Gostou do artigo? Compartilhe!

Transtorno disfórico pré-menstrual

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é transtorno disfórico pré-menstrual?

O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma alteração que causa sintomas1 intensos, emocionais e físicos, que antecedem por alguns dias às menstruações e interferem na vida diária das mulheres acometidas, incluindo trabalho, escola, vida social e relacionamentos. O termo “disfórico” refere-se a transtorno do estado de ânimo e seus correlatos. O TDPM é um problema de saúde2 semelhante ao da síndrome3 de tensão pré-menstrual (TPM), mas é mais grave do que ela.

Quais são as causas do transtorno disfórico pré-menstrual?

Não se sabe exatamente a causa do TDPM. A maioria dos pesquisadores, no entanto, acha que pode ser uma reação anormal às alterações hormonais relacionadas ao ciclo menstrual.

Saiba mais sobre "Ciclo menstrual", "Tensão pré-menstrual", "Climatério4 e Menopausa5" e "Mitos e verdades sobre menstruação6".

Qual é o mecanismo fisiopatológico do transtorno disfórico pré-menstrual?

A patogênese7 exata do distúrbio ainda não está clara e tem sido objeto de muitas pesquisas. Alguns estudos mostraram uma conexão entre o TDPM e baixos níveis de serotonina, uma substância química no cérebro8 que ajuda a transmitir os impulsos nervosos e que controla o humor, a atenção, o sono e a dor.

Quais são as principais características clínicas do transtorno disfórico pré-menstrual?

Até três quartos das mulheres menstruadas têm alguns sinais9 e sintomas1 de tensão pré-menstrual (TPM), sejam desejos por comidas especiais, câimbras10, sensibilidade dos seios11, mau humor ou fadiga12. O TDPM é uma forma grave de TPM com sintomas1 que aparecem uma semana antes do início do período menstrual e duram até alguns dias após o seu início.

Na maioria das vezes, esses sintomas1 são severos, debilitantes, podem manter a pessoa afastada de suas atividades diárias e incluem: mudanças de humor, depressão ou sentimentos de desesperança, raiva13 intensa e conflito com outras pessoas, tensão, ansiedade, irritabilidade, diminuição do interesse em atividades usuais, dificuldade de concentração, fadiga12, mudança no apetite, dificuldades de autocontrole, problemas de sono, cãibras, inchaço14, mastalgia15, dores de cabeça16, dor articular ou muscular e ondas de calor.

Leia sobre "Insônia", "Distúrbios do sono" e "Ansiedade normal e patológica".

Como o médico diagnostica o transtorno disfórico pré-menstrual?

O diagnóstico17 dependerá do relato dos sintomas1, do histórico médico da paciente, de um exame físico completo e cuidadoso e de testes para avaliar a paciente do ponto de vista emocional e mental. O médico procurará se certificar de que os sintomas1 não estejam sendo causados por condições psíquicas anômalas como depressão ou transtorno do pânico, por exemplo, e também procurará descartar outras condições médicas ou ginecológicas, como endometriose18, miomas, menopausa5 e problemas hormonais que também podem causar sintomas1 idênticos ou parecidos.

Para uma exata caracterização da condição, é importante constatar que os sintomas1 começam de 7 a 10 dias antes de começar a menstruação6 e desaparecem alguns dias após o seu começo.

Como o médico trata o transtorno disfórico pré-menstrual?

Vários tratamentos podem ser úteis para aliviar os sintomas1 de TDPM. Eles incluem: antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina, terapia hormonal (pílulas anticoncepcionais), mudanças na dieta, prática regular de exercícios físicos, gerenciamento de estresse, suplementos vitamínicos, medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos19, anti-inflamatórios não-esteroides e diuréticos20.

Conversar com um psicoterapeuta também pode ajudar a desenvolver estratégias de enfrentamento do problema. A terapia de relaxamento, a meditação, a reflexologia e a ioga também podem proporcionar alívio. Em casos excepcionalmente intensos, em que o tratamento baseado em medicamentos é ineficaz, uma cirurgia de remoção dos ovários21 pode produzir cura imediata e permanente.

Veja mais sobre "Menstruação6 atrasada", "Amenorreia22", "Menopausa5", "Endometriose18" e "Riscos e benefícios da retirada dos ovários21".

 

ABCMED, 2018. Transtorno disfórico pré-menstrual. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/1329233/transtorno+disforico+pre+menstrual.htm>. Acesso em: 16 jan. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
2 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
3 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
4 Climatério: Conjunto de mudanças adaptativas que são produzidas na mulher como conseqüência do declínio da função ovariana na menopausa. Consiste em aumento de peso, “calores” freqüentes, alterações da distribuição dos pêlos corporais, dispareunia.
5 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
6 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
7 Patogênese: Modo de origem ou de evolução de qualquer processo mórbido; nosogenia, patogênese, patogenesia.
8 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
9 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
10 Câimbras: Contrações involuntárias, espasmódicas e dolorosas de um ou mais músculos.
11 Seios: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
12 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
13 Raiva: 1. Doença infecciosa freqüentemente mortal, transmitida ao homem através da mordida de animais domésticos e selvagens infectados e que produz uma paralisia progressiva juntamente com um aumento de sensibilidade perante estímulos visuais ou sonoros mínimos. 2. Fúria, ódio.
14 Inchaço: Inchação, edema.
15 Mastalgia: Dor nas mamas. Costuma ser um distúrbio benigno em mulheres jovens devido a um desequilíbrio hormonal durante o ciclo menstrual. Mas, pode ter outras causas.
16 Cabeça:
17 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
18 Endometriose: Doença que acomete as mulheres em idade reprodutiva e consiste na presença de endométrio em locais fora do útero. Endométrio é a camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação. Os locais mais comuns da endometriose são: Fundo de Saco de Douglas (atrás do útero), septo reto-vaginal (tecido entre a vagina e o reto ), trompas, ovários, superfície do reto, ligamentos do útero, bexiga e parede da pélvis.
19 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
20 Diuréticos: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
21 Ovários: São órgãos pares com aproximadamente 3cm de comprimento, 2cm de largura e 1,5cm de espessura cada um. Eles estão presos ao útero e à cavidade pelvina por meio de ligamentos. Na puberdade, os ovários começam a secretar os hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno.
22 Amenorréia: É a ausência de menstruação pelo período equivalente a 3 ciclos menstruais ou 6 meses (o que ocorrer primeiro). Para períodos inferiores, utiliza-se o termo atraso menstrual.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Ginecologia?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.