AbcMed

Fator reumatoide - por que é importante dosar e conhecer?

Tuesday, December 28, 2021
Avalie este artigo
Fator reumatoide - por que é importante dosar e conhecer?

O que é fator reumatoide?

O fator reumatoide é um autoanticorpo que ataca e destrói tecidos saudáveis, como a cartilagem das articulações, por exemplo. A identificação de fator reumatoide no sangue é importante para investigar a presença de doenças autoimunes, como lúpus eritematoso, artrite reumatoide ou síndrome de Sjögren, nas quais normalmente há valores elevados dessa proteína no sangue.

No entanto, o fator reumatoide pode ser detectado também em algumas pessoas saudáveis, principalmente em idosos, e pessoas com doenças autoimunes podem apresentar níveis normais de fator reumatoide. Ou seja, ele é pouco específico.

Por que dosar o fator reumatoide?

A dosagem do fator reumatoide faz parte de um grupo de exames de sangue usado ​​principalmente para ajudar a identificar e concluir o diagnóstico de artrite reumatoide. Os outros exames são: anticorpo antinuclear, anticorpos de peptídeo citrulinado cíclico, proteína C reativa e taxa de sedimentação de eritrócitos.

A quantidade de fator reumatoide no sangue também pode ajudar o médico a escolher a abordagem de tratamento mais adequada para a situação em foco.

Para fazer o exame do fator reumatoide, uma pequena amostra de sangue é coletada de uma veia do braço do paciente e enviada a um laboratório para análise. Um resultado positivo, com fator reumatoide alto, é intimamente associado a doenças autoimunes, particularmente artrite reumatoide. Mas uma série de outras doenças e condições também podem aumentar os níveis de fator reumatoide, incluindo câncer, infecções crônicas, doenças inflamatórias pulmonares (como sarcoidose), doença mista do tecido conjuntivo, síndrome de Sjögren, lúpus eritematoso sistêmico, etc.

Veja sobre "Dor nas juntas", "Colagenoses" e "Polimialgia reumática".

Qual é o substrato fisiológico do fator reumatoide?

O fator reumatoide, uma classe de imunoglobulinas que têm diferentes tipos e afinidades, foi detectado pela primeira vez há mais de 70 anos, mas muita coisa continua a ser descoberta sobre sua produção, papel fisiológico e efeitos patológicos.

Waaler descreveu um anticorpo dirigido contra gamaglobulinas séricas que promoveu a aglutinação de hemácias de ovelha sensibilizadas por doses subaglutinantes de anticorpos de coelho em 1940, embora na verdade já tivesse sido encontrado em pacientes com cirrose hepática e bronquite crônica por Kurt Meyer em 1922.

Em 1948, Rose descreveu esses anticorpos em pacientes com artrite reumatoide e, em 1952, eles foram finalmente batizados de fatores reumatológicos por causa de sua associação frequente com a artrite reumatoide.

No entanto, embora devam seu nome à sua primeira detecção em pacientes com artrite reumatoide, o fator reumatoide, como foi dito, também é encontrado em pacientes com outras doenças autoimunes e não autoimunes, bem como em indivíduos saudáveis.

Quais são as implicações clínicas da presença do fator reumatoide?

A presença, ausência, níveis sanguíneos e tipos de fatores reumatoides presentes têm implicações importantes para o diagnóstico e prognóstico da artrite reumatoide. Os pacientes com fator reumatoide positivo podem apresentar a doença articular de modalidade mais agressiva e erosiva, com manifestações extra-articulares, como nódulos reumatoides e vasculite, do que aqueles que são negativos. Da mesma forma, altos níveis de fator reumatoide levariam a uma maior probabilidade de um paciente ter uma artrite reumatoide de pior prognóstico.

Além disso, o fator aparece nos pacientes com artrite reumatoide em momentos diferentes da enfermidade. Alguns pacientes realmente desenvolvem o fator reumatoide antes da doença sintomática, e esse início precoce do fator reumatoide tem sido associado a doenças mais graves. Há também pacientes nos quais o aparecimento do fator reumatoide ocorre após o aparecimento dos sintomas. No entanto, a maioria das pessoas assintomáticas, com fator reumatoide positivo, não progride para artrite reumatoide. O mecanismo que leva a essa variação não é claro.

Foi relatado que o teste do fator reumatoide em pacientes com artrite reumatoide apresenta uma sensibilidade de 60% a 90% e uma especificidade de 85%. Para aumentar a especificidade dos critérios de classificação dessa patologia, o exame de outras proteínas foi adicionado, especialmente anticorpos antiproteínas citrulinadas (ACPA). Os critérios para o diagnóstico de artrite reumatoide passaram a incluir tanto o fator reumatoide como a ACPA. Estudos demonstraram que a ACPA é mais específica que o fator reumatoide para o diagnóstico da artrite reumatoide. Assim, para o diagnóstico da artrite reumatoide inicial, além dos sinais e sintomas clínicos, a combinação dos resultados positivos do ACPA e do fator reumatoide fornece maior sensibilidade para conduzir ao diagnóstico.

A utilidade clínica do fator reumatoide para estimar o prognóstico e a resposta ao tratamento da artrite reumatoide é limitada. No momento, o monitoramento do nível de fator reumatoide exclusivamente para monitorar a atividade da doença não é recomendado. No entanto, ele pode ter algum papel na previsão da resposta ao tratamento a alguns agentes terapêuticos. Por exemplo, foi relatado que altos níveis pré-tratamento de fator reumatoide estão associados a uma resposta clínica insatisfatória aos tratamentos e que pacientes com fator reumatoide positivo têm uma resposta melhor que aqueles que são negativos.

Leia mais sobre "Artrites", "Artrite idiopática juvenil", "Artrite enteropática" e "Reumatismos inflamatórios sistêmicos".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da BDTD – Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, da Mayo Clinic e do National Institutes of Health.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários