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Linfoma de Hodgkin: uma neoplasia com elevado potencial de cura

Friday, August 8, 2025
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Linfoma de Hodgkin: uma neoplasia com elevado potencial de cura

O que é linfoma de Hodgkin?

O Linfoma de Hodgkin (LH), anteriormente chamado doença de Hodgkin, é um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, parte integrante do sistema imunológico. O sistema linfático é composto por linfonodos (ou gânglios linfáticos), vasos linfáticos e outros tecidos que produzem linfócitos, células de defesa que podem sofrer transformação maligna. Além de atuar na defesa imunológica, o sistema linfático participa da drenagem de líquidos intersticiais do organismo.

O LH se origina, na maioria dos casos, nos linfonodos, que são pequenas estruturas em forma de feijão espalhadas pelo corpo, responsáveis por proteger contra microrganismos e outros agentes nocivos. A transformação maligna leva à formação da célula de Reed-Sternberg, considerada patognomônica. A presença dessa célula desencadeia uma resposta inflamatória local, sendo circundada por diversos tipos de células normais de defesa, formando, em conjunto, a massa tumoral característica da doença.

Leia também sobre "Outros tipos de linfomas" e "Linfoma não Hodgkin".

Quais são as causas do linfoma de Hodgkin?

As causas exatas do LH permanecem desconhecidas, mas sabe-se que se trata de uma doença adquirida, não hereditária. Estudos sugerem que o vírus Epstein-Barr (agente da mononucleose infecciosa) pode induzir alterações no DNA de linfócitos, favorecendo a transformação neoplásica.

São descritas mutações nos genes NF-κB (associado à sobrevivência celular) e JAK/STAT (relacionados à proliferação celular), além de alterações em genes supressores tumorais, como o SOCS1, e amplificação do locus 9p24.1. Estados de imunossupressão ou doenças autoimunes também aumentam o risco, possivelmente pela redução da vigilância imunológica.

O LH representa cerca de 20% dos linfomas e pode ocorrer em qualquer faixa etária, sendo mais comum em adultos jovens, entre 25 e 30 anos.

Qual é o substrato fisiopatológico do linfoma de Hodgkin?

O substrato fisiopatológico do LH está relacionado ao aparecimento de células neoplásicas específicas, as células de Reed-Sternberg (grandes, multinucleadas e anormais) em um microambiente inflamatório característico.

Essas células derivam de linfócitos B do centro germinativo que sofreram mutações genéticas e escaparam da apoptose. Apesar de apresentarem rearranjos nos genes de imunoglobulinas, não expressam imunoglobulinas funcionais. Embora correspondam a apenas 1–5% das células tumorais, secretam citocinas e quimiocinas que recrutam linfócitos T, macrófagos, eosinófilos e outras células inflamatórias, criando um microambiente de suporte à proliferação e sobrevivência tumoral.

 Quais são as características clínicas do linfoma de Hodgkin?

O LH pode surgir em qualquer local onde haja tecido linfoide, mas é mais frequente em linfonodos cervicais, mediastinais e axilares. O padrão de disseminação costuma ser contíguo, avançando de um grupo de linfonodos para o próximo.

Os sintomas podem ser gerais ou locais, dependendo da localização do acometimento.

  • Sintomas constitucionais (“B”): febre (>37,9 °C), sudorese noturna profusa e perda de peso não explicada (>10% em 6 meses).
  • Prurido cutâneo: frequentemente associado à pele seca, eritema e descamação; em alguns casos, pequenas vesículas nas mãos ou pés.
  • Linfadenomegalia: aumento indolor dos linfonodos, principalmente em pescoço, axilas ou virilhas.
  • Sintomas compressivos: tosse e dispneia em massas mediastinais; distensão abdominal e plenitude gástrica em acometimento abdominal ou retroperitoneal.

Como o médico diagnostica o linfoma de Hodgkin?

O diagnóstico requer anamnese detalhada, exame físico completo (com ênfase na palpação de linfonodos e avaliação de fígado e baço), exames laboratoriais e de imagem, além de confirmação histopatológica.

Exames laboratoriais podem revelar anemia, leucocitose, VHS elevada e alterações de proteínas séricas. Tomografia computadorizada e PET-CT são fundamentais para avaliar extensão e estadiamento. Ressonância magnética e radiografias têm uso mais restrito.

O diagnóstico definitivo depende da biópsia excisional do linfonodo acometido, que permite a identificação das células de Reed-Sternberg. Imuno-histoquímica com positividade para CD15 e CD30 ajuda a diferenciar o LH de outros linfomas. Após confirmação, o estadiamento de Ann Arbor (I–IV) é definido com base na extensão anatômica e nos sintomas.

Veja sobre "Linfoma de Burkitt", "Linfoma cutâneo", "Síndrome paraneoplásica" e "Leucemias".

Como o médico trata o linfoma de Hodgkin?

O LH é altamente curável na maioria dos casos. O tratamento depende do estágio e da presença de fatores prognósticos.

  • Quimioterapia: baseia-se em esquemas combinados (ex.: ABVD – doxorrubicina, bleomicina, vinblastina, dacarbazina), administrados por via intravenosa, geralmente por 2–6 meses.
  • Radioterapia: utilizada em áreas localizadas, isoladamente em estágios iniciais favoráveis ou combinada à quimioterapia.
  • Imunoterapia: inclui anticorpos monoclonais e conjugados (ex.: brentuximabe vedotina) para casos refratários ou recidivados.
  • Terapia-alvo: inibidores de checkpoint imune (ex.: nivolumabe, pembrolizumabe) têm papel crescente em doença recidivada.
  • Transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas: indicado para recidiva ou refratariedade após tratamento de primeira linha.
  • Transplante alogênico: reservado a casos selecionados, geralmente após falha do transplante autólogo.

Como evolui o linfoma de Hodgkin?

O prognóstico é favorável na maioria dos pacientes. As taxas de cura ultrapassam 80-85%, mesmo em alguns estágios avançados, especialmente quando não há doença volumosa e poucos sítios linfonodais estão acometidos. Idade, estado funcional, presença de sintomas “B” e carga tumoral influenciam diretamente nos resultados.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da U.S. National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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