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Proteína C reativa - como é feito e o que diz o exame?

terça-feira, 3 de janeiro de 2023
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Proteína C reativa - como é feito e o que diz o exame?

O que é a proteína C reativa?

A proteína C reativa (PCR) é uma proteína sintetizada pelo fígado. Seus níveis sanguíneos aumentam em resposta à inflamação e por isso as dosagens dela são muito utilizadas para avaliar a possibilidade de existir alguma infecção ou processo inflamatório não visível, como apendicite, aterosclerose ou suspeita de infecções virais e bacterianas, por exemplo.

Ela reage às proteínas inflamatórias chamadas citocinas, que são produzidas pelos glóbulos brancos durante o processo inflamatório. Também pode ser usada para avaliar o risco que uma pessoa tem de desenvolver doenças cardiovasculares.

A proteína C reativa foi descoberta em 1930 por Tillet e Francis e o seu nome surgiu pelo fato de ter sido originalmente identificada no soro de pacientes com inflamação aguda que reagiam ao anticorpo “C” da cápsula do pneumococo.

Por que dosar a proteína C reativa?

O exame da PCR busca medir os níveis de proteína C reativa circulando no sangue do paciente, que o médico interpretará junto com os seus sintomas e outros exames, para fazer uma conclusão diagnóstica do paciente. Em geral, o exame de proteína C reativa funciona como um indicador de processos inflamatórios ou infecciosos do organismo, mesmo que o paciente não apresente sintomas claros e bem definidos.

Na verdade, ela é o principal marcador de fase aguda de processos inflamatórios e necróticos que ocorrem no organismo, principalmente processos inflamatórios associados a infecções bacterianas. Mas, é também um método inespecífico, ou seja, não é suficiente para diagnosticar qualquer doença determinada.

Ou seja, a PCR pode estar elevada no sangue devido a qualquer situação de inflamação no corpo. No entanto, a condição que levou a esta inflamação não é dada pelo exame e tem de ser investigada mais a fundo pelo médico.

O exame da PCR geralmente é realizado junto ao exame que mede a velocidade de sedimentação dos glóbulos vermelhos (VHS) e/ou ao exame de eritrossedimentação, os quais também são usados para detectar inflamações.

Ela pode ficar alterada quando há doenças como:

Além disso, o valor da PCR é útil também para indicar quais são os indivíduos com maior risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A proteína C reativa costuma ter seus níveis aumentados nesses processos e, por vezes, também em casos de doenças reumáticas, traumatismos ou cânceres, ainda que o paciente não apresente sintomas.

O exame pode ser feito ainda depois de cirurgias, para determinar sepse e outras condições. Em geral, diante da suspeita clínica de uma infecção, o exame de proteína C reativa é feito como teste inicial e, caso seus valores estejam elevados, o médico pode solicitar exames complementares para saber onde está localizada a inflamação e/ou o processo infeccioso.

Leia sobre "Donça de Crohn", "Colite ulcerativa" e "Síndrome do intestino irritável".

Como é feito o exame da proteína C reativa?

O exame da PCR não exige preparo prévio, a não ser que o médico recomende algum, mas é importante informar ao médico se o paciente tomou ou não medicamentos antes do exame, já que isso pode afetar o nível de PCR.

O exame consiste em obter uma amostra de sangue venoso, coletado de uma veia do braço, de modo convencional. Antes da inserção da agulha, o profissional coloca um elástico ao redor do braço para que as veias se encham de sangue e o local da punção é limpo com antisséptico. Depois que a agulha é inserida, uma pequena quantidade de sangue é coletada em um frasco ou seringa. O elástico é então removido para restaurar a circulação e o sangue continua a fluir para o frasco. Uma vez que haja sangue suficiente coletado, a agulha é removida e o local da punção é coberto com um pequeno curativo adesivo. Esse procedimento é relativamente indolor e leva apenas alguns minutos, após os quais o paciente é liberado.

Como valorar as taxas sanguíneas da proteína C reativa?

Os valores da PCR são medidos em mg/dL ou mg/L. Considera-se como normal uma dosagem da PCR ligeiramente abaixo de 0,3 mg/dL (ou 3 mg/L).

Em idosos, esse valor pode ser um pouco mais alto. Valores de PCR discretamente elevados, entre 0,3 mg/dL e 1,0 mg/dL, são comuns em quadros de pequenas inflamações, como é o caso de pessoas resfriadas ou com gengivite. A mesma coisa ocorre em obesos, diabéticos, hipertensos e pessoas com insuficiência renal, assim como fumantes, alcoólatras e sedentários.

Se a PCR estiver entre 1,0 mg/dL e 4,0 mg/dL, há um forte indício de intenso processo infeccioso ou inflamatório ativo. É o que ocorre com pessoas gripadas, com catapora, mononucleose, doenças reumáticas e alguns tipos de tumores.

Valores da PCR acima de 4,0 mg/dL indicam a existência de infecção bacteriana. Em um quadro de sepse, por exemplo, é comum ultrapassarem 20,0 mg/dL.

Pessoas com níveis de PCR persistentemente acima de 0,3 mg/dL têm alto risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Esse risco é considerado médio quando o resultado do exame PCR ultrassensível apresentar valores entre 0,1 mg/dL e 0,3 mg/dL. Valores abaixo de 0,1 mg/dL significam que a pessoa tem um baixo risco de desenvolver doença cardiovascular.

Valores baixos da PCR acontecem também em pessoas que tiveram grande perda de peso, praticam exercícios físicos intensos e fazem uso de alguns medicamentos. Quando a concentração sanguínea da PCR se eleva radicalmente é um alerta de que há um processo inflamatório em curso, como infecções, neoplasias, doenças reumáticas ou traumatismos.

Existem condições não inflamatórias e não infecciosas que podem alterar os níveis de PCR no sangue e influenciar o resultado do exame, tais como o uso de alguns anti-inflamatórios, aspirina, corticoides, estatinas, betabloqueadores, pílula anticoncepcional, terapia de reposição hormonal, uso de dispositivo intrauterino e exercício físico intenso.

Veja também sobre "Reumatismos inflamatórios sistêmicos", "Doenças autoimunes" e "Aterosclerose".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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