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O que é psicoterapia?

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O que é psicoterapia?

Psicoterapia (do grego: psykhē = mente + therapeuein = curar) é uma técnica de tratamento de problemas psicológicos, visando restabelecer o funcionamento psíquico ótimo do paciente e permitindo que ele compreenda as causas do que lhe aflige, para encontrar recursos psíquicos para lidar com as dificuldades, redefinir traços de personalidade e solucionar problemas pontuais e questões de cunho existencial mais geral.

O termo psicoterapia cobre um espectro muito amplo de campos de abrangência e de modalidades técnicas (psicoterapia individual, de casal, de grupo, psicoterapia breve, psicoterapia de crise, psicoterapia psicanalítica, psicoterapia comportamental-cognitiva1 e muitas outras). O texto a seguir se refere apenas ao processo bipessoal que se passa entre terapeuta e paciente.

Da psicoterapia deve-se diferenciar tanto uma boa relação médico/terapeuta-paciente como um diálogo exortativo que seja edificante e reconfortante. Conquanto essas coisas possam ter um papel útil e uma grande significação na melhoria dos pacientes, têm efeitos menos específicos que a psicoterapia.

Chamada às vezes de “cura pela fala”, a psicoterapia se baseia no diálogo entre o paciente e um profissional, tradicionalmente um psiquiatra ou psicólogo preparado para esse mister. Na linguagem usual costuma-se chamar de psicoterapia toda tentativa de resolver problemas por meio de conversa. A psicoterapia, porém, é um diálogo especial, com regras específicas, em que o bom senso não é um ingrediente suficiente.

Existem vários tipos de psicoterapia, cada qual com formas e métodos próprios, mas que, na média, possuem algumas características em comum.

Como se processa a psicoterapia?

Em geral a psicoterapia se processa em encontros regulares entre o terapeuta e o cliente, quase sempre uma vez por semana, com duração de cerca de 50 minutos cada sessão. De início deve ser feito um diagnóstico2 consensual do problema a ser enfrentado, que pode ou não comportar testagem psicológica, o qual pode sofrer modificações ao longo do processo.

Em seguida deve ser estabelecido um contrato verbal de trabalho em que fiquem explicitadas as condições em que o tratamento decorrerá: dias, horários, papeis do terapeuta e do paciente, honorários, admissão ou não de outras pessoas, etc. O desenvolvimento do trabalho psicoterapêutico propriamente obedece as linhas teóricas a que cada profissional esteja filiado e segue certas regras procedimentais gerais.

Quais são as indicações básicas da psicoterapia?

A psicoterapia é indicada para tratar problemas psicológicos que não tenham uma causação orgânica ostensiva, como depressões reacionais, ansiedade, comportamentos neuróticos e dificuldades de relacionamento, entre outros problemas de saúde3 mental. Mesmo pessoas tidas como “normais” podem se beneficiar de uma psicoterapia ao ampliar o autoconhecimento e adquirir novos parâmetros de pensamento.

Leia sobre "Personalidade borderline", "Ansiedade", "Transtorno de esquiva" e "Transtorno obsessivo-compulsivo".

Quais são as regras básicas da psicoterapia?

É muito importante que o processo se dê por vontade do paciente e não de pessoas relacionadas a ele ou do terapeuta, casos em que ele não seria efetivo. Para que tenha êxito, a psicoterapia deve transcorrer num clima de ampla aceitação e moderada amistosidade, observadas algumas regras:

  1. O psicoterapeuta nunca deve propor temas a serem discutidos nem iniciar uma fala. A iniciativa da conversa deve sempre caber ao paciente. No máximo, o psicoterapeuta pode suscitar um assunto que lhe pareça estranhamente ausente da conversação ou excessivamente presente. No entanto, ao fazer isso o profissional não estará cobrando uma mudança de atitude do paciente, mas assinalando um ponto que lhe parece significativo para que o paciente considere. Se ocorrer alguma mudança, ela deve ser de inteira iniciativa do paciente.
  2. O psicoterapeuta irá assinalar incongruências, incoerências, lacunas e contradições na fala e no pensamento do paciente, às quais frequentemente não são percebidas por ele. Às vezes, o psicoterapeuta destacará e fará ênfase sobre algum elemento da própria fala do paciente que lhe pareça significativo para que ele reflita sobre ele. Nunca, no entanto, entrará em discussão verbal com o paciente, quer ele aceite ou não suas intervenções.
  3. O psicoterapeuta nunca falará de si próprio, nem dará conselhos ou transmitirá experiências, evitando colocar-se na posição daquele que sabe mais que o paciente. A psicoterapia não deve converter-se numa espécie de ensinamento. O psicoterapeuta apenas aduzirá dados que lhe pareçam estar faltando, para que o paciente faça suas próprias conclusões.
  4. O psicoterapeuta não fará anotações, a não ser de dados de identificação do paciente e datas de início e término do tratamento. Além de uma questão de segurança e sigilo, eventuais anotações apenas poderiam reproduzir dados, nunca o contexto emocional em que foram produzidos. O arquivo do psicoterapeuta é sua própria memória, razão pela qual ele deve ter, de cada vez, um número limitado de clientes.
  5. O terapeuta nunca deve se colocar como modelo para o paciente, mas aceitar que ele seja uma pessoa diversa de si. Isso implica em não querer impor valores, concepções ou experiências de vida. O psicoterapeuta nunca fará apreciações de ordem moral nem crítica às escolhas e preferências do paciente, sejam elas quais forem. Esse é o chamado “princípio da neutralidade”.

Quanto dura uma psicoterapia?

A duração de uma psicoterapia é muito variável em função de fatores imponderáveis, como o grau de dificuldades do paciente em fazer mudanças, a severidade das questões a serem abordadas, as técnicas utilizadas, etc. Tudo que se pode dizer é que em geral a psicoterapia é um processo longo. Não é como tomar um antibiótico, em que os resultados já são notórios na semana seguinte.

O término de uma psicoterapia deve ser decidido em comum acordo entre o cliente e o profissional. O psicoterapeuta não deve insistir na continuidade do tratamento se o paciente demonstra uma decidida vontade de encerrá-lo, nem deve interrompê-lo por um ato de vontade unilateral. É essencial que o processo transcorra por vontade do paciente e não do terapeuta, caso em que ele não perdura e não é efetivo.

Veja também sobre "Psicoterapias", "Depressões", "Transtorno bipolar do humor", "Distimia" e "Transtorno do Pânico".

 

ABCMED, 2017. O que é psicoterapia?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1293413/o+que+e+psicoterapia.htm>. Acesso em: 16 nov. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
2 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
3 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
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