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Linfonodo sentinela: o que é? Quando deve ser retirado?

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O que é linfonodo1 sentinela?

Dá-se o nome de linfonodo1 sentinela ao primeiro linfonodo1 (gânglio2 linfático3) a receber células4 malignas oriundas de um tumor5 canceroso primário através da circulação linfática6. Ele constitui a primeira barreira defensiva do organismo contra o espalhamento do câncer7 (contra as metástases8) e só depois dele outros linfonodos9 são afetados. Mas como pode acontecer que os linfonodos9 não dêem conta cabal de sua missão defensiva no organismo, algumas células4 malignas podem escapar e se alojar em órgãos à distância. As condições em que o linfonodo1 sentinela é encontrado indicam, com alto grau de precisão, o estado em que se encontram os outros linfonodos9 da região (axilar, inguinal etc.), mas mesmo um resultado negativo deles não exclui a possibilidade de metástases8 posteriores, embora isso seja mais raro.

Quando se indica a retirada do linfonodo1 sentinela?

A indicação maior da retirada do linfonodo1 sentinela faz-se nos casos de câncer7 de mama10 e para os raríssimos casos de carcinoma11 de células4 de Merkel (células4 que se localizam na camada basal da epiderme12, onde estão ligadas a terminais nervosos da pele13). Sua utilização em outros tipos de câncer7 ainda é experimental. O linfonodo1 sentinela orienta o médico quanto à direção da drenagem14 linfática do tumor5 e o estado em que se encontra, sugerindo ou não a retirada dos demais gânglios15 regionais.

Como se sabe qual é o linfonodo1 sentinela?

Um dos métodos de identificar o linfonodo1 sentinela é por meio de um exame feito antes da cirurgia de retirada do tumor5, chamado linfocintilografia, no qual uma substância radioativa é injetada na derme16 horas antes da operação, em regiões escolhidas de acordo com a localização do tumor5. Essa substância é absorvida pelas células4 cancerosas, gerando imagens que são captadas por uma sonda especial da radiação gama (geralmente um aparelho portátil que possui uma sonda de detecção e sistema de registro digital), permitindo, assim, a avaliação do exame pelo cirurgião. Em casos de câncer7 da mama10, o outro método consiste na injeção17 de um corante azul na região da aréola mamária minutos antes do procedimento cirúrgico, o qual é captado pelo linfonodo1 sentinela. Então o cirurgião procura na axila o linfonodo1 corado com esse azul e procede à retirada do mesmo. Ambos os métodos apresentam bons resultados e poucas complicações. Com o uso de substância radioativa, não é necessário nenhum preparo prévio para o exame; nem mesmo jejum ou suspensão de eventuais medicações que a paciente esteja tomando. Para realizar-se o exame, deve-se fazer a antissepsia do local da injeção17 com álcool e depois da injeção17 massagear bem o local. As injeções na pele13 podem provocar dor e ardência leves no local. Após a localização do linfonodo1 sentinela, a projeção dele na pele13 será demarcada com uma caneta especial no intuito de facilitar a sua localização pelo cirurgião. Durante a cirurgia de retirada do tumor5, o linfonodo1 acusado como de maior captação (linfonodo1 sentinela) também é retirado, através de uma pequena incisão18 na pele13 e examinado por um patologista19 durante a operação. Se o linfonodo1 estiver livre de células4 tumorais o procedimento termina aí. No caso de mostrar metástases8, os demais linfonodos9 da região comprometida devem também ser retirados. Depois da cirurgia, o linfonodo1 sentinela deve ser submetido a um exame histopatológico mais aprofundado, para detecção de células4 metastáticas e determinação do tipo delas.

O linfonodo1 sentinela no câncer7 de mama10

Embora essa não seja a única possibilidade, o linfonodo1 sentinela é mais comumente acessado em relação ao câncer7 de mama10. A presença ou não de metástases8 nos linfonodos9 axilares é um dos fatores mais importantes na avaliação das pacientes com câncer7 de mama10 e se relaciona diretamente com o prognóstico20, além de orientar o tratamento. Na verdade, a biópsia21 do linfonodo1 sentinela é considerada hoje em dia como padrão no câncer7 de mama10, porque a sua avaliação (positiva ou não) indicará se deve ou não ser feito o esvaziamento axilar convencional. No caso da mama10, as injeções do material radioativo22 para detectar o linfonodo1 sentinela devem ser feitas nos quatro pontos cardeais em volta da aréola. Depois de identificado, ele pode ser retirado cirurgicamente e encaminhado para avaliação histopatológica.

ABCMED, 2013. Linfonodo sentinela: o que é? Quando deve ser retirado?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/cancer/367424/linfonodo-sentinela-o-que-e-quando-deve-ser-retirado.htm>. Acesso em: 10 jul. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Linfonodo: Gânglio ou nodo linfático.
2 Gânglio: 1. Na anatomia geral, é um corpo arredondado de tamanho e estrutura variável; nodo, nódulo. 2. Em patologia, é um pequeno tumor cístico localizado em uma bainha tendinosa ou em uma cápsula articular, especialmente nas mãos, punhos e pés.
3 Linfático: 1. Na histologia, é relativo à linfa, que contém ou que conduz linfa. 2. No sentido figurado, por extensão de sentido, a que falta vida, vigor, energia (diz-se de indivíduo); apático. 3. Na história da medicina, na classificação hipocrática dos quatro temperamentos de acordo com o humor dominante, que ou aquele que, pela lividez das carnes, flacidez dos músculos, apatia e debilidade demonstradas no comportamento, atesta a predominância de linfa.
4 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
5 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
6 Circulação linfática:
7 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
8 Metástases: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
9 Linfonodos: Gânglios ou nodos linfáticos.
10 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
11 Carcinoma: Tumor maligno ou câncer, derivado do tecido epitelial.
12 Epiderme: Camada superior ou externa das duas camadas principais da pele.
13 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
14 Drenagem: Saída ou retirada de material líquido (sangue, pus, soro), de forma espontânea ou através de um tubo colocado no interior da cavidade afetada (dreno).
15 Gânglios: 1. Na anatomia geral, são corpos arredondados de tamanho e estrutura variáveis; nodos, nódulos. 2. Em patologia, são pequenos tumores císticos localizados em uma bainha tendinosa ou em uma cápsula articular, especialmente nas mãos, punhos e pés.
16 Derme: Camada interna das duas principais camadas da pele. A derme é formada por tecido conjuntivo, vasos sanguíneos, glândulas sebáceas e sudoríparas, nervos, folículos pilosos e outras estruturas. É constituída por uma fina camada superior que é a derme papilar e uma camada mais grossa, mais baixa, que é a derme reticular.
17 Injeção: Infiltração de medicação ou nutrientes líquidos no corpo através de uma agulha e seringa.
18 Incisão: 1. Corte ou golpe com instrumento cortante; talho. 2. Em cirurgia, intervenção cirúrgica em um tecido efetuada com instrumento cortante (bisturi ou bisturi elétrico); incisura.
19 Patologista: Estudioso ou especialista em patologia, que é a especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo.
20 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
21 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
22 Radioativo: Que irradia ou emite radiação, que contém radioatividade.
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