Atalho: 6VNRWK6
Gostou do artigo? Compartilhe!

Doença celíaca: o que é? Quais as causas e os sintomas? Como é o diagnóstico e o tratamento? Existe prevenção?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é doença celíaca?

A doença celíaca pertence ao grupo das doenças chamadas autoimunes1, em que o organismo ataca a si mesmo. É uma doença crônica, que acomete tanto crianças como adultos, alterando a absorção normal na primeira porção do intestino. A doença celíaca causa atrofias2 das vilosidades mucosas3 do intestino delgado4, prejudicando a absorção de nutrientes, vitaminas, sais minerais e água. É uma doença muito comum, que afeta cerca de 1% da população, embora seja pouco diagnosticada, já que na maioria dos portadores não apresenta sintomas5 ou só os tem em grau mínimo. É mais comum em mulheres (2:1) e em parentes de primeiro grau de portadores da doença. Em geral se manifesta entre o primeiro e terceiro ano de vida, ocasião em que o glúten6 é introduzido na alimentação da criança, mas pode também surgir em qualquer idade, inclusive na vida adulta.

Quais são as causas da doença celíaca?

A doença celíaca é marcada por uma predisposição genética e é precipitada pela ingestão de alimentos que contenham glúten6, proteína que se encontra naturalmente no trigo, cevada, centeio, aveia e malte. Os portadores dessa doença não podem ingerir alimentos como pães, bolos, bolachas, macarrão, coxinhas, quibes, pizzas, cervejas, whisky, vodka e outros que contenham glúten6. Apesar de ser chamada, às vezes, de alergia7 ao glúten6, a doença celíaca não é uma doença alérgica.

Quais são os principais sinais8 e sintomas5 da doença celíaca?

A doença celíaca pode ser assintomática ou apresentar sintomas5 intestinais ou extraintestinais. Os principais sinais8 e sintomas5 da doença celíaca são diarreia9, perda de peso, deficiência de crescimento e de desenvolvimento das crianças e fadiga10. No entanto, essa tríade clássica pode não estar presente ou ser complicada com outros sintomas5. Embora seja uma doença intestinal, nem sempre os sintomas5 maiores se referem aos intestinos11. No entanto, são comuns: diarreia9, dores e distensão abdominais (devido à fermentação de gases) e intolerância à lactose12. Podem também haver sintomas5 relacionados à má absorção de ferro, ácido fólico, vitaminas B12 e vitaminas A, D, E e K.

Como o médico diagnostica a doença celíaca?

Diversos exames podem ser realizados para diagnosticar a doença celíaca, no entanto, os exames ficam comprometidos se o paciente já vier fazendo uma dieta livre de glúten6. Uma sorologia que meça determinados anticorpos13 no sangue14 ajuda em muito no diagnóstico15, embora não seja definitiva. Outros exames podem fornecer dados indiretos: dosagem dos níveis de eletrólitos16, de enzimas hepáticas17, de vitamina18 B12, de ácido fólico, etc., bem como exames da coagulação19 sanguínea. Recomenda-se ainda uma endoscopia20 para examinar o intestino delgado4 e, se for necessário, uma biópsia21. A endoscopia20 com biópsia21, em geral, fecha o diagnóstico15.

Como o médico trata a doença celíaca?

O único tratamento efetivo da doença é uma dieta estritamente sem glúten6, por toda a vida. As lesões22 intestinais começam a curar poucas semanas após o glúten6 ser removido da dieta e os níveis de anticorpos13 diminuem ao longo dos meses. O início precoce da dieta proteje o paciente das possíveis complicações da doença. O paciente deve estar bem informado sobre quais alimentos contém glúten6, o que geralmente requer a ajuda de um nutricionista23 ou nutrólogo.

Como prevenir a doença celíaca?

A única maneira de evitar os sintomas5 da doença celíaca é abster-se de alimentos que contenham glúten6.

Como evolui a doença celíaca?

A doença celíaca aumenta o risco de câncer24 intestinal.

Embora quase todos os pacientes fiquem livres da doença quando adotam uma dieta isenta de glúten6, numa pequena minoria dos casos os pacientes não melhoram, mesmo com uma dieta inteiramente livre de glúten6

ABCMED, 2013. Doença celíaca: o que é? Quais as causas e os sintomas? Como é o diagnóstico e o tratamento? Existe prevenção?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/341494/doenca-celiaca-o-que-e-quais-as-causas-e-os-sintomas-como-e-o-diagnostico-e-o-tratamento-existe-prevencao.htm>. Acesso em: 23 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Autoimunes: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
2 Atrofias: 1. Em biologia, é a falta de desenvolvimento de corpo, órgão, tecido ou membro. 2. Em patologia, é a diminuição de peso e volume de órgão, tecido ou membro por nutrição insuficiente das células ou imobilização. 3. No sentido figurado, é uma debilitação ou perda de alguma faculdade mental ou de um dos sentidos, por exemplo, da memória em idosos.
3 Mucosas: Tipo de membranas, umidificadas por secreções glandulares, que recobrem cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
4 Intestino delgado: O intestino delgado é constituído por três partes: duodeno, jejuno e íleo. A partir do intestino delgado, o bolo alimentar é transformado em um líquido pastoso chamado quimo. Com os movimentos desta porção do intestino e com a ação dos sucos pancreático e intestinal, o quimo é transformado em quilo, que é o produto final da digestão. Depois do alimento estar transformado em quilo, os produtos úteis para o nosso organismo são absorvidos pelas vilosidades intestinais, passando para os vasos sanguíneos.
5 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
6 Glúten: Substância viscosa, extraída de cereais, depois de eliminado o amido. É uma proteína composta pela mistura das proteínas gliadina e glutenina.
7 Alergia: Reação inflamatória anormal, perante substâncias (alérgenos) que habitualmente não deveriam produzi-la. Entre estas substâncias encontram-se poeiras ambientais, medicamentos, alimentos etc.
8 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
9 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
10 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
11 Intestinos: Seção do canal alimentar que vai do ESTÔMAGO até o CANAL ANAL. Inclui o INTESTINO GROSSO e o INTESTINO DELGADO.
12 Lactose: Tipo de glicídio que possui ligação glicosídica. É o açúcar encontrado no leite e seus derivados. A lactose é formada por dois carboidratos menores, chamados monossacarídeos, a glicose e a galactose, sendo, portanto, um dissacarídeo.
13 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
14 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
15 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
16 Eletrólitos: Em eletricidade, é um condutor elétrico de natureza líquida ou sólida, no qual cargas são transportadas por meio de íons. Em química, é uma substância que dissolvida em água se torna condutora de corrente elétrica.
17 Enzimas hepáticas: São duas categorias principais de enzimas hepáticas. A primeira inclui as enzimas transaminasas alaninoaminotransferase (ALT ou TGP) e a aspartato aminotransferase (AST ou TOG). Estas são enzimas indicadoras do dano às células hepáticas. A segunda categoria inclui certas enzimas hepáticas como a fosfatase alcalina (FA) e a gamaglutamiltranspeptidase (GGT) as quais indicam obstrução do sistema biliar, quer seja no fígado ou nos canais maiores da bile que se encontram fora deste órgão.
18 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
19 Coagulação: Ato ou efeito de coagular(-se), passando do estado líquido ao sólido.
20 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
21 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
22 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
23 Nutricionista: Especialista em nutricionismo, ou seja, especialista no estudo das necessidades alimentares dos seres humanos e animais, e dos problemas relativos à nutrição.
24 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Gastroenterologia?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.