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Você sabe o que é rutina?

quarta-feira, 9 de março de 2022
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Você sabe o que é rutina?

O que é rutina?

A rutina, também conhecida como vitamina P, constitui um grupo de compostos vegetais chamados flavonoides. Quando, na década de 1930, foram extraídos pela primeira vez de uma laranja, pensava-se que eram um novo tipo de vitamina e chamaram-no de vitamina P. Logo depois, percebeu-se que não preenchiam todos os requisitos para uma vitamina e, desde então, a denominação de vitamina P não é mais usada.

Existem vários tipos de flavonoides encontrados em frutas, vegetais, chá, cacau e vinho. São eles que dão cor às plantas de que derivam, fornecem proteção a elas contra os raios ultravioleta do sol, contra infecções e podem oferecer algum benefício à saúde humana. No entanto, esses compostos não são essenciais à vida, como são as vitaminas, sem as quais não se consegue viver. A equivocadamente denominada vitamina P foi descoberta em 1936 pelo bioquímico húngaro Albert Szent-Gyorgyi.

Os flavonoides, também conhecidos como bioflavonoides, são uma família de compostos vegetais com seis subclasses. Eles existem nas plantas para ajudar a prevenir infecções, proteger contra o sol e estresses ambientais e atrair insetos para polinização. Eles também são responsáveis ​​pela cor de muitas frutas e vegetais de cores marcantes, como frutas vermelhas, cerejas e tomates. Atualmente, são conhecidos mais de 6.000 flavonoides, distribuídos em seis classes:

  1. Flavonóis, encontrados na alface, tomate, cebola, couve, maçã, uva, chás e vinho tinto, ligados a muitos benefícios diferentes para a saúde, incluindo um menor risco de doenças cardíacas.
  2. Flavonas, algumas vezes usadas também em produtos de beleza; são encontradas em tomates, peras, morangos e trigo.
  3. Flavanóis, encontrados em frutas como banana, amoras, pêssegos, maçãs e peras.
  4. Flavanonas, encontradas em todas as frutas cítricas, como laranjas, limões e toranjas; ajudam a tornar as infecções mais brandas, atuam como antioxidantes, reduzem o colesterol e favorecem níveis mais baixos de gordura no sangue.
  5. Isoflavonas, encontradas principalmente em leguminosas e soja e, menos comumente, em outras plantas. Algumas são consideradas fitoestrogênios, uma forma de estrogênio que pode ser obtido dos alimentos.
  6. Antocianidinas, presentes numa grande variedade de frutas e vegetais, como uvas vermelhas, framboesas, morangos, amoras, mirtilos e amora silvestre. A cor dessas frutas vermelhas, roxas e azuis vem das antocianinas.
Leia sobre "Micronutriente ou oligoelemento", "Macronutrientes" e "Dicas para melhorar a sua alimentação".

Usos terapêuticos da rutina

Os flavonoides não são considerados nutrientes essenciais. Isso significa que o corpo não precisa deles para crescer ou se desenvolver, mas comer alimentos ricos em flavonoides pode ajudar a diminuir o risco de certas doenças crônicas.

Ainda não se conhece todos os benefícios que os flavonoides podem proporcionar à saúde, mas já se sabe que alguns benefícios potenciais incluem efeitos antioxidantes. O corpo produz radicais livres, moléculas instáveis ​​que podem danificar as células. Esse dano pode levar à inflamação e contribuir para outros problemas como câncer e doenças cardíacas.

A inflamação tem sido implicada como uma possível origem de inúmeras doenças locais e sistêmicas como câncer, distúrbios cardiovasculares, diabetes mellitus e doença celíaca. Os flavonoides demonstraram ter efeitos antioxidantes, que ajudam a neutralizar os radicais livres, podendo ser úteis na prevenção de doenças crônicas, embora o corpo não os absorva tão bem quanto outros antioxidantes como a vitamina C, por exemplo. Eles também podem agir na prevenção de doenças cardíacas, diminuindo o risco delas.

Sua atividade antioxidante, além de atuar contra a inflamação, ajuda a diminuir a pressão arterial. Os flavonoides também reduzem o risco de diabetes tipo 2, melhorando a forma como o corpo digere os carboidratos e usa a glicose.

Quanto ao cérebro, os flavonoides agem diminuindo a inflamação e protegendo o sistema vascular que o irriga. Uma revisão recente sugeriu que a ingestão dietética de flavonoides está associada a um risco reduzido de diferentes tipos de câncer, incluindo câncer gástrico, de mama, de próstata e colorretal. Estudos observacionais e ensaios clínicos sobre os cânceres hormônio-dependentes (mama e próstata) mostraram benefícios dos flavonoides.

Embora nenhuma associação significativa tenha sido encontrada entre a ingestão de flavonoides e a mortalidade por doença cardiovascular, os ensaios clínicos mostraram melhora da função endotelial e redução da pressão arterial.

Enfim, a pesquisa sobre flavonoides é promissora, mas ainda é cedo para determinar todos os seus valores em relação à saúde. Embora eles não sejam essenciais para a saúde como as vitaminas, podem ser encontrados em muitas frutas e vegetais bons para o corpo. É sabido que uma boa alimentação desempenha um papel importante na saúde do coração e no risco geral de doenças.

Como ingerir flavonoides: dieta ou suplementos?

Ainda que a pessoa possua uma dieta rica em frutas e vegetais, não há necessariamente uma riqueza de flavonoides em seu organismo. O preparar e armazenar os alimentos faz com que eles percam alguns flavonoides. As frutas e legumes que precisam ser descascadas ou cozidas para serem comidas resultam em perda de flavonoides, assim como as cebolas guardadas fora da geladeira. Também fatores ambientais, como qualidade do solo e amadurecimento, devem ser levados em consideração.

Para aquelas pessoas que não têm muita ingestão de frutas e vegetais, existem inúmeros suplementos de flavonoides no mercado. A boa notícia é que não há efeitos adversos associados à alta ingestão deles e a má notícia é que tomar suplementos de flavonoides não é o mesmo que obtê-los naturalmente de frutas e vegetais, já que os alimentos possuem outras vitaminas e nutrientes que ajudam na absorção de flavonoides.

Ao optar por suplementos de flavonoides, é importante escolher ofertas de alta qualidade que tenham sido testados quanto à pureza. Mesmo monitorados pela vigilância sanitária dos países que os preparam, eles não são tão estritamente regulamentados quanto os produtos farmacêuticos, o que significa que nem sempre são absolutamente seguros e eficazes.

Outra má notícia é que a relativa falta de risco é devido à sua baixa biodisponibilidade. Isso pode explicar porque os flavonoides são antioxidantes incríveis em tubos de ensaio e muito menos no corpo humano. Além disso, alguns estudos lançam dúvidas sobre se os suplementos de flavonoides são realmente inofensivos.

Veja também sobre "Hipovitaminoses", "Suplementos alimentares" e "O que é uma alimentação saudável".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Revista Médica de Minas Gerais e da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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