?

Como podem ocorrer hemorragias graves muito rapidamente após o desenvolvimento da coagulação intravascular disseminada aguda, o paciente deve ser tratado de emergência em um hospital que tenha serviço de hematologia, banco de sangue e condições para uma eventual cirurgia. A reposição plaquetária deve ser orientada pelas condições clínicas do paciente e não simplesmente pelas alterações laboratoriais. A heparina (anticoagulante) deve ser administrada àqueles pacientes com extensa deposição de fibrina, sem evidência de hemorragia substancial. Os objetivos da terapia farmacológica são reduzir a morbidade e prevenir as complicações. Eles devem ser baseados na etiologia do problema e destinar-se a eliminar a doença subjacente. O tratamento da coagulação intravascular disseminada em si, inclui anticoagulantes, componentes do sangue e antifibrinolíticos. A hemostasia e os parâmetros de coagulação devem ser monitorados continuamente durante o tratamento.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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