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Refluxo esofagiano ou gástrico: o que é? Quais são as causas? Como são os sintomas, o diagnóstico e o tratamento? Tem jeito de evitar?

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O que é refluxo esofagiano ou gástrico?

O refluxo esofagiano ou gástrico, que mais corretamente deve ser chamado de refluxo gastroesofágico1, consiste no retorno de conteúdo do estômago2 para o esôfago3. O esôfago3 é um tubo muscular de mais ou menos 35 centímetros de comprimento, revestido de mucosa4 semelhante à da boca5, que tem a sua extremidade superior ligada à faringe6 e sua extremidade inferior ligada ao estômago2. Nos casos de refluxo, retorna do estômago2 um material ácido que não é apropriado ao esôfago3, embora ele também possa ser constituído de bile7 e, portanto, ser alcalino. O ácido gástrico8 agride a mucosa4 do esôfago3 e provoca a sua irritação ou ulceração9, o que causa desconfortos. O refluxo ácido pode chegar até a boca5, provocando ardor10, queimação, mal-estar e, em casos extremos, a morte, se for aspirado para a árvore brônquica11. A regurgitação12 que geralmente acompanha o refluxo gástrico é a percepção do retorno para o esôfago3 (e às vezes para a boca5) de conteúdos do estômago2.

Quais são as causas do refluxo gastroesofágico1?

Existe um esfíncter13 na passagem do esôfago3 para o estômago2 (válvula cárdia). A causa mais comum do refluxo gástrico é um defeito no fechamento desse esfíncter13, o qual se torna incapaz de reter o conteúdo do estômago2, provocando a sua regurgitação12 para o esôfago3. Em recém-nascidos e em crianças pequenas isso pode dever-se à imaturidade desse esfíncter13. Em adultos, vários fatores colaboram para que isso aconteça:

  • Herniação14 do orifício que separa o esôfago3 do estômago2.
  • Acidez elevada ou excessiva.
  • Produção de ácido gástrico8.
  • Síndrome15 de Zolliger-Ellison (aumento exagerado da secreção de gastrina16).
  • Hipercalcemia.
  • Esclerose17 sistêmica.
  • Cálculos vesicais (pedras na vesícula18).
  • Os alimentos condimentados ou gordurosos, o uso do cigarro e do álcool, as bebidas gaseificadas e os maus hábitos de alimentação (por exemplo, dormir logo após as refeições e o comer exageradamente) também ocasionam ou pioram o refluxo.

A obesidade19 e o tabagismo são fatores predisponentes comuns.

Refluxo

Quais são os sinais20 e sintomas21 do refluxo gastroesofágico1?

Os sintomas21 mais comuns são a azia22 (sensação de queimação retroesternal, ou seja, atrás do principal osso do peito23 que se chama esterno24) e a sensação de regurgitação12. Pode ocorrer também dor precordial25 em queimação, problemas respiratórios ou da orofaringe26 (tosse, pigarro ou rouquidão); dificuldades para engolir, dor torácica crônica, dor crônica no ouvido, dores agudas (pontadas) no tórax27, náuseas28 e sinusites.

Como o médico diagnostica o refluxo gastroesofágico1?

Como sempre em medicina, o primeiro passo diagnóstico29 deve ser a tomada de uma minuciosa história clínica. Uma endoscopia30 digestiva alta pode mostrar a presença de hérnia31 de hiato e uma inflamação32 da mucosa4 esofágica causada pelo ácido refluído, predominante na sua porção terminal. Em casos em que os sintomas21 sejam típicos, mas a endoscopia30 seja normal, pode-se proceder à medida do pH esofágico. A impedanciopHmetria (exame que registra o fluxo retrógrado de conteúdo gástrico33 independente de seu pH) pode mostrar a presença de refluxo não ácido.

Como o médico trata o refluxo gastroesofágico1?

Os sintomas21 de pirose34 e dor podem ser aliviados com a ingestão de antiácidos35 à base de hidróxido de magnésio e de alumínio ou medicamentos à base de ranitidina. Algumas medicações agem procurando acelerar o esvaziamento gástrico como a domperidona, metoclopramida e bromoprida ou, com maior efetividade ainda, os inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, lansoprazol, rabeprazol).

Deve-se também observar certas medidas como não deitar logo após as refeições e manter sempre elevada a cabeceira da cama. Devem ser evitados: cafeína, condimentos e bebidas gasosas.

Casos que não respondem ao tratamento clínico podem se beneficiar de cirurgia tradicional ou por laparoscopia36, que consiste na possível correção da hérnia31 de hiato ou da incontinência37 do esfíncter13 inferior do esôfago3.

Como prevenir o refluxo gastroesofágico1?

  • Tratar a hérnia31 de hiato, se o refluxo for causado por ela.
  • Evitar grandes quantidades de alimentos de uma só vez.
  • Evitar a prisão de ventre. Ela aumenta a pressão intra-abdominal e facilita o refluxo.
  • Não consumir bebidas gasosas, porque elas podem aumentar o desconforto.
  • Depois de comer, não se deitar ou abaixar durante pelo menos uma hora.
  • Evitar substâncias que relaxam o diafragma38, como o álcool.
  • Evitar o chocolate e a hortelã porque eles tendem a relaxar o esfíncter13 do hiato.
  • Não consumir alimentos gordurosos, como embutidos, carnes gordas, alimentos ou bebidas ricos em cafeína, como chocolates, chás e café, dentre outros.
  • Eliminar alimentos que irritam o estômago2 como as especiarias, as frutas cítricas, o suco de tomate, o picles e o vinagre.
  • Evitar o café e o cigarro.
  • Se estiver acima do peso, perder peso. O peso excessivo aumenta a pressão intra-abdominal e faz piorar o refluxo gastroesofágico1.
ABCMED, 2013. Refluxo esofagiano ou gástrico: o que é? Quais são as causas? Como são os sintomas, o diagnóstico e o tratamento? Tem jeito de evitar?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/363429/refluxo-esofagiano-ou-gastrico-o-que-e-quais-sao-as-causas-como-sao-os-sintomas-o-diagnostico-e-o-tratamento-tem-jeito-de-evitar.htm>. Acesso em: 6 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Refluxo gastroesofágico: Presença de conteúdo ácido proveniente do estômago na luz esofágica. Como o dito órgão não está adaptado fisiologicamente para suportar a acidez do suco gástrico, pode ser produzida inflamação de sua mucosa (esofagite).
2 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
3 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
4 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
5 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
6 Faringe: Canal músculo-membranoso comum aos sistemas digestivo e respiratório. Comunica-se com a boca e com as fossas nasais. É dividida em três partes: faringe superior (nasofaringe ou rinofaringe), faringe bucal (orofaringe) e faringe inferior (hipofaringe, laringofaringe ou faringe esofagiana), sendo um órgão indispensável para a circulação do ar e dos alimentos.
7 Bile: Agente emulsificador produzido no FÍGADO e secretado para dentro do DUODENO. Sua composição é formada por s ÁCIDOS E SAIS BILIARES, COLESTEROL e ELETRÓLITOS. A bile auxilia a DIGESTÃO das gorduras no duodeno.
8 Ácido Gástrico: Ácido clorídrico presente no SUCO GÁSTRICO.
9 Ulceração: 1. Processo patológico de formação de uma úlcera. 2. A úlcera ou um grupo de úlceras.
10 Ardor: 1. Calor forte, intenso. 2. Mesmo que ardência. 3. Qualidade daquilo que fulge, que brilha. 4. Amor intenso, desejo concupiscente, paixão.
11 Árvore brônquica: A árvore brônquica é formada pelos brônquios, bronquíolos, ductos alveolares, sacos alveolares e alvéolos, e é responsável por levar o ar aspirado pelas fossas nasais até o pulmão.
12 Regurgitação: Presença de conteúdo gástrico na cavidade oral, na ausência do reflexo de vômito. É muito freqüente em lactentes.
13 Esfíncter: Estrutura muscular que contorna um orifício ou canal natural, permitindo sua abertura ou fechamento, podendo ser constituído de fibras musculares lisas e/ou estriadas.
14 Herniação: Formação de uma protrusão, de uma hérnia. Também conhecida como herniamento.
15 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
16 Gastrina: Hormônio que estimula a secreção de ácido gástrico no estômago. Secretada pelas células G no estômago e no duodeno. É também fundamental para o crescimento da mucosa gástrica e intestinal.
17 Esclerose: 1. Em geriatria e reumatologia, é o aumento patológico de tecido conjuntivo em um órgão, que ocorre em várias estruturas como nervos, pulmões etc., devido à inflamação crônica ou por razões desconhecidas. 2. Em anatomia botânica, é o enrijecimento das paredes celulares das plantas, por espessamento e/ou pela deposição de lignina. 3. Em fitopatologia, é o endurecimento anormal de um tecido vegetal, especialemnte da polpa dos frutos.
18 Vesícula: Lesão papular preenchida com líquido claro.
19 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
20 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
21 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
22 Azia: Pirose. Sensação de dor epigástrica semelhante a uma queimadura, geralmente acompanhada de regurgitação de suco gástrico para dentro do esôfago.
23 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
24 Esterno: Osso longo e achatado, situado na parte vertebral do tórax dos vertebrados (com exceção dos peixes), e que no homem se articula com as primeiras sete costelas e com a clavícula. Ele é composto de três partes: corpo, manúbrio e apêndice xifoide. Nos artrópodes, é uma placa quitinosa ventral do tórax.
25 Precordial: Relativo ao ou próprio do precórdio, que é a região acima do estômago ou do coração, especialmente a região torácica anterior esquerda; anticárdio, fossa epigástrica.
26 Orofaringe: Parte mediana da faringe, entre a boca e a rinofaringe.
27 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
28 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
29 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
30 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
31 Hérnia: É uma massa circunscrita formada por um órgão (ou parte de um órgão) que sai por um orifício, natural ou acidental, da cavidade que o contém. Por extensão de sentido, excrescência, saliência.
32 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
33 Conteúdo Gástrico: Conteúdo compreendido em todo ou qualquer segmento do TRATO GASTROINTESTINAL
34 Pirose: Sensação de dor epigástrica semelhante a uma queimadura, ela pode ser acompanhada de regurgitação de suco gástrico para dentro do esôfago; azia.
35 Antiácidos: É uma substância que neutraliza o excesso de ácido, contrariando o seu efeito. É uma base que aumenta os valores de pH de uma solução ácida.
36 Laparoscopia: Procedimento cirúrgico mediante o qual se introduz através de uma pequena incisão na parede abdominal, torácica ou pélvica, um instrumento de fibra óptica que permite realizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos.
37 Incontinência: Perda do controle da bexiga ou do intestino, perda acidental de urina ou fezes.
38 Diafragma: 1. Na anatomia geral, é um feixe muscular e tendinoso que separa a cavidade torácica da cavidade abdominal. 2. Qualquer membrana ou placa que divide duas cavidades ou duas partes da mesma cavidade. 3. Em engenharia mecânica, em um veículo automotor, é uma membrana da bomba injetora de combustível. 4. Na física, é qualquer anteparo com um orifício ou fenda, ajustável ou não, que regule o fluxo de uma substância ou de um feixe de radiação. 5. Em ginecologia, é um método contraceptivo formado por uma membrana de material elástico que envolve um anel flexível, usado no fundo da vagina de modo a obstruir o colo do útero. 6. Em um sistema óptico, é uma abertura que controla a seção reta de um feixe luminoso que passa através desta, com a finalidade de regular a intensidade luminosa, reduzir a aberração ou aumentar a profundidade focal.
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Comentários

08/07/2013 - Comentário feito por Jefferson
Re: Refluxo esofagiano ou gástrico: o que é? Quais são as causas? Como são os sintomas, o diagnóstico e o tratamento? Tem jeito de evitar?
Parabens pela materia pessoal, sou praticante de farmacia e isso nos ajuda muito e com certeza aos estudantes de medicina tambem.

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