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Conheça o sistema imunológico

Monday, March 14, 2022
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Conheça o sistema imunológico

O que é o sistema imunológico?

O sistema imunológico, ou sistema imune, é uma rede de processos biológicos que defende o organismo de doenças, garantindo proteção ao corpo e evitando que substâncias estranhas e agentes patógenos afetem negativamente a saúde das pessoas.

Ele é um sistema complexo que envolve uma série de células e órgãos que funcionam em conjunto, constituindo uma grande barreira de proteção. Ele detecta e responde à invasão do corpo por uma ampla gama de elementos, de vírus a vermes parasitas, além de células cancerígenas e objetos estranhos, distinguindo-os do tecido saudável do organismo.

Quase todos os organismos vivos têm algum tipo de sistema imunológico. Até mesmo as bactérias têm um sistema imunológico rudimentar na forma de enzimas que protegem contra infecções virais.

Há dois subsistemas principais do sistema imunológico humano: (1) o sistema imunológico inato e (2) o sistema imunológico adquirido ou adaptativo.

Veja sobre "Doenças autoimunes" e "Infecções oportunistas".

Sistema imunológico inato

O sistema imunológico inato está apto a fornecer uma resposta pré-configurada a um amplo grupo de situações e estímulos. Esse sistema, assim como o sistema imunológico adquirido, usa células e moléculas no desempenho de suas funções.

A inflamação é uma das primeiras respostas do sistema imunológico inato à infecção. Os sintomas da inflamação são vermelhidão, inchaço, calor e dor, que são causados ​​pelo aumento do fluxo sanguíneo no tecido afetado. Os produtos químicos liberados pelo processo inflamatório recrutam células imunes para o local da infecção e promovem a cicatrização de qualquer tecido danificado.

O sistema complemento, que é uma cascata bioquímica que ataca as superfícies de células estranhas, é assim denominado por sua capacidade de "complementar" a morte de patógenos por anticorpos. O complemento é o principal componente humoral da resposta imune inata.

Alguns leucócitos (glóbulos brancos) agem como auxiliares do sistema imunológico inato. Eles identificam e eliminam os microrganismos patógenos, seja atacando-os por meio de contato ou engolfando-os e matando-os. As outras células envolvidas na resposta inata incluem células linfoides inatas, mastócitos, eosinófilos, basófilos e células natural killer.

A fagocitose (englobamento de partículas pela membrana celular), realizada por células chamadas fagócitos, é uma característica importante da imunidade celular inata. O microrganismo patógeno é morto pela atividade de enzimas digestivas ou outros mecanismos menos comuns. Os fagócitos geralmente patrulham o corpo em busca de elementos patógenos, mas podem ser atraídos para locais específicos por substâncias chamadas citocinas, liberadas pela inflamação. Evolutivamente, a fagocitose parece representar a forma mais antiga de defesa do hospedeiro, pois pode ser encontrada mesmo em animais invertebrados.

As células linfoides inatas são um grupo de células imunes inatas que são derivadas do progenitor linfoide comum e que também atuam na defesa do organismo. As células chamadas natural killer são linfócitos componentes do sistema imunológico inato que não atacam diretamente os micróbios invasores, mas destroem as células hospedeiras comprometidas, como células tumorais ou células infectadas por vírus, etc.

Sistema imunológico adquirido

O sistema imunológico adquirido fornece uma resposta específica para cada estímulo e, por isso, mais forte. Ele permite uma memória imunológica, onde cada patógeno é "lembrado" por um antígeno específico, sendo capaz, assim, de reconhecer e combater o elemento nocivo em ocasiões posteriores à primeira invasão.

Ou seja, a imunidade adquirida cria uma memória imunológica que leva a uma resposta aprimorada quando de encontros subsequentes com o mesmo patógeno. A especificidade do antígeno permite a geração de respostas que são adaptadas a patógenos específicos ou células infectadas por patógenos. A capacidade de montar essas respostas personalizadas é mantida no corpo por "células de memória". Este processo de imunidade adquirida é a base da vacinação.

As células do sistema imunológico adquirido são tipos especiais de leucócitos, chamados linfócitos. Há dois tipos de linfócitos, chamados células B e células T. As células B são envolvidas na resposta imune humoral, enquanto as células T estão envolvidas na resposta imune mediada por células. Tanto as células B quanto as células T carregam receptores que reconhecem alvos específicos a que combaterem.

Existem dois subtipos principais de células T: a célula T assassina e a célula T auxiliar. Além disso, existem células T reguladoras que têm um papel na modulação da resposta imune. As células T “matadoras” ou assassinas são um subgrupo de células T que matam células infectadas com vírus e outros patógenos ou que estejam danificadas ou disfuncionais. As células T auxiliares regulam as respostas imunes inatas e adquiridas e ajudam a determinar as respostas imunes que o corpo produz a um patógeno específico. Essas células não matam células infectadas ou eliminam patógenos diretamente, mas direcionam outras células para realizar essas tarefas. As células T auxiliares têm uma associação mais fraca com o complexo do que o observado para as células T assassinas. A atividade da célula T auxiliar libera citocinas que aumentam a função microbicida dos macrófagos e a atividade das células T assassinas.

À medida que a célula B começa a se dividir, ela secreta milhões de cópias do anticorpo que reconhece o antígeno. Esses anticorpos circulam no plasma sanguíneo e na linfa, ligam-se a patógenos que expressam o antígeno e os marcam para destruição pelo complemento ou para captação e destruição pelos fagócitos.

Leia mais sobre "Imunoterapia", "Virose", "Citomegalovírus" e "Síndrome de Sjogren".

O sistema imunológico do recém-nascido

Os recém-nascidos não têm exposição prévia a micróbios e são particularmente vulneráveis ​​à infecção. Várias camadas de proteção passiva são fornecidas pela mãe. Durante a gravidez, um tipo específico de anticorpo, chamado IgG, é transportado da mãe para o bebê diretamente pela placenta, de modo que os bebês humanos têm altos níveis de anticorpos mesmo no nascimento, com a mesma variedade de especificidades de antígenos que a mãe.

O leite materno ou colostro também contém anticorpos que são transferidos para o intestino do lactente e protegem contra infecções bacterianas até que o recém-nascido possa sintetizar seus próprios anticorpos. Isso é imunidade passiva porque o feto não produz células de memória ou anticorpos – ele apenas as toma emprestado. Essa imunidade passiva geralmente é de curto prazo, durando de alguns dias a vários meses. Na medicina, a imunidade passiva protetora também pode ser transferida artificialmente de um indivíduo para outro.

Mais tarde, quando as células B e as células T começam a se replicar, alguns de seus descendentes tornam-se células de memória de longa duração. Ao longo da vida, essas células de memória se "lembram" de cada patógeno específico encontrado e podem montar uma resposta forte se ele for detectado novamente. Isso é "adaptativo" porque ocorre durante a vida de um indivíduo como uma adaptação às infecções por esse patógeno e prepara o sistema imunológico para desafios futuros.

Doenças que podem advir do sistema imunológico

Um mal funcionamento do sistema imunológico pode causar doenças autoimunes, doenças inflamatórias e câncer. Por sua vez, uma imunodeficiência pode resultar de uma doença genética, como a imunodeficiência combinada grave, por exemplo, ou de condições adquiridas, como a AIDS, ou do uso de medicação imunossupressora.

A imunodeficiência deixa o sistema imunológico menos ativo do que o normal e isso resulta em infecções recorrentes, até mesmo com risco de vida.

A autoimunidade resulta de um sistema imunológico hiperativo atacando tecidos normais como se fossem organismos estranhos. Exemplos comuns de doenças autoimunes incluem tireoidite de Hashimoto, artrite reumatoide, diabetes mellitus tipo 1 e lúpus eritematoso sistêmico.

A especialidade médica que abrange o estudo de todos os aspectos do sistema imunológico chama-se Imunologia.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Johns Hopkins Medicine, da Cleveland Clinic e do National Institutes of Health.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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