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Ciclo menstrual: como ele é?

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Como é o ciclo menstrual?

Denomina-se ciclo menstrual às alterações fisiológicas1 cíclicas que ocorrem nas mulheres férteis e que têm como finalidade promover a fecundação2 e a consequente reprodução3.

Com algumas modificações, por vezes significativas, ele ocorre também nas fêmeas de animais, mas neste artigo foca-se apenas o ciclo da mulher.

Em geral, e em resumo, passa-se o seguinte: após cada menstruação4 os óvulos contidos nos ovários5 começam a amadurecer, até que um deles se liberta do ovário6 e é captado pelas trompas de Falópio, caminhando por elas rumo ao útero7. Se a meio caminho esse óvulo8 for fecundado por um espermatozoide9, ele se fixará no útero7 e iniciará uma gravidez10. Se a fecundação2 não ocorrer, será eliminado juntamente com o reservatório interno do útero7, na menstruação4. Inicia-se assim um novo ciclo menstrual, que deve ser contado a partir do primeiro dia da menstruação4.

O ciclo menstrual é regulado por hormônios comandados pelo sistema hipotálamo11-hipofisário e pode ser dividido em três fases: fase folicular, ovulação12 e fase luteínica. Essa regulação natural pode ser alterada por meio de certas medicações (geralmente hormônios), por certas doenças sistêmicas, alimentação, atividade sexual ou eventos psicológicos significativos. Os métodos anticoncepcionais hormonais, por exemplo, são alterações de tal natureza, induzidas propositadamente e destinadas a impedir a fecundação2 e a gravidez10.

Como são as fases do ciclo menstrual?

  • Fase folicular:

Os folículos são estruturas presentes nos ovários5 desde o nascimento da mulher, mas que permanecem inativos até a puberdade quando, sob a influência de hormônios, experimentam um maior desenvolvimento. A partir da puberdade, em cada ciclo menstrual um desses folículos se desenvolve até dar origem a um óvulo8 maduro, o qual se desprende do ovário6 e, se fecundado, resultará numa gravidez10 e, se não fecundado, acabará na menstruação4. De cada vez, à medida que se desenvolvem, os folículos segregam quantidades cada vez maiores de estradiol, um estrogênio que estimula a proliferação do endométrio13 (revestimento interno do útero7) e produz mudanças no muco cervical, preparando o organismo para a fertilização14 e para a nidação15 do embrião. Em virtude das alterações que acontecem no endométrio13, a fase folicular costuma ser chamada de fase proliferativa. Essa fase começa com o início de cada menstruação4, dura em média 15 dias e termina com a ovulação12.

  • Ovulação12:

Mais ou menos na metade do ciclo, depois de 24 a 36 horas do pico de produção do hormônio16 luteinizante (LH), o ovário6 liberta um óvulo8. Inicia-se, assim, a fase da ovulação12. Se não houver fertilização14, o óvulo8 liberado sobrevive no máximo por 24 horas e depois se desintegra. Durante a fase folicular, o estradiol a princípio inibe a produção de LH hipofisário, mas à medida que o óvulo8 se aproxima da maturação, os níveis de estradiol alcançam valores acima dos quais estimulam maior produção de LH. Isso faz com que o óvulo8 amadureça rapidamente e a parede do folículo17 enfraqueça, libertando o óvulo8 do ovário6. É a ovulação12, momento auge do ciclo menstrual.

Como efeito secundário, a temperatura corporal aumenta em todo esse período, tornando-se um dos indicativos de fertilidade que a mulher utiliza, se deseja ou não engravidar. Parece ser aleatório o fato de que seja o ovário6 direito ou o esquerdo que liberta o óvulo8 em cada ciclo, mas se ambos o fizerem num mesmo momento, darão origem a gêmeos bivitelinos.

Depois de liberado pelo ovário6, o óvulo8 é captado pelas trompas, através da fímbria (pequena membrana no fim de cada trompa) e caminha por elas em direção ao útero7. Nesse trajeto ele pode ou não encontrar-se com o espermatozoide9 e ser fecundado por ele. Se não ocorrer a fecundação2, o óvulo8 se desintegra ou se dissolve após cerca de um dia; se a fecundação2 ocorrer, forma-se o ovo18, que caminhará rumo ao útero7, onde se aninhará e crescerá. A fertilização14 do óvulo8 pelo espermatozoide9 se dá normalmente na parte mais larga das trompas, a chamada ampola. Um óvulo fertilizado19 leva cerca de três dias para alcançar o útero7 e mais três dias para implantar-se no endométrio13 e iniciar a gestação.

  • Fase luteínica:

Os resquícios do folículo17 de onde tenha saído o óvulo8 formarão o corpo lúteo, uma estrutura endócrina temporária, de cor amarelada, produtora de progesterona. Sob a influência desse hormônio16, o endométrio13 se prepara para uma possível nidação15 de um embrião. Se ocorrer fecundação2, o corpo lúteo permanecerá por cinco a seis meses, mantido pela gonadotrofina coriônica produzida pelo embrião. Se a fecundação2 não ocorrer, o corpo lúteo experimentará uma involução em cerca de 10 a 12 dias.

A duração da fase folicular em cada mulher varia um pouco de ciclo para ciclo, mas a fase luteínica é bastante regular. Uma vez que essa gonadotrofina é apenas produzida pelo embrião, muitos testes de gravidez10 baseiam-se na presença dela.

Qual é a duração de um ciclo menstrual?

A duração do ciclo menstrual varia em cada mulher, dentro de limites mais ou menos estritos. Em média, o ciclo completo em uma mulher sadia dura em torno de 28 dias, com uma variação de até oito dias entre o maior e o menor ciclo. Os ciclos menstruais variam também com fatores externos. Assim, por exemplo, observaram-se variações ligadas aos ciclos lunares. Um estudo extensivo demonstrou que cerca de um terço das mulheres tinha ciclos menstruais coincidentes com o ciclo lunar (29,5 dias mais ou menos) e quase dois terços revelaram que o seu ciclo se iniciava durante a fase mais brilhante do ciclo lunar. Outro estudo mostrou que um número estatisticamente significativo de menstruações ocorria durante a lua nova. Também se chegou a postular que muitas mulheres vivendo em ambientes confinados (prisões, conventos, etc.), seriam capazes de sincronizar entre si seus ciclos menstruais. Essa afirmação, contudo, depende de melhor confirmação.

O que é período fértil?

Período fértil é aquele no qual são maiores as probabilidades de que uma gravidez10 resulte de uma relação sexual. Ele ocorre entre os cinco dias que precedem a ovulação12 até o primeiro ou segundo dia que se sucede a ela. Em geral, isto corresponde à segunda e início da terceira semana do ciclo. Vários métodos foram desenvolvidos para permitir à mulher fazer uma estimativa dos dias férteis ou inférteis de seu ciclo menstrual. Eles tanto podem ser usados por mulheres que desejam uma gravidez10 (que devem procurar manter relações sexuais durante eles), quanto pelas que não a desejam (que devem evitar manter relações sexuais durante eles ou se utilizarem de algum método anticoncepcional).

O que é menstruação4?

Externamente, a menstruação4 é o acontecimento mais chamativo do ciclo menstrual. Ela consta da eliminação periódica, pela vagina20, de fluidos corporais e sangue21 provenientes da descamação22 do revestimento interno do útero7, a qual ocorre em cada ciclo menstrual, sempre que não acontece uma gravidez10. Ela é um acontecimento fisiológico23 normal, dura de 3 a 7 dias e sua regularidade sinaliza um sistema reprodutivo sadio. Em média, decorrem 28 (21 a 35) dias entre o fim de uma menstruação4 e o início da seguinte, mas esse intervalo pode variar de uma mulher para outra ou entre diferentes ciclos de uma mesma mulher.

Na fase inicial das menstruações (primeiras menstruações), é comum que ocorram intervalos de 4 a 6 meses ou, eventualmente, de até um ou dois anos sem que ela aconteça. Isso ocorre porque quando os ovários5 iniciam suas funções, eles ainda não estão completamente amadurecidos.

Curiosidades sobre o ciclo menstrual:

  • Em média, a menstruação4 leva à perda de 40 ml de sangue21 (entre 10 ml e 80 ml). Geralmente, os contraceptivos intrauterinos (DIU) aumentam o sangramento, enquanto que os anticoncepcionais orais diminuem o fluxo menstrual.
  • A primeira menstruação4 da menina é chamada menarca24 e ocorre, em média, por volta dos doze anos de idade (entre os 10 e 16 anos), ou seja, uns dois anos depois dos seios25 da menina começarem a crescer e pouco tempo depois de nascerem os pelos púbicos.
  • Durante os primeiros dias da menstruação4 é comum haver cólicas26 abdominais e dores nas costas27, crescimento e dores nas mamas28, presença de acne29 e outros sintomas30.
  • A dor intensa no útero7 durante a menstruação4 é chamada dismenorreia31 e é mais frequente entre adolescentes e mulheres jovens.
  • Quando a menstruação4 se inicia, normalmente diminui a intensidade dos sintomas30 associados à tensão pré-menstrual (TPM), como as dores nas mamas28 e a irritabilidade.
  • Durante o período de aleitamento, a maioria das mulheres (cerca de 70%) não menstrua, mas isso não significa que não possam engravidar.
ABCMED, 2012. Ciclo menstrual: como ele é?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/303575/ciclo+menstrual+como+ele+e.htm>. Acesso em: 19 jun. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Fisiológicas: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
2 Fecundação: 1. Junção de gametas que resulta na formação de um zigoto; anfigamia, fertilização. 2. Ato ou efeito de fecundar (-se).
3 Reprodução: 1. Função pela qual se perpetua a espécie dos seres vivos. 2. Ato ou efeito de reproduzir (-se). 3. Imitação de quadro, fotografia, gravura, etc.
4 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
5 Ovários: São órgãos pares com aproximadamente 3cm de comprimento, 2cm de largura e 1,5cm de espessura cada um. Eles estão presos ao útero e à cavidade pelvina por meio de ligamentos. Na puberdade, os ovários começam a secretar os hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno.
6 Ovário: Órgão reprodutor (GÔNADAS) feminino. Nos vertebrados, o ovário contém duas partes funcionais Sinônimos: Ovários
7 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
8 Óvulo: Célula germinativa feminina (haplóide e madura) expelida pelo OVÁRIO durante a OVULAÇÃO.
9 Espermatozóide: Célula reprodutiva masculina.
10 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
11 Hipotálamo: Parte ventral do diencéfalo extendendo-se da região do quiasma óptico à borda caudal dos corpos mamilares, formando as paredes lateral e inferior do terceiro ventrículo.
12 Ovulação: Ovocitação, oocitação ou ovulação nos seres humanos, bem como na maioria dos mamíferos, é o processo que libera o ovócito II em metáfase II do ovário. (Em outras espécies em vez desta célula é liberado o óvulo.) Nos dias anteriores à ovocitação, o folículo secundário cresce rapidamente, sob a influência do FSH e do LH. Ao mesmo tempo que há o desenvolvimento final do folículo, há um aumento abrupto de LH, fazendo com que o ovócito I no seu interior complete a meiose I, e o folículo passe ao estágio de pré-ovocitação. A meiose II também é iniciada, mas é interrompida em metáfase II aproximadamente 3 horas antes da ovocitação, caracterizando a formação do ovócito II. A elevada concentração de LH provoca a digestão das fibras colágenas em torno do folículo, e os níveis mais altos de prostaglandinas causam contrações na parede ovariana, que provocam a extrusão do ovócito II.
13 Endométrio: Membrana mucosa que reveste a cavidade uterina (responsável hormonalmente) durante o CICLO MENSTRUAL e GRAVIDEZ. O endométrio sofre transformações cíclicas que caracterizam a MENSTRUAÇÃO. Após FERTILIZAÇÃO bem sucedida, serve para sustentar o desenvolvimento do embrião.
14 Fertilização: Contato entre espermatozóide e ovo, determinando sua união.
15 Nidação: Implantação.
16 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
17 Folículo: 1. Bolsa, cavidade em forma de saco. 2. Fruto simples, seco e unicarpelar, cuja deiscência se dá pela sutura que pode conter uma ou mais sementes (Ex.: fruto da magnólia).
18 Ovo: 1. Célula germinativa feminina (haploide e madura) expelida pelo OVÁRIO durante a OVULAÇÃO. 2. Em alguns animais, como aves, répteis e peixes, é a estrutura expelida do corpo da mãe, que consiste no óvulo fecundado, com as reservas alimentares e os envoltórios protetores.
19 Óvulo Fertilizado: ÓVULO fecundado, resultante da fusão entre um gameta feminino e um masculino.
20 Vagina: Canal genital, na mulher, que se estende do ÚTERO à VULVA. (Tradução livre do original
21 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
22 Descamação: 1. Ato ou efeito de descamar(-se); escamação. 2. Na dermatologia, fala-se da eliminação normal ou patológica da camada córnea da pele ou das mucosas. 3. Formação de cascas ou escamas, devido ao intemperismo, sobre uma rocha; esfoliação térmica.
23 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
24 Menarca: Refere-se à ocorrência da primeira menstruação.
25 Seios: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
26 Cólicas: Dor aguda, produzida pela dilatação ou contração de uma víscera oca (intestino, vesícula biliar, ureter, etc.). Pode ser de início súbito, com exacerbações e períodos de melhora parcial ou total, nos quais o paciente pode estar sentindo-se bem ou apresentar dor leve.
27 Costas:
28 Mamas: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
29 Acne: Doença de predisposição genética cujas manifestações dependem da presença dos hormônios sexuais. As lesões começam a surgir na puberdade, atingindo a maioria dos jovens de ambos os sexos. Os cravos e espinhas ocorrem devido ao aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilosebáceo, dando origem aos comedões abertos (cravos pretos) e fechados (cravos brancos). Estas condições favorecem a proliferação de microorganismos que provocam a inflamação característica das espinhas, sendo o Propionibacterium acnes o agente infeccioso mais comumente envolvido.
30 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
31 Dismenorréia: Dor associada à menstruação. Em uma porcentagem importante de mulheres é um sintoma normal. Em alguns casos está associada a doenças ginecológicas (endometriose, etc.).
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Comentários

21/11/2013 - Comentário feito por hemilly
Re: Ciclo menstrual: como ele é?
amei esta paginá porque estou na idade de já acontecer isso comigo daqui uns meses,ainda bem que eu estou lendo isso pois quando acontecer a minha primeira menstruaçao ja saberei tudo certinho . (y)

09/12/2012 - Comentário feito por ossimar
Re: Ciclo menstrual: como ele é?
parabens brilhantee claras as informações. recomendarei aos colegas.

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