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Hipocalcemia e Hipercalcemia: o que significam para o organismo?

quinta-feira, 19 de novembro de 2020
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Hipocalcemia e Hipercalcemia: o que significam para o organismo?

O que é hipocalcemia e hipercalcemia?

Ambos os termos se referem à concentração de cálcio no sangue, cujo normal é um valor entre 4,3 e 5,2 mEq/L (miliequivalentes por litro). Uma quantidade insuficiente de cálcio no sangue é denominada hipocalcemia. Uma quantidade excessiva de cálcio no sangue é denominada hipercalcemia.

O que é o cálcio?

O cálcio é um elemento fundamental ao organismo que deve ser ingerido em quantidades adequadas a fim de impedir patologias em consequência da sua deficiência. A ingestão adequada de cálcio está diretamente ligada à formação óssea, principalmente nas fases da infância e adolescência. O cálcio é um dos minerais mais importantes no auxílio à maximização da massa óssea e na formação dos dentes, além de contribuir também para a prevenção de riscos de desenvolvimento de osteoporose e de fraturas na vida adulta e terceira idade.

Leia sobre "Hipercalcemia", "Osteoporose" e "Síndrome de Conn ou Hiperaldosteronismo primário".

Qual é o substrato fisiológico do cálcio no organismo?

O cálcio é um dos eletrólitos essenciais ao organismo, necessário na formação dos ossos e dentes, na contração muscular, no funcionamento normal de várias enzimas, na coagulação sanguínea e no controle do ritmo cardíaco normal. Em crianças em crescimento e formação, pode ser indicada uma suplementação adicional de cálcio.

Aproximadamente 99% do cálcio do organismo é armazenado nos ossos, mas ele também pode ser encontrado nas células (sobretudo nas células musculares) e no sangue. O organismo, por meio de seus mecanismos de controle, regula com exatidão a quantidade de cálcio existente em cada um desses reservatórios. Dessa forma, se as quantidades adequadas de cálcio não estiverem sendo fornecidas pela dieta, o cálcio será mobilizado dos ossos para a corrente sanguínea, reduzindo assim seu conteúdo nos ossos e aumentando a fragilidade destes. Para manter um nível normal de cálcio no sangue, sem enfraquecer os ossos, estima-se que uma pessoa precise consumir pelo menos 1.000 a 1.500 miligramas de cálcio por dia.

Os níveis de cálcio no sangue são regulados principalmente por dois hormônios: (1) o hormônio da paratireoide e (2) a calcitonina. Quando os níveis de cálcio no sangue diminuem, as glândulas paratireoides produzem uma quantidade maior de hormônio. Quando os níveis de cálcio no sangue aumentam, elas produzem uma quantidade menor desse hormônio. O hormônio da paratireoide exerce suas funções controlando os ossos para liberarem maior ou menor quantidade de cálcio no sangue, fazendo com que os rins excretem mais ou menos cálcio na urina, conforme o caso, e regulando a absorção de cálcio pelo trato digestivo. A calcitonina, produzida pelas células da tireoide, por sua vez, reduz os níveis de cálcio no sangue (apenas ligeiramente) ao reduzir a velocidade de decomposição dos ossos.

Quais são as causas da hipocalcemia e da hipercalcemia?

A hipocalcemia pode ser causada pelo hipoparatiroidismo, pela deficiência de vitamina D, pela remoção cirúrgica total da tireoide, por diurese, hemorragia ou vômito em excesso, pelo alcoolismo, por determinados medicamentos ou por doença renal crônica.

A hipercalcemia, por sua vez, tem como causas mais frequentes o hiperparatireoidismo primário devido a adenoma de paratireoide e a doença maligna dessa glândula. Ela pode ainda ser causada por insuficiência da glândula adrenal, predisposição genética, exagero de cálcio na dieta, hipertireoidismo, insuficiência renal, certos tipos de medicamentos, alguns tumores cancerosos, excesso de vitamina D na dieta ou doenças inflamatórias.

Saiba mais sobre "Hipoparatireoidismo", "Hiperparatireoidismo" e "Hipotiroidismo".

Quais são as características clínicas da hipocalcemia e da hipercalcemia?

A hipocalcemia em seus estágios iniciais pode não causar sintomas. Nos estados mais evoluídos, os sintomas podem incluir confusão ou perda de memória, espasmos musculares, dormência e formigamento nas mãos, pés e rosto, depressão, alucinações, cãibras musculares, unhas fracas e quebradiças, fratura fácil dos ossos, crescimento mais lento do cabelo e pele frágil e fina. As deficiências de cálcio podem também causar convulsões em pessoas saudáveis.

A hipercalcemia leve também pode não ter sinais ou sintomas. Os casos mais avançados de hipocalcemia podem produzir sede excessiva e micção frequente, dores de estômago, perda de apetite, náuseas, vômitos e constipação, enfraquecimento dos ossos, de onde o cálcio em excesso no sangue foi drenado, podendo causar dores e fraqueza muscular, confusão mental, letargia, fadiga e depressão. Raramente, a hipercalcemia grave pode interferir com a função cardíaca, causando palpitações e desmaios, indicações de arritmia cardíaca e outros problemas cardíacos.

Como o médico diagnostica hipocalcemia e hipercalcemia?

O diagnóstico da hipocalcemia ou da hipercalcemia deve começar pelos sintomas, contudo, tanto a hipo como a hipercalcemia leves podem não apresentar sintomas e a condição só pode ser diagnosticada após um exame de sangue. Se houver suspeita de uma dessas condições, o médico deve pedir um exame de sangue para avaliar o nível sanguíneo do cálcio e fazer um diagnóstico com base nos resultados. O exame verificará também os níveis sanguíneos do hormônio da paratireoide.

Ao mesmo tempo, o médico pode solicitar um eletrocardiograma (ECG) para registrar a atividade elétrica do coração, uma radiografia de tórax para verificar se há câncer de pulmão ou infecções, uma mamografia para verificar se há câncer de mama, uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética para examinar a estrutura e os órgãos do corpo e estudos de radiografias para medir a densidade óssea.

Como o médico trata a hipocalcemia e a hipercalcemia?

A hipocalcemia é fácil de tratar. Normalmente envolve adicionar mais cálcio à dieta. Os suplementos de cálcio comumente recomendados, disponíveis nas formas líquida e de comprimidos para engolir e mastigáveis, incluem (1) carbonato de cálcio, que contém o cálcio mais elementar, (2) citrato de cálcio, que é o mais facilmente absorvido e (3) fosfato de cálcio, que também é facilmente absorvido e não causa prisão de ventre. Às vezes, mudanças na dieta e suplementos orais podem não ser suficientes para tratar a deficiência de cálcio. Nestes casos, o médico pode regular os níveis de cálcio administrando injeções regulares de cálcio.

Pessoas com hipercalcemia leve podem não precisar de tratamento e os níveis podem voltar ao normal com o tempo. O médico deve monitorar periodicamente os níveis de cálcio e a saúde dos rins. Se os níveis de cálcio continuarem a aumentar, é importante descobrir a causa. O médico pode oferecer tratamentos para ajudar a reduzir os níveis de cálcio e prevenir complicações. Os tratamentos incluem fluidos intravenosos e medicamentos como calcitonina ou bifosfonatos. Se as glândulas paratireoides estiverem hiperativas, houver excesso de vitamina D ou outra condição de saúde, essas condições também deverão ser tratadas. Uma pessoa com um tumor não canceroso na glândula paratireoide pode precisar de cirurgia para removê-lo.

Veja sobre "Usos e abusos dos diuréticos", "Densitometria óssea", "Deficiência da vitamina D" e "Câimbras - causas e como evitar".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic, da U.S. National Library of Medicine e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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