Gostou do artigo? Compartilhe!

Insuficiência da válvula mitral

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é a válvula mitral?

A válvula mitral, também conhecida como válvula bicúspide ou válvula atrioventricular esquerda, é uma válvula com dois flaps (folhetos), localizada entre o átrio esquerdo1 e o ventrículo esquerdo do coração2. A válvula mitral e a válvula tricúspide (entre o átrio direito3 e o ventrículo direito do coração2) são coletivamente conhecidas como válvulas atrioventriculares, pois ficam entre os átrios e os ventrículos do coração4.

O aparato valvular mitral compreende, além dos dois folhetos, o anel ao redor deles, chamado anel valvular mitral, e os músculos papilares5, que prendem os folhetos da válvula ao ventrículo esquerdo. As cordas tendíneas também estão presentes e conectam os folhetos valvulares aos músculos papilares5.

Em condições normais, a válvula mitral se abre durante a diástole6 e se fecha durante a sístole7 para permitir que o sangue8 flua do átrio esquerdo1 para o ventrículo esquerdo e não reflua no sentido inverso. O nome “mitral” se deve a que a válvula tem os seus folhetos parecidos com a mitra usada pelos bispos.

O que é insuficiência9 da válvula mitral?

Em condições anormais, a válvula mitral pode não se fechar completamente e o sangue8 pode refluir através dela. A insuficiência9 da válvula mitral, também chamada regurgitação10 mitral ou incompetência mitral, é um distúrbio do coração2 no qual a válvula mitral não se fecha adequadamente quando o coração2 expele o sangue8. É a regurgitação10 anormal de sangue8 para trás, do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo1, através da válvula mitral, quando o ventrículo esquerdo se contrai.

Fala-se de insuficiência9 mitral primária quando ela é devida a alguma deficiência de suas estruturas próprias e de insuficiência9 mitral secundária quando a insuficiência9 se deve a alterações de outras estruturas.

Quais são as causas da insuficiência9 da válvula mitral?

A disfunção de qualquer uma das partes do aparelho valvular mitral pode levar à insuficiência9 da válvula mitral e causar regurgitação10 do sangue8. O infarto do miocárdio11 é a causa mais comum de regurgitação10 mitral (cerca de 50% dos casos).

A degeneração12 mixomatosa da válvula mitral, mais comum em mulheres que em homens, é outra causa possível, assim como o avanço da idade, que provoca um alongamento dos folhetos e das cordas tendíneas da válvula, impedindo que os folhetos se unam completamente quando a válvula se fecha.

A febre reumática13 e a síndrome14 de Marfan são outras causas típicas. A estenose15 da valva mitral às vezes pode ser causa de regurgitação10 mitral e impedir a válvula de fechar completamente.

A insuficiência9 mitral secundária pode ser devido à dilatação do ventrículo esquerdo, causando estiramento do anel valvular mitral e deslocamento dos músculos papilares5. Essa dilatação do ventrículo esquerdo pode ocorrer por diferentes motivos, incluindo cardiomiopatia dilatada, insuficiência9 aórtica e miocardiopatia16 dilatada não isquêmica, entre outros. Como os músculos papilares5, cordas e folhetos valvulares estão normais, essa condição também é chamada de insuficiência9 mitral funcional.

Saiba mais sobre "Infarto do miocárdio11", "Febre reumática13" e "Síndrome14 de Marfan".

Quais são as principais características clínicas da válvula mitral?

A regurgitação10 mitral, se leve, pode permanecer assintomática. Se a regurgitação10 for mais grave, ou se houver fibrilação atrial, os pacientes podem sentir palpitações17 (sensação de batimentos cardíacos anormais) ou dispneia18 (falta de ar). Os pacientes com insuficiência cardíaca19 podem apresentar tosse, falta de ar mesmo em repouso, mas que piora durante o esforço, bem como inchaço20 nas pernas.

Como o médico diagnostica a insuficiência9 da válvula mitral?

No caso de diagnóstico21 de insuficiência9 da válvula mitral, o médico se vê diante da dupla tarefa de reconhecer a condição e de determinar a causa dela. O infarto do miocárdio11 pode ser reconhecido por meio do eletrocardiograma22, que pode indicar aumento do átrio esquerdo1 e hipertrofia23 ventricular esquerda e revela uma fibrilação atrial que pode levar à regurgitação10 mitral crônica.

Além disso, podem ser empregados radiografia do tórax24, ecocardiograma25 transesofágico e outros exames de imagens. O grau de gravidade do infarto do miocárdio11 pode ser quantificado pela fração regurgitante, que é a porcentagem do volume sistólico do ventrículo esquerdo que retorna para o átrio esquerdo1. A técnica ecocardiográfica para medir a fração regurgitante é determinar o fluxo para a frente através da válvula mitral durante a diástole6 ventricular e compará-la ao fluxo para fora do ventrículo esquerdo através da válvula aórtica na sístole ventricular26.

Leia sobre "Taquicardia27", "Falta de ar", "Insuficiência cardíaca congestiva28", "Eletrocardiograma22" e "Ecocardiograma25".

Como o médico trata a insuficiência9 da válvula mitral?

O tratamento da insuficiência9 da válvula mitral depende da gravidade da doença. Na insuficiência9 da válvula mitral por ruptura de um músculo papilar ou cordas tendíneas, devido a um infarto29 agudo30 do miocárdio31, o tratamento de escolha é a cirurgia da válvula mitral.

Os indivíduos com insuficiência9 da válvula mitral crônica podem ser tratados com medicamentos. Em geral, a terapia médica é não curativa e é usada para regurgitação10 leve a moderada ou em pacientes incapazes de tolerar a cirurgia.

A cirurgia, ao contrário, é curativa da regurgitação10 mitral. Há duas opções cirúrgicas para o tratamento da insuficiência9 da válvula mitral: a substituição da válvula ou o reparo dela. O reparo da válvula, quando um reparo é viável, é preferível à troca dela, uma vez que as válvulas de reposição biológica têm uma vida útil limitada de 10 a 15 anos, enquanto as válvulas de substituição sintética exigem o uso contínuo de diluentes para reduzir o risco de acidente vascular cerebral32.

Veja também sobre "Acidente vascular cerebral32", "Sopro cardíaco33", "Cardiopatias congênictas" e "Doenças cardiovasculares34".

 

ABCMED, 2018. Insuficiência da válvula mitral. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1323563/insuficiencia-da-valvula-mitral.htm>. Acesso em: 24 set. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Átrio Esquerdo: Câmaras do coração às quais o SANGUE circulante retorna.
2 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
3 Átrio Direito: Câmaras do coração às quais o SANGUE circulante retorna.
4 Ventrículos do Coração: Câmeras inferiores direita e esquerda do coração. O ventrículo direito bombeia SANGUE venoso para os PULMÕES e o esquerdo bombeia sangue oxigenado para a circulação arterial sistêmica. Sinônimos: Ventrículos Cardíacos; Ventrículo do Coração; Ventrículo Cardíaco
5 Músculos Papilares: Projeções musculares cônicas que estão implantados nas paredes dos ventrículos cardíacos. Ligam-se às cúspides das válvulas atrioventriculares através das cordas tendíneas.
6 Diástole: Período em que o miocárdio (músculo cardíaco) se relaxa. Nesta fase o sangue entra nos átrios, proveniente das veias e, em seguida, passa aos ventrículos.
7 Sístole: Período em que o miocárdio (músculo cardíaco) se contrai. Nesta fase, o sangue é ejetado dos ventrículos para as artérias.
8 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
9 Insuficiência: Incapacidade de um órgão ou sistema para realizar adequadamente suas funções.Manifesta-se de diferentes formas segundo o órgão comprometido. Exemplos: insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória.
10 Regurgitação: Presença de conteúdo gástrico na cavidade oral, na ausência do reflexo de vômito. É muito freqüente em lactentes.
11 Infarto do miocárdio: Interrupção do suprimento sangüíneo para o coração por estreitamento dos vasos ou bloqueio do fluxo. Também conhecido por ataque cardíaco.
12 Degeneração: 1. Ato ou efeito de degenerar (-se). 2. Perda ou alteração (no ser vivo) das qualidades de sua espécie; abastardamento. 3. Mudança para um estado pior; decaimento, declínio. 4. No sentido figurado, é o estado de depravação. 5. Degenerescência.
13 Febre reumática: Doença inflamatória produzida como efeito inflamatório anormal secundário a infecções repetidas por uma bactéria chamada estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Caracteriza-se por inflamação das articulações, febre, inflamação de uma ou mais de uma estrutura cardíaca, alterações neurológicas, eritema cutâneo. Com o tratamento mais intensivo da faringite estreptocócica, a freqüência desta doença foi consideravelmente reduzida.
14 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
15 Estenose: Estreitamento patológico de um conduto, canal ou orifício.
16 Miocardiopatia: Termo utilizado para se referir a doenças que afetam o músculo cardíaco.Suas causas são variadas sendo as mais freqüentes a isquemia e a hipertensão. Na América do Sul é importante a infecção pelo Tripanosoma Cruzi, causa da miocardiopatia chagásica. Quando não se encontra uma causa para a doença, ela é chamada miocardiopatia idiopática.
17 Palpitações: Designa a sensação de consciência do batimento do coração, que habitualmente não se sente. As palpitações são detectadas usualmente após um exercício violento, em situações de tensão ou depois de um grande susto, quando o coração bate com mais força e/ou mais rapidez que o normal.
18 Dispnéia: Falta de ar ou dificuldade para respirar caracterizada por respiração rápida e curta, geralmente está associada a alguma doença cardíaca ou pulmonar.
19 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
20 Inchaço: Inchação, edema.
21 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
22 Eletrocardiograma: Registro da atividade elétrica produzida pelo coração através da captação e amplificação dos pequenos potenciais gerados por este durante o ciclo cardíaco.
23 Hipertrofia: 1. Desenvolvimento ou crescimento excessivo de um órgão ou de parte dele devido a um aumento do tamanho de suas células constituintes. 2. Desenvolvimento ou crescimento excessivo, em tamanho ou em complexidade (de alguma coisa). 3. Em medicina, é aumento do tamanho (mas não da quantidade) de células que compõem um tecido. Pode ser acompanhada pelo aumento do tamanho do órgão do qual faz parte.
24 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
25 Ecocardiograma: Método diagnóstico não invasivo que permite visualizar a morfologia e o funcionamento cardíaco, através da emissão e captação de ultra-sons.
Sístole ventricular
26 Sístole ventricular: Sístole é o período de contração muscular das câmaras cardíacas que alterna com o período de repouso, diástole. A cada batimento cardíaco, as aurículas contraem-se primeiro, impulsionando o sangue para os ventrículos, o que corresponde à sístole auricular. Os ventrículos contraem-se ulteriormente, bombeando o sangue para fora do coração, para as artérias, o que corresponde à sístole ventricular.
27 Taquicardia: Aumento da frequência cardíaca. Pode ser devido a causas fisiológicas (durante o exercício físico ou gravidez) ou por diversas doenças como sepse, hipertireoidismo e anemia. Pode ser assintomática ou provocar palpitações.
28 Insuficiência Cardíaca Congestiva: É uma incapacidade do coração para efetuar as suas funções de forma adequada como conseqüência de enfermidades do próprio coração ou de outros órgãos. O músculo cardíaco vai diminuindo sua força para bombear o sangue para todo o organismo.
29 Infarto: Morte de um tecido por irrigação sangüínea insuficiente. O exemplo mais conhecido é o infarto do miocárdio, no qual se produz a obstrução das artérias coronárias com conseqüente lesão irreversível do músculo cardíaco.
30 Agudo: Descreve algo que acontece repentinamente e por curto período de tempo. O oposto de crônico.
31 Miocárdio: Tecido muscular do CORAÇÃO. Composto de células musculares estriadas e involuntárias (MIÓCITOS CARDÍACOS) conectadas, que formam a bomba contrátil geradora do fluxo sangüíneo. Sinônimos: Músculo Cardíaco; Músculo do Coração
32 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
33 Sopro cardíaco: Som produzido pela alteração na turbulência dos fluxos cardíacos, devido a anormalidades nas válvulas e divisões cardíacas. Também pode ser auscultado em pessoas normais sem doença prévia (sopro benigno ou inocente).
34 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Cardiologia?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.