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Cefaleia em salvas - conheça esse distúrbio neurológico

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O que é cefaleia1 em salvas?

A cefaleia1 em salvas é um distúrbio neurológico caracterizado por dor intensa em um dos lados da cabeça2, localizada na têmpora e/ou em volta do olho3. As crises de episódios frequentes de dores de cabeça2, conhecidas como períodos de salvas, podem durar de semanas a meses, geralmente seguidas por longos períodos de remissão, que podem se estender por meses ou anos.

Quais são as causas da cefaleia1 em salvas?

A causa exata das cefaleias4 em salvas é desconhecida, mas os padrões da doença sugerem que as anormalidades no relógio biológico do corpo (hipotálamo5) têm um papel importante: elas podem ocorrer sazonalmente.

Ao contrário da enxaqueca6 e da cefaleia1 tensional, a cefaleia1 em salvas não está associada a fatores desencadeantes, como alimentos, alterações hormonais ou estresse, embora isso possa até acontecer em relação ao álcool.

Qual é o substrato fisiológico7 da cefaleia1 em salvas?

Embora muitas pessoas que têm ataques de cefaleia1 em salvas sejam fumantes, o parar de fumar geralmente não tem qualquer efeito benéfico sobre ela. O uso de álcool pode aumentar o risco de um ataque e há um risco maior nas pessoas que têm uma história familiar positiva para a doença, o que sugere que pode haver participação de um fator genético.

Saiba mais sobre "Parar de fumar", "Dores de cabeça2 - a maioria não é sinal8 de doenças graves" e "Cefaleia1 tensional".

Quais são as características clínicas da cefaleia1 em salvas?

A cefaleia1 em salvas é rara e, embora muito incomodativa, não apresenta risco de vida. Uma crise de cefaleia1 em salvas surge repentinamente, geralmente sem aviso, embora a pessoa possa primeiro ter náuseas9 e auras semelhantes às da enxaqueca6. Os homens são mais propensos a ter cefaleias4 em salvas que as mulheres e a doença acontece quase sempre em pessoas entre 20 e 50 anos, embora possa se desenvolver em qualquer idade.

As crises de dor de cabeça2 têm uma duração relativamente curta, mas podem durar de 15 minutos a 3 horas. Trata-se de dor excruciante (lancinante, que causa grande tormento), quase sempre unilateral, que se situa atrás e/ou ao redor de um dos olhos10, mas que pode se irradiar para outras áreas do rosto, cabeça2 e pescoço11. Ela é seguida por sinais12 e sintomas13 do lado em que a dor é sentida: inquietação, vermelhidão do olho3, inchaço14 ao redor do olho3, nariz15 entupido ou escorrendo, suor na testa ou face16, palidez ou rubor no rosto e pálpebras17 caídas. As crises de dores normalmente ocorrem durante um a três meses, ao qual se sucede um período livre de dor que pode durar meses ou anos.

Pessoas com cefaleia1 em salvas, ao contrário das que sofrem de enxaqueca6, que preferem se proteger de estímulos, tornam-se inquietas, tendem a andar de um lado para o outro ou sentar e se balançar para frente e para trás. Os períodos de crises de cefaleias4 em salvas duram de semanas a meses e podem ocorrer sazonalmente, principalmente na primavera ou outono. Durante um período de salvas, as dores de cabeça2 ocorrem todos os dias, às vezes várias vezes ao dia; os ataques costumam ocorrer no mesmo horário todos os dias, a maioria dos ataques ocorre à noite; a dor termina tão repentinamente quanto começou; depois dos ataques, a pessoa não sente dor, mas fica exausta.

Como o médico diagnostica a cefaleia1 em salvas?

O diagnóstico18 pode partir com bastante certeza da avaliação clínica do padrão típico das crises e do tipo característico de dor. Uma inspecção da face16 do paciente durante as crises mostrará os sinais12 descritos. Um exame neurológico pode ajudar o médico a detectar sinais12 físicos de um eventual distúrbio neurológico. Em pacientes com cefaleias4 em salva não complicadas esse exame geralmente será normal. Se ele levantar qualquer outra suspeita, o médico poderá solicitar exames de imagem para descartar outras causas de dor de cabeça2. Esses exames incluirão ressonância magnética19, tomografia computadorizada20 e PET-Scan (tomografia por emissão de pósitrons).

Como o médico trata a cefaleia1 em salvas?

Não existe, até o momento, cura conhecida para as cefaleias4 em salvas. O objetivo dos tratamentos disponíveis é diminuir a intensidade da dor, encurtar o período de dor de cabeça2 e prevenir as crises. Como a dor da cefaleia1 em salvas surge repentinamente e pode diminuir em pouco tempo, ela pode ser difícil de avaliar e tratar, pois requer medicamentos de ação rápida.

A administração de oxigênio puro por meio de uma máscara proporciona um grande alívio para a maioria dos pacientes. Os anestésicos locais, como a lidocaína, por seus efeitos entorpecentes, podem ser eficazes contra a dor de cabeça2 em salvas em algumas pessoas, quando administrado por via intranasal. Há também outros medicamentos, do grupo dos triptanos, ou a di-idroergotamina e o octreotide, que são usados, embora com menores resultados.

Em casos excepcionalmente graves, que não encontram alívio com medicamentos, os médicos podem recomendar uma cirurgia, que consiste em implantar um neuro-estimulador no gânglio21 esfenopalatino, operado por um controle remoto portátil, que pode proporcionar alívio rápido da dor e menor frequência de dores de cabeça2. A estimulação não invasiva do nervo vago é outra opção cirúrgica.

Como evoluem as cefaleias4 em salvas?

Uma vez que um período de cefaleias4 em salva começa, beber álcool pode rapidamente desencadear a dor de cabeça2. Por esse motivo, muitas pessoas com cefaleia1 em salvas devem evitar álcool, pelo menos durante o período de salvas.

Como prevenir as cefaleias4 em salvas?

A terapia preventiva começa no início do episódio de salvas, com o objetivo de suprimir os ataques. As medicações habitualmente usadas para isso são os bloqueadores dos canais de cálcio, os corticoides, carbonato de lítio e anticonvulsivantes como o topiramato.

Por orientação médica, a pessoa pode diminuir os medicamentos uma vez que a duração esperada do episódio de salvas termine. Além disso, nos casos mais severos, a injeção22 de um agente anestésico e/ou corticosteroide na área ao redor do nervo occipital, situado na parte posterior da cabeça2, pode melhorar as crises de cefaleias4 em salvas crônicas.

Leia também sobre "Enxaqueca6", "Maneiras de lidar com o estresse" e "Mitos e verdades sobre dor de cabeça2".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do NHS – National Health System e da Mayo Clinic.

ABCMED, 2021. Cefaleia em salvas - conheça esse distúrbio neurológico. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/dor-de-cabeca/1390220/cefaleia-em-salvas-conheca-esse-disturbio-neurologico.htm>. Acesso em: 23 jul. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Cefaleia: Sinônimo de dor de cabeça. Este termo engloba todas as dores de cabeça existentes, ou seja, enxaqueca ou migrânea, cefaleia ou dor de cabeça tensional, cefaleia cervicogênica, cefaleia em pontada, cefaleia secundária a sinusite, etc... são tipos dentro do grupo das cefaleias ou dores de cabeça. A cefaleia tipo tensional é a mais comum (acomete 78% da população), seguida da enxaqueca ou migrânea (16% da população).
2 Cabeça:
3 Olho: s. m. (fr. oeil; ing. eye). Órgão da visão, constituído pelo globo ocular (V. este termo) e pelos diversos meios que este encerra. Está situado na órbita e ligado ao cérebro pelo nervo óptico. V. ocular, oftalm-. Sinônimos: Olhos
4 Cefaléias: Sinônimo de dor de cabeça. Este termo engloba todas as dores de cabeça existentes, ou seja, enxaqueca ou migrânea, cefaléia ou dor de cabeça tensional, cefaléia cervicogênica, cefaléia em pontada, cefaléia secundária a sinusite, etc... são tipos dentro do grupo das cefaléias ou dores de cabeça. A cefaléia tipo tensional é a mais comum (acomete 78% da população), seguida da enxaqueca ou migrânea (16% da população).
5 Hipotálamo: Parte ventral do diencéfalo extendendo-se da região do quiasma óptico à borda caudal dos corpos mamilares, formando as paredes lateral e inferior do terceiro ventrículo.
6 Enxaqueca: Sinônimo de migrânea. É a cefaléia cuja prevalência varia de 10 a 20% da população. Ocorre principalmente em mulheres com uma proporção homem:mulher de 1:2-3. As razões para esta preponderância feminina ainda não estão bem entendidas, mas suspeita-se de alguma relação com o hormônio feminino. Resulta da pressão exercida por vasos sangüíneos dilatados no tecido nervoso cerebral subjacente. O tratamento da enxaqueca envolve normalmente drogas vaso-constritoras para aliviar esta pressão. No entanto, esta medicamentação pode causar efeitos secundários no sistema circulatório e é desaconselhada a pessoas com problemas cardiológicos.
7 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
8 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
9 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
10 Olhos:
11 Pescoço:
12 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
13 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
14 Inchaço: Inchação, edema.
15 Nariz: Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.
16 Face: Parte anterior da cabeça que inclui a pele, os músculos e as estruturas da fronte, olhos, nariz, boca, bochechas e mandíbula.
17 Pálpebras:
18 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
19 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
20 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
21 Gânglio: 1. Na anatomia geral, é um corpo arredondado de tamanho e estrutura variável; nodo, nódulo. 2. Em patologia, é um pequeno tumor cístico localizado em uma bainha tendinosa ou em uma cápsula articular, especialmente nas mãos, punhos e pés.
22 Injeção: Infiltração de medicação ou nutrientes líquidos no corpo através de uma agulha e seringa.
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