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Doenças das mãos

segunda-feira, 28 de novembro de 2022
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Doenças das mãos

O que são doenças das mãos?

A maioria das doenças da mão afetam principalmente os dedos, embora haja algumas que também afetam a mão como um todo. Elas podem ser congênitas ou adquiridas, de natureza nervosa, muscular, articular ou infecciosa.

Seja como for, as doenças das mãos representam um grave prejuízo para a qualidade de vida individual, uma vez que as mãos são o principal instrumento para lidar com as atividades do dia a dia e para a realização de atividades criativas, além de serem um importante meio de defesa e contribuírem com certos automatismos do corpo, como o equilíbrio, por exemplo.

Leia sobre "Reumatismos inflamatórios sistêmicos", "Artrite: por que acontece" e "Dedos tortos e doloridos - pode ser artrose".

Quais são as principais doenças das mãos?

1. Contratura de Dupuytren

A contratura de Dupuytren é uma afetação dos tecidos situados abaixo da palma da mão (fáscia) que leva os nervos a sofrerem espasmos de longa duração. Com isso, os dedos vão sofrendo uma progressiva contração e com o tempo se tornam permanentemente contraídos, prejudicando as funções normais das mãos.

Contraturas leves não exigem nenhum tratamento. Nos demais casos, o tratamento deve ser, a princípio, conservador, com exercícios de extensão e aumento da extensibilidade da fáscia palmar, por meio de aplicação de calor por correntes ultrassônicas ou outros procedimentos. Em casos graves, com grande limitação das funções da mão, a deformidade pode ser corrigida por meios cirúrgicos.

2. Tenossinovite de Quervain

Tenossinovite de Quervain é uma condição inflamatória dolorosa que afeta as bainhas sinoviais e os tendões do pulso, do lado do polegar. Esses tendões prendem os músculos aos ossos das mãos. Embora a causa exata dessa condição não seja conhecida, toda atividade que se baseie em movimentos repetitivos da mão ou do punho pode piorar o quadro. A tenossinovite de Quervain também pode acontecer por lesões diretas ao pulso, por atividade cicatricial dos tendões e por artrite inflamatória. Ela é mais comum em mulheres, entre 30 e 50 anos, e pode estar associada à gravidez e aos cuidados com o bebê. Também trabalhos ou hobbies que envolvam movimentos repetitivos de mão e pulso podem contribuir para a enfermidade.

Os sintomas da tenossinovite de Quervain incluem sentir dor ao virar ou agarrar qualquer coisa ou fazer força, inchaço perto da base do polegar, dificuldade em mover o polegar e o pulso e uma sensação do polegar ficar "agarrado" ao movê-lo. O tratamento consiste numa combinação de repouso, imobilização, gelo, medicação anti-inflamatória e/ou infiltração de cortisona. A cirurgia para liberar a bainha do tendão raramente é necessária e fica reservada para inflamação persistente após falha dos outros tratamentos.

3. Fraturas do punho

Fraturas do punho podem ocorrer em qualquer um dos seus oito pequenos ossos ou nas extremidades dos dois ossos longos que se articulam com eles (rádio e cúbito). Algumas fraturas do punho são “sem desvios”. Isto é, os fragmentos ósseos não saem da sua posição inicial. Essas fraturas podem ser consideradas estáveis. Outras são “com desvio” e podem ser estáveis ou instáveis. Algumas vezes, o segmento ósseo que tenha sido reposto em seu lugar tende a permanecer aí. Nas fraturas instáveis, os fragmentos ósseos repostos tendem a sair do lugar e isso pode deixar o punho torto. As fraturas que quebram a superfície articular ou que se estilhaçam em vários pedaços podem se tornar instáveis. Elas podem requerer tratamento cirúrgico e recursos de fixação óssea para restaurar e manter o alinhamento ósseo.

Uma fratura do punho pode ocorrer de incidentes como uma queda, por exemplo, em que a mão seja usada como apoio, ou devido a traumas graves como acidentes de carro, moto, quedas de escadas, etc. A fratura no punho provoca dor, inchaço, aparência deformada ao punho e dificuldade para mexer ou usar a mão e o punho. Às vezes, há formigamento ou dormência nas extremidades dos dedos. O tratamento dependerá principalmente do tipo de fratura. Uma tala gessada pode ser utilizada inicialmente para alinhar os ossos, dar suporte ao punho e aliviar a dor. Nos casos simples, um gesso pode ser aplicado para manter a fratura reduzida. Outros casos podem necessitar de procedimentos cirúrgicos para recolocar e manter os fragmentos no lugar.

4. Luxações do punho

Luxações do punho acontecem quando há o deslocamento das extremidades de um ou mais ossos que compõem a articulação. As luxações de punho podem acontecer após traumas gerais, como quedas e pancadas, ou após traumas diretos na região. Elas podem ser totais ou parciais. Na luxação total, os ossos que formam a articulação ficam totalmente desligados um do outro. Na luxação parcial, também conhecida como subluxação, o ossos não se desligam completamente, mas o comprometimento do ligamento é tão grave quanto a própria luxação.

Os primeiros sintomas são as dores localizadas, dificuldade de movimentação, inchaço e formigamento. O tratamento é sempre cirúrgico. O ortopedista procurará reposicionar os ossos deslocados. Após a retirada da imobilização é indicada a fisioterapia, para recuperar corretamente os movimentos do punho e da mão.

5. Cisto sinovial

Um cisto sinovial é um tumor benigno que habitualmente apresenta-se como um pequeno nódulo arredondado e de consistência mole acima das articulações ou dos tendões, principalmente nas mãos e punhos. O cisto sinovial é uma bolsa que contém líquido sinovial. Ele é uma herniação de parte da sinóvia e da cápsula das articulações. Este “vazamento” de líquido sinovial para fora das articulações forma uma bolsa que pode ser facilmente vista e palpada. A teoria mais aceita para explicar o surgimento deles é de que pequenas lesões da cápsula articular, causadas por traumas ou esforço repetitivo, permitem o extravasamento de líquido sinovial para fora da articulação. É possível também que sejam formados a partir de um defeito na formação da articulação, já que o cisto sinovial pode surgir em pessoas sem história de traumas ou uso repetitivo da articulação.

O cisto sinovial é uma massa arredondada, de cerca de 1 a 3 centímetros, compressível e de consistência borrachosa, estando a pele acima íntegra e sem sinais inflamatórios. Pode surgir de repente ou ir crescendo aos poucos, ao longo do tempo, e pode desaparecer espontaneamente e reaparecer tempos depois. Ele não costuma provocar dor, a não ser que a massa esteja comprimindo algum nervo. Na maioria dos casos, nenhum tratamento é necessário. Em casos especiais, um tratamento médico está indicado (compressão, aspiração ou cirurgia).

6. Deformidades

As deformidades das mãos geralmente são inatas, mas podem também ser adquiridas. Entre as inatas encontram-se problemas de desenvolvimento; sindactilia, que é a fusão entre dois ou mais dedos das mãos ou dos pés; a polidactilia, que é o crescimento de dedos extranumerários; crescimento deficiente ou exagerado dos dedos; e outras. Membros superiores e mãos atrofiados podem ocorrer também. Entre as deformidades adquiridas encontram-se as devidas a doenças como a artrite reumatoide, sequelas de acidentes e as deformidades causadas por consolidações defeituosas de fraturas dos ossos da mão.

7. Lesão do tendão da mão

Os tendões flexores da mão e dos dedos correm pela palma das mãos e os tendões extensores pelo dorso delas. Lesões nessas partes da mão podem afetar os tendões, com graves prejuízos para o funcionamento dessa parte corporal. O tratamento é principalmente cirúrgico, seguido de fisioterapia intensiva para recuperar a funcionalidade das mãos.

Veja também sobre "Fratura exposta", "Fratura espontânea" e "Tumores ósseos".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da American Society for Surgery of the Hand, da Johns Hopkins Medicine e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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