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Como é a hipercalcemia e quando ela acontece?

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O que é hipercalcemia?

A hipercalcemia é uma condição em que o nível de cálcio no sangue1 está acima do normal. Esse nível pode subir por uma ingestão excessiva, por uma maior absorção, pela liberação do cálcio de seus depósitos naturais como os ossos, por exemplo, e por distúrbios endocrinológicos.

Quais são as causas da hipercalcemia?

A hipercalcemia geralmente resulta de uma hiperatividade das glândulas2 paratireoides. Essas glândulas2, localizadas próximas à tireoide3 e em número de quatro são, cada uma, do tamanho de um grão de arroz. Outras causas de hipercalcemia incluem casos de câncer4 de pulmão5, de mama6 e de alguns tipos de câncer4 do sangue1 e eventuais metástases7 ósseas.

A hipercalcemia pode ainda ocorrer em virtude de outros problemas de saúde8 ou da utilização de medicamentos, como o uso excessivo de suplementos de cálcio e de vitamina9 D. Doenças como a tuberculose10 e a sarcoidose11 podem aumentar os níveis sanguíneos de vitamina9 D e estimular o aparelho digestivo12 a absorver mais cálcio. Pessoas que passam grande parte do tempo sentadas ou deitadas em virtude de doenças podem desenvolver hipercalcemia porque os ossos que não mais suportam peso tendem a liberar cálcio para a corrente sanguínea. Certas drogas como o lítio, por exemplo, podem aumentar a liberação de hormônio13 da paratireoide e, assim, aumentarem a calcemia (taxa de cálcio no sangue1).

Existe uma doença genética rara conhecida como hipercalcemia hipocalciúrica familiar que provoca um aumento de cálcio no sangue1 em decorrência de receptores de cálcio defeituosos. A desidratação14 pode também ser uma causa de hipercalcemia leve e transitória, porque quando há menos fluido no sangue1, as concentrações de cálcio sobem. Se, por qualquer razão, como a osteoporose15, por exemplo, os ossos liberarem cálcio no sangue1, isso também causa hipercalcemia os enfraquecendo e levando a fraturas.

Qual é a fisiopatologia16 da hipercalcemia?

Além de participar na formação dos ossos, o cálcio é essencial para a transmissão de impulsos através dos nervos e para o correto exercício de outras funções importantes. As glândulas2 paratireoides regulam as taxas de cálcio no sangue1 secretando um hormônio13 que comanda os ossos para reterem ou liberarem cálcio, o aparelho digestivo12 para absorver cálcio e os rins17 para excretarem cálcio e ativarem a vitamina9 D. O delicado equilíbrio entre o muito e o pouco cálcio no sangue1 pode ser alterado por uma variedade de fatores: glândulas2 paratireoides hiperativas, tumores malignos como os de pulmão5, mama6 e alguns tipos de câncer4 do sangue1.

Quais são as principais características clínicas da hipercalcemia?

Os sinais18 e sintomas19 da hipercalcemia podem variar de inexistentes a graves. A hipercalcemia leve pode cursar sem eles, mas casos mais severos produzem sintomas19 relacionados às partes do corpo afetadas.

Demasiado cálcio no sangue1 pode enfraquecer os ossos, criar pedras nos rins17 e interferir com o funcionamento do coração20 e do cérebro21. A ação do cálcio nos rins17 pode causar sede excessiva, micção22 frequente e cálculos urinários. No sistema digestivo23, a hipercalcemia pode causar dor de estômago24, náuseas25, vômitos26 e constipação27 intestinal. O cálcio extraído dos ossos pode enfraquecê-los e causar dor óssea.

Algumas pessoas que têm hipercalcemia também podem sentir fraqueza muscular. A interferência da hipercalcemia no cérebro21 pode resultar em confusão mental, letargia28 e fadiga29.

Como o médico diagnostica a hipercalcemia?

Como a condição pode ser assintomática ou exibir apenas sintomas19 leves, a hipercalcemia muitas vezes só é detectada em exames de sangue1 de rotina. Exames específicos podem revelar os níveis de hormônio13 da paratireoide, indicando se o paciente tem ou não hiperparatireoidismo. Se há a suspeita de que a hipercalcemia seja causada por um problema subjacente, o médico poderá recomendar exames de imagem dos ossos ou pulmões30, por exemplo.

Como o médico trata a hipercalcemia?

O tratamento da hipercalcemia depende da sua causa subjacente. Se a hipercalcemia for leve, o médico poderá optar por monitorar os ossos e os rins17 do paciente ao longo do tempo e esperar para ter certeza de que eles permanecem saudáveis ou não. Em alguns casos, o médico pode recomendar medicamentos, como os calcimiméticos, que imitam os efeitos do cálcio circulante e ajudam a controlar as paratireoides hiperativas, ou bisfosfonatos, prednisona e fluidos e diuréticos31 intravenosos, nos casos mais graves. A cirurgia das próprias glândulas2 ou de problemas associados a elas muitas vezes tem efeito curativo. Em muitos casos, apenas uma das quatro glândulas2 paratireoides é afetada.

Quais são as complicações possíveis da hipercalcemia?

As complicações da hipercalcemia podem incluir osteoporose15, pedras nos rins17, insuficiência renal32, problemas do sistema nervoso33 e arritmia34 cardíaca (ritmo cardíaco anormal).

 

ABCMED, 2016. Como é a hipercalcemia e quando ela acontece?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/817729/como-e-a-hipercalcemia-e-quando-ela-acontece.htm>. Acesso em: 15 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
2 Glândulas: Grupo de células que secreta substâncias. As glândulas endócrinas secretam hormônios e as glândulas exócrinas secretam saliva, enzimas e água.
3 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
4 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
5 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
6 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
7 Metástases: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
8 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
9 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
10 Tuberculose: Doença infecciosa crônica produzida pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). Produz doença pulmonar, podendo disseminar-se para qualquer outro órgão. Os sintomas de tuberculose pulmonar consistem em febre, tosse, expectoração, hemoptise, acompanhada de perda de peso e queda do estado geral. Em países em desenvolvimento (como o Brasil) aconselha-se a vacinação com uma cepa atenuada desta bactéria (vacina BCG).
11 Sarcoidose: Sarcoidose ou Doença de Besnier-Boeck é caracterizada pelo aparecimento de pequenos nódulos inflamatórios (granulomas) em vários órgãos. A doença pode afetar qualquer orgão do corpo, mas os mais atingidos são os pulmões , os gânglios linfáticos (ínguas ), o fígado, o baço e a pele.
12 Aparelho digestivo: O aparelho digestivo ou digestório realiza a digestão, processo que transforma os alimentos em substâncias passíveis de serem absorvidas pelo organismo. Os materiais não absorvidos são eliminados por este sistema. Ele é composto pelo tubo digestivo e por glândulas anexas.
13 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
14 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
15 Osteoporose: Doença óssea caracterizada pela diminuição da formação de matriz óssea que predispõe a pessoa a sofrer fraturas com traumatismos mínimos ou mesmo na ausência deles. É influenciada por hormônios, sendo comum nas mulheres pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal, que administra estrógenos a mulheres que não mais o produzem, tem como um dos seus objetivos minimizar esta doença.
16 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
17 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
18 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
19 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
20 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
21 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
22 Micção: Emissão natural de urina por esvaziamento da bexiga.
23 Sistema digestivo: O sistema digestivo ou digestório realiza a digestão, processo que transforma os alimentos em substâncias passíveis de serem absorvidas pelo organismo. Os materiais não absorvidos são eliminados por este sistema. Ele é composto pelo tubo digestivo e por glândulas anexas.
24 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
25 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
26 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
27 Constipação: Retardo ou dificuldade nas defecações, suficiente para causar desconforto significativo para a pessoa. Pode significar que as fezes são duras, difíceis de serem expelidas ou infreqüentes (evacuações inferiores a três vezes por semana), ou ainda a sensação de esvaziamento retal incompleto, após as defecações.
28 Letargia: Em psicopatologia, é o estado de profunda e prolongada inconsciência, semelhante ao sono profundo, do qual a pessoa pode ser despertada, mas ao qual retorna logo a seguir. Por extensão de sentido, é a incapacidade de reagir e de expressar emoções; apatia, inércia e/ou desinteresse.
29 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
30 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
31 Diuréticos: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
32 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
33 Sistema nervoso: O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal e a porção periférica está constituída pelos nervos cranianos e espinhais, pelos gânglios e pelas terminações nervosas.
34 Arritmia: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
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