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Estenose aórtica

Tuesday, October 23, 2018
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Estenose aórtica

O que é a válvula aórtica?

A válvula aórtica, ou valva aórtica, é uma das quatro válvulas do coração humano, que fica entre o ventrículo esquerdo e a aorta. Ela é composta de um anel de sustentação, no qual normalmente são fixadas três cúspides ou folhetos (1 a 2% da população tem uma válvula aórtica congenitamente com dois ou quatro folhetos) que se ajustam perfeitamente quando a válvula se fecha e se afastam totalmente quando ela se abre. Nesses movimentos, ela permite que o sangue flua à frente quando ela se abre, na sístole cardíaca, e não reflua quando ela se fecha, na diástole cardíaca.

O que é estenose aórtica?

A estenose aórtica é uma condição em que a válvula aórtica se torna estreitada. Esse estreitamento impede que ela se abra completamente, o que reduz ou bloqueia o fluxo de sangue do coração para a aorta e daí para o restante do corpo. Quando o fluxo sanguíneo através da válvula aórtica é parcialmente bloqueado, o coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue necessário para o corpo. Eventualmente, este trabalho extra limita a quantidade de sangue bombeado e isso pode causar sintomas e espessar o músculo cardíaco.

Quais são as causas da estenose aórtica?

A estenose da válvula aórtica pode ocorrer devido a várias causas, incluindo:

  • Defeito cardíaco congênito: o principal defeito cardíaco congênito ocorre quando algumas crianças nascem com uma válvula aórtica que tem apenas uma, duas ou quatro cúspides, ao invés de três.
  • Acúmulo de cálcio na válvula: o acúmulo de cálcio na válvula pode acontecer porque o cálcio é encontrado no sangue circulante e com a idade as válvulas cardíacas podem acumular um depósito desse mineral, realizando a calcificação desta estrutura cardíaca. Como o sangue flui repetidamente sobre a válvula aórtica, depósitos de cálcio podem se acumular nas cúspides da válvula.
  • Febre reumática: é uma complicação da infecção de garganta por estreptococos, pode resultar na formação de tecido cicatricial que estreita a válvula.

Qual é o mecanismo fisiológico da estenose aórtica?

Quando a válvula aórtica é estreitada, o ventrículo esquerdo tem que trabalhar mais para bombear uma quantidade suficiente de sangue para a aorta e para o resto do corpo. Isso pode fazer com que a parede do ventrículo esquerdo se espesse e aumente de volume. Eventualmente, o trabalho extra que o coração tem de fazer pode enfraquecer o ventrículo esquerdo e o coração e isso pode levar à insuficiência cardíaca e a outros problemas.

Quais são as principais características clínicas da estenose aórtica?

A estenose da válvula aórtica varia de leve a grave. Algumas pessoas com estenose leve podem não apresentar sintomas por muitos anos. Os sinais e sintomas da estenose geralmente se desenvolvem ostensivamente quando o estreitamento é grave e podem incluir: sopro cardíaco, audível por meio de um estetoscópio; dor (angina) ou aperto no peito; sensação de fraqueza, tontura ou desmaio; falta de ar; fadiga e palpitações cardíacas.

Todos esses sintomas aumentam com a atividade. Além disso, principalmente em crianças, é comum que as pessoas não comam o suficiente, nem ganhem o peso normal para a idade.

Saiba mais sobre "Cardiopatias congênitas", "Febre reumática", "Insuficiência cardíaca", "Sopro cardíaco" e "Angina de peito".

Como o médico diagnostica a estenose aórtica?

Como primeiro passo para diagnosticar a estenose da válvula aórtica, o médico pode rever os sinais e sintomas, discutir o histórico de saúde do paciente e realizar um exame físico completo. Ouvindo o coração com um estetoscópio, um médico treinado em cardiopatias pode determinar se há sopro cardíaco que indique a condição anômala da válvula aórtica.

Além disso, ele pode solicitar exames para diagnosticar a condição e determinar a causa e a gravidade dela. Os testes podem incluir um ecocardiograma, um eletrocardiograma, radiografia de tórax, teste de esforço, tomografia computadorizada, ressonância magnética cardíaca e cateterismo cardíaco. Estes exames também podem ser usados para medir o tamanho da aorta e examinar a válvula aórtica mais de perto.

Como o médico trata a estenose aórtica?

O tratamento da estenose da válvula aórtica depende da gravidade da condição. Se os sintomas forem leves ou se o paciente não apresentar sintomas, o médico poderá monitorar sua condição com consultas regulares de acompanhamento.

Eventualmente, o paciente pode precisar de cirurgia para reparar ou substituir a válvula aórtica doente. Esta cirurgia é realizada através de uma incisão no peito, mas abordagens menos invasivas podem estar disponíveis, conforme o caso.

Como evolui a estenose aórtica?

A estenose da válvula aórtica pode ser tratada mesmo em lactentes e crianças. No entanto, a estenose tende a se estreitar novamente em adultos. Mesmo em adultos essa recidiva pode acontecer e por isso a cirurgia só é realizada em pacientes que estão muito doentes ou que estão aguardando uma substituição da válvula.

Como prevenir a estenose aórtica?

Algumas maneiras possíveis de prevenir a estenose da valva aórtica e as suas repercussões incluem tomar medidas para evitar a febre reumática, controlar a pressão arterial, a obesidade e os altos níveis de colesterol e cuidar dos dentes e das gengivas, porque pode haver uma ligação entre gengivite e endocardite.

Uma vez constatada a estenose da válvula aórtica, o médico pode recomendar que o paciente limite atividades que sobrecarreguem o coração.

Quais são as complicações possíveis da estenose aórtica?

Os efeitos de enfraquecimento cardíaco da estenose da válvula aórtica podem levar à insuficiência cardíaca. Os sinais e sintomas de insuficiência cardíaca incluem fadiga, falta de ar e tornozelos e pés inchados. Outras complicações incluem acidentes vasculares cerebrais, formação de coágulos sanguíneos, arritmias, infecções que afetam o coração e, em casos graves, morte.

Leia mais "Arritmias cardíacas", "Cardiopatia reumática", "Estenose mitral" e "Insuficiência da válvula mitral".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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