AbcMed

A dor como relatada pelos pacientes

Tuesday, April 6, 2021
Avalie este artigo
A dor como relatada pelos pacientes

A dor

A dor corresponde a diferentes experiências sensoriais desagradáveis típicas que ocorrem em diferentes graus de intensidade, de simples desconforto à extrema agonia. A percepção, as reações e as qualificações da dor variam não somente de uma pessoa para outra, mas também de acordo com a cultura, sendo transformada por muitos fatores.

Portanto, é uma resposta subjetiva: cada indivíduo aprende e qualifica a sensação por meio de experiências relacionadas com lesões no início da vida. Portanto, o que se descreverá aqui pode não ter uma validade universal, mas descreve o que é mais frequente em nosso meio.

Leia sobre "Criança com dor de cabeça", "Enxaqueca", "Cefaleia em salvas" e "Neuralgia do trigêmeo".

Sobre a adjetivação da dor pelos pacientes

Muitas vezes o paciente não alega apenas estar sentindo dor, mas acrescenta a esse relato uma qualificação: dor em pontada, dor manhosa, dor em queimação, etc. Ele faz isso com a intenção de se tornar mais compreendido e transmitir às demais pessoas a ideia exata do que está sentindo e que supõe que elas também sintam o mesmo em situações semelhantes.

Ao médico, essa adjetivação, acompanhada de uma indicação do local do corpo onde essa dor incide, pode fornecer importantes informações diagnósticas. Praticamente ninguém descreverá como “em queimação” as dores de uma cólica renal, nem como “em pontadas” a dor de uma gastrite.

As principais adjetivações da dor usadas pelos pacientes

  1. Dor aguda: dor de variável intensidade, que surge de repente, podendo ir e vir intermitentemente. Por exemplo, uma dor de dentes.
  2. Dor em pontada: geralmente dor aguda e passageira que sugere ao paciente a ideia do que ele sentiria de estivesse sendo perfurado por uma punhalada, por exemplo. É comum que as pessoas falem em “pontadas no peito” e “pontadas no coração”.
  3. Dor em cólicas: a cólica é uma dor cíclica, que aumenta de intensidade até um pico e depois diminui. Afeta órgãos ocos como intestinos, útero, ureteres, etc. Por isso, fala-se em cólicas menstruais, cólicas renais, cólicas biliares, etc.
  4. Dor pulsátil: a dor pulsátil, também chamada de latejante, é uma dor que acompanha os ritmos cardíacos e cuja intensidade ou qualidade parece variar com eles. Acontece nos processos inflamatórios, sobretudo se houver coleção de pus. Os abscessos dentários ou outros, são exemplos típicos.
  5. Dor em queimação: transmitem a sensação de uma queimadura pelo calor ou por uma substância química adstringente. São exemplos as neurites periféricas e o refluxo esofagiano, respectivamente.
  6. Dor lancinante: dor aguda, sentida em pontadas. Dor pungente que causa tormentos muito dolorosos e que aborrece com insistência. A neuralgia facial do trigêmeo costuma ser referida assim.
  7. Dor em fisgada: é uma dor súbita, aguda e “fina”, de duração muito curta, que acontece devido à compressão de raiz nervosa nos forames vertebrais e depende de posturas adotadas pelas pessoas.
  8. Dor manhosa: é uma dor persistente, de baixa intensidade, mas incomodativa, que interfere nas atividades habituais das pessoas. Certas dores cabeça ou articulares são desse tipo.
  9. Dor crônica: é também uma dor de baixa intensidade, com a qual o indivíduo já se “acostumou”, seja porque aprendeu a tolerá-la, seja porque adaptou suas atividades a ela. Algumas dores articulares são descritas como “dor crônica”.

A classificação médica das dores

Para fins neurofisiológicos, os médicos reconhecem três tipos de dores:

  • Dor nociceptiva, que surge de problemas nos tecidos, os estímulos sendo levados ao cérebro pelo sistema nervoso. Por exemplo: uma picada de abelha, uma queimadura ou alteração nos órgãos, etc.
  • Dor neuropática, que surge de danos ao próprio sistema nervoso, central ou periférico, seja por doença, lesão ou compressão. Por exemplo: as dores ciáticas, as dores da esclerose múltipla, etc.
  • Outras, difíceis de enquadrar na classificação anterior, como, por exemplo, as enxaquecas. Esses tipos de dores podem se sobrepor se as lesões aos tecidos afetarem também os nervos, mas a distinção entre elas continua válida.

Para fins clínicos, os médicos costumam distinguir:

  1. Dor localizada, quando se restringe a uma região específica do corpo, como, por exemplo, um corte no dedo.
  2. Dor generalizada ou difusa, quando afeta muitas regiões do corpo ou todas elas, como nos casos da fibromialgia, por exemplo.
  3. Dor aguda, quando se manifesta transitoriamente por um período curto e na maioria das vezes com causas facilmente identificáveis.
  4. Dor crônica, que é aquela que excede seis meses, podendo ser definitiva. Quase sempre associada a um processo de doença crônica.
  5. Dor intermitente ou constante, conforme tenha ou não períodos de interrupção.
  6. Dores cutâneas, quando ocorre uma lesão na pele e as terminações nervosas enviam sinais que causam a percepção da dor. Geralmente são de curta duração, como queimaduras de primeiro grau e cortes superficiais.
  7. Dor somática, que tem origem nos ligamentos, ossos, tendões, vasos sanguíneos e nervos. É, por exemplo, a dor que uma pessoa sente quando quebra o braço ou torce o tornozelo.
  8. Dor visceral, que se origina nos órgãos e cavidades internas do corpo. Muitas vezes se manifesta em partes do corpo distantes da lesão. Por exemplo: um ataque cardíaco pode, primeiramente, causar dor no ombro, estômago, braço e mão.
Leia também sobre "Cólicas viscerais", "Cólicas menstruais", "Cálculos renais" e "Dor abdominal".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários
A dor como relatada pelos pacientes | AbcMed