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Oncogênese - Como se dá o processo de formação do câncer?

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O que é oncogênese?

A oncogênese (latim: onco = tumor1 + genesis = início, origem), que também pode ser chamada de carcinogênese, é um complicado processo de formação de tumores malignos, que se passa em várias etapas que acontecem lentamente, podendo levar vários anos, e pelas quais as células2 normais são transformadas em células2 cancerosas.

Os oncogenes (genes que levam ao câncer3) são genes relacionados com o aparecimento e crescimento de tumores, malignos ou benignos, e foram descobertos a partir de estudos feitos com retrovírus. Os tumores surgem quando os processos que controlam a divisão, localização e mortalidade4 da célula5 deixam de ocorrer adequadamente. Essa mudança envolve modificações genéticas que criam os oncogenes, os quais fazem com que as células2 cresçam e se comportem de maneira anormal.

Os chamados proto-oncogenes (células2 que podem dar surgimento aos oncogenes) são genes que normalmente ajudam as células2 a crescer, mas que quando sofrem mutações podem ficar permanentemente “ligados” ou ativados, fazendo com que as células2 cresçam desordenadamente, dando origem ao câncer3.

Leia sobre "Câncer3 - o que é", "Prevenção do câncer3", "Entendendo o que são metástases6" e "Linfonodo7 sentinela".

Como se dá o processo de formação do câncer3?

As células2 do organismo são formadas por três partes: (1) membrana celular8, a parte mais externa, que envolve a célula5; (2) citoplasma9, que é o “corpo” da célula5; e (3) núcleo, que contém os cromossomos10 – os quais, por sua vez, são compostos de genes.

Os genes são arquivos que guardam e fornecem instruções para a organização das estruturas, formas e atividades das células2 no organismo. Toda informação genética do indivíduo encontra-se inscrita nos genes, numa “memória química” que é o ácido desoxirribonucleico (DNA).

O câncer3 surge a partir de uma mutação11 dos genes, ou seja, de uma alteração no DNA da célula5, que passa a receber instruções erradas para seu funcionamento. As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados proto-oncogenes, que a princípio são inativos em células2 normais. Quando ativados, os proto-oncogenes tornam-se oncogenes, responsáveis por transformar as células2 normais em células2 cancerosas.

O processo de formação do câncer3 é lento, podendo levar vários anos para que uma célula5 cancerosa se prolifere e dê origem a um tumor1 visível. O início, promoção e progressão do tumor1 depende dos efeitos cumulativos de diferentes agentes cancerígenos. No entanto, devem ser consideradas também as características individuais, que facilitam ou dificultam a instalação do dano celular.

Esse processo de formação do tumor1 é composto por três estágios: 

  1. Estágio de iniciação, em que os genes sofrem a ação dos agentes cancerígenos, que provocam modificações em alguns deles. Nessa fase, as células2 já se encontram geneticamente alteradas, mas ainda não é possível detectar um tumor1 clinicamente. Elas encontram-se “preparadas” para a ação de um segundo grupo de agentes que atuará no próximo estágio.
  2. Estágio de promoção, em que as células2 geneticamente “preparadas” sofrem o efeito dos agentes cancerígenos e são, lenta e gradualmente, transformadas em células2 malignas. Alguns componentes da alimentação e a exposição excessiva e prolongada a hormônios são exemplos que levam à transformação de células2 “preparadas” em malignas. A suspensão do contato com esses agentes muitas vezes interrompe o processo nesse estágio pré-maligno.
  3. Estágio de progressão, que corresponde à multiplicação descontrolada e irreversível das células2 alteradas. Nesse estágio, o câncer3 já está instalado, evoluindo até o surgimento das suas primeiras manifestações clínicas.

As causas dos cânceres obedecem a um conjunto complicado de fatos e circunstâncias. Na maioria das vezes, são múltiplos os fatores que concorrem para causar um câncer3. Qualquer fator que danifique o DNA ou cause certas mudanças genéticas, por exemplo, aumentam o risco de câncer3. Chama-se carcinógenos a esses fatores ou substâncias que têm a potencialidade de levar a um câncer3.

Por exemplo, a exposição excessiva à radiação solar, que aumenta o risco de câncer3 de pele12; a exposição a substâncias presentes nos cigarros, que aumentam o risco de câncer3 de pulmão13; ou a reposição hormonal, que pode levar ao câncer3 de mama14; etc.

Algumas substâncias não causam danos diretos ao DNA, mas alteram a codificação genética de uma maneira que torna o câncer3 mais provável. No momento em que uma célula5 se torna cancerosa, ela adquiriu uma série de mutações genéticas que continua a transmitir às suas células2 filhas à medida que se divide.

As interrupções na função celular normal também podem aumentar o risco de câncer3, como acontece, por exemplo, no refluxo gastroesofágico15, uma condição na qual as células2 da parte terminal do esôfago16 não estão se comportando normalmente, mas ainda não estão agindo como células2 cancerígenas totalmente desenvolvidas. Há evidências crescentes de que esse e outros tipos de inflamação17 crônica também podem aumentar o risco de câncer3.

As infecções18 por certos tipos de vírus19 também podem aumentar o risco de câncer3. Em alguns casos, eles podem inserir material genético em células2 normais e, em outros casos, podem perturbar o sistema imunológico20, aumentando assim o risco de tumores malignos.

Por fim, são também de grande importância tanto a história familiar como a idade. A pessoa pode ter herdado de seus pais certos genes mais propícios ao câncer3 e, embora haja certos cânceres que ocorrem quase exclusivamente em crianças, o risco da maioria dos cânceres aumenta com a idade.

Quais são as diferenças entre o câncer3 e um tumor1 benigno?

Os tumores benignos compartilham algumas características com o câncer3. Eles podem também ter adquirido alguns arranjos genéticos que os fazem se comportar de maneira diferente do tecido21 normal e se dividir de forma descontrolada. Porém, um tumor1 benigno não é propenso à disseminação no corpo, enquanto um câncer3 verdadeiro tem a capacidade de invadir tecidos próximos e/ou criar metástases6 por todo o corpo.

Em raras circunstâncias, o tumor1 benigno pode passar a ser maligno e se espalhar, mas geralmente isso não acontece. Contudo, isso não quer dizer que o tumor1 benigno não gere problemas. Ele pode, por exemplo, crescer em demasia e/ou pressionar um órgão vital ou um vaso sanguíneo importante adjacente.

Saiba mais sobre “Lesões22 pré-cancerosas da pele12”, “Substâncias cancerígenas” e “Como limitar o consumo de álcool reduz o risco de câncer3”.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine e da Oxford Medicine.

ABCMED, 2022. Oncogênese - Como se dá o processo de formação do câncer?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/cancer/1411830/oncogenese-como-se-da-o-processo-de-formacao-do-cancer.htm>. Acesso em: 6 out. 2022.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
2 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
5 Célula: Unidade funcional básica de todo tecido, capaz de se duplicar (porém algumas células muito especializadas, como os neurônios, não conseguem se duplicar), trocar substâncias com o meio externo à célula, etc. Possui subestruturas (organelas) distintas como núcleo, parede celular, membrana celular, mitocôndrias, etc. que são as responsáveis pela sobrevivência da mesma.
6 Metástases: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
7 Linfonodo: Gânglio ou nodo linfático.
8 Membrana Celular: Membrana seletivamente permeável (contendo lipídeos e proteínas) que envolve o citoplasma em células procarióticas e eucarióticas.
9 Citoplasma: A parte da célula que contém o CITOSSOL e pequenas estruturas, excluindo o NÚCLEO CELULAR, MITOCÔNDRIA e os VACÚOLOS grandes. (Tradução livre do original
10 Cromossomos: Cromossomos (Kroma=cor, soma=corpo) são filamentos espiralados de cromatina, existente no suco nuclear de todas as células, composto por DNA e proteínas, sendo observável à microscopia de luz durante a divisão celular.
11 Mutação: 1. Ato ou efeito de mudar ou mudar-se. Alteração, modificação, inconstância. Tendência, facilidade para mudar de ideia, atitude etc. 2. Em genética, é uma alteração súbita no genótipo de um indivíduo, sem relação com os ascendentes, mas passível de ser herdada pelos descendentes.
12 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
13 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
14 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
15 Refluxo gastroesofágico: Presença de conteúdo ácido proveniente do estômago na luz esofágica. Como o dito órgão não está adaptado fisiologicamente para suportar a acidez do suco gástrico, pode ser produzida inflamação de sua mucosa (esofagite).
16 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
17 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
18 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
19 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
20 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
21 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
22 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
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