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Dispositivo intrauterino (DIU): como funciona? Quais as vantagens e desvantagens? Quando não deve ser usado?

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O que é dispositivo intrauterino (DIU)?

O dispositivo anticonceptivo intrauterino, popularmente conhecido como DIU, é uma peça que é inserida no útero1 por um ginecologista, de preferência durante o período menstrual, lá permanecendo durante cerca de cinco anos, em alguns casos ele pode permanecer no útero1 por até 12 anos. Em geral os dispositivos intrauterinos são feitos de polietileno, com ou sem adição de substâncias metálicas (cobre) ou hormonais (progesterona).

Qual o mecanismo de ação do dispositivo intrauterino (DIU)?

Basicamente, a ação do dispositivo intrauterino (DIU) consiste em criar um ambiente intrauterino hostil aos espermatozoides2, evitando a sua chegada até as trompas ou tendo efeito espermaticida. O útero1 reage ao dispositivo intrauterino (DIU) como a um corpo estranho, com uma reação inflamatória que interfere na migração dos espermatozoides2, na fertilização3 e no transporte do óvulo4, impedindo a nidação5 (fixação no útero1) do óvulo fecundado6, tanto por forma direta quanto por estimular uma reação inflamatória no útero1. Alguns desses dispositivos liberam hormônios que aumentam sua eficácia.

DIU

Quais são as possíveis reações causadas pelo dispositivo intrauterino (DIU)?

O DIU é bastante eficaz como método anticonceptivo, mas pode ter alguns efeitos secundários. Ele pode agravar as cólicas7 menstruais, aumentar o tempo do período menstrual em cerca de um dia ou provocar hemorragias8 uterinas. Isto é mais comum nos primeiros três meses após a colocação do dispositivo, após este período a tendência é a normalização do fluxo menstrual. Ele também pode facilitar o aparecimento de infecções9 uterinas, mas isso é raro.

Quais são as vantagens e as desvantagens do dispositivo intrauterino (DIU) em comparação aos outros métodos anticoncepcionais?

Vantagens:

  • O DIU é um método de longa duração e, uma vez implantado, a mulher não tem que ter preocupação diária com a contraconcepção.
  • Tem alta eficácia anticoncepcional.
  • O DIU é removível a qualquer momento que a mulher deseje.
  • O DIU evita as reações secundárias causadas pelos hormônios.

Desvantagens:

  • Possibilidade de aumentar o fluxo menstrual e as dores durante o período menstrual.
  • O DIU não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).
  • Com o uso prolongado do DIU, pode ocorrer diminuição ou mesmo cessação do fluxo menstrual (o que às vezes é considerado como uma vantagem por algumas mulheres).
  • Em casos raros, pode interferir com o ato sexual, causando dores.
  • Pode também causar cólicas7 e sangramentos independentes do período menstrual.
  • Em algumas mulheres, o DIU pode causar esterilidade10.

Quando não usar o dispositivo intrauterino (DIU)?

O dispositivo intrauterino (DIU) não deve ser usado:

  • Em casos de suspeita de gravidez11 (por isso ele deve ser colocado no período menstrual, além de ser a época que o colo uterino12 está mais amolecido).
  • Malformações13 congênitas14 do útero1.
  • Neoplasias15 uterinas.
  • Sangramento uterino de causa desconhecida.
  • Coagulopatias.
  • Doença inflamatória pélvica16 (DIP).
  • Cervicite17.
  • Risco de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Quais são os benefícios e os riscos do dispositivo intrauterino (DIU)?

Benefícios:

  • Normalmente, o DIU não interfere nas relações sexuais.
  • O DIU é um método anticonceptivo reversível.
  • O DIU pode ser inserido já durante a amamentação18.

Riscos:

  • Perfuração da parede do útero1 (rara).
  • O DIU pode deslocar-se ou sair do útero1, por isso deve ser feito um acompanhamento por um ginecologista com intervalos regulares e pré-estabelecidos.
  • Em caso de ocorrer gravidez11, há 50% de chances de abortamento19.
ABCMED, 2013. Dispositivo intrauterino (DIU): como funciona? Quais as vantagens e desvantagens? Quando não deve ser usado?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/352289/dispositivo-intrauterino-diu-como-funciona-quais-as-vantagens-e-desvantagens-quando-nao-deve-ser-usado.htm>. Acesso em: 24 set. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
2 Espermatozóides: Células reprodutivas masculinas.
3 Fertilização: Contato entre espermatozóide e ovo, determinando sua união.
4 Óvulo: Célula germinativa feminina (haplóide e madura) expelida pelo OVÁRIO durante a OVULAÇÃO.
5 Nidação: Implantação.
6 Óvulo Fecundado: ÓVULO fecundado, resultante da fusão entre um gameta feminino e um masculino.
7 Cólicas: Dor aguda, produzida pela dilatação ou contração de uma víscera oca (intestino, vesícula biliar, ureter, etc.). Pode ser de início súbito, com exacerbações e períodos de melhora parcial ou total, nos quais o paciente pode estar sentindo-se bem ou apresentar dor leve.
8 Hemorragias: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
9 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Esterilidade: Incapacidade para conceber (ficar grávida) por meios naturais. Suas causas podem ser masculinas, femininas ou do casal.
11 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
12 Colo Uterino: Porção compreendendo o pescoço do ÚTERO (entre o ístmo inferior e a VAGINA), que forma o canal cervical.
13 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
14 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
15 Neoplasias: Termo que denomina um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal e em certas situações pela invasão de órgãos à distância (metástases). As neoplasias mais frequentes são as de mama, cólon, pele e pulmões.
16 Doença inflamatória pélvica: Infecção aguda que compromete o trato genital feminino (ovários, trompas de Falópio, útero). Manifesta-se por dor, febre e descarga purulenta pela vagina.
17 Cervicite: Inflamação infecciosa do colo uterino.Pode não apresentar sintomas ou pode manifestar-se por dor no baixo ventre, secreção vaginal purulenta, dor ou “pontadas” associadas ao coito (dispareunia).
18 Amamentação: Ato da nutriz dar o peito e o lactente mamá-lo diretamente. É um fenômeno psico-sócio-cultural. Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar... A amamentação é uma forma de aleitamento, mas há outras formas.
19 Abortamento: Interrupção precoce da gravidez, espontânea ou induzida, seguida pela expulsão do produto gestacional pelo canal vaginal (Aborto). Pode ser precedido por perdas sangüíneas através da vagina.
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