Gostou do artigo? Compartilhe!

Síndrome das pernas inquietas: como é?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é a síndrome1 das pernas inquietas?

A síndrome1 das pernas inquietas é uma condição neurológica crônica do sono, durante a qual o indivíduo sofre uma compulsão involuntária2 de movimentar as pernas. Embora o distúrbio aconteça principalmente enquanto a pessoa dorme e chega a ser tão intenso que pode prejudicar o sono, pode ocorrer também durante o dia, em situações de relaxamento (ler, assistir televisão, ir ao cinema, voar etc.). Em casos mais graves pode comprometer também os braços. Acontece mais frequentemente com mulheres grávidas e pessoas acima dos 50 anos, embora possa acontecer em qualquer faixa etária, inclusive em crianças.

Quais são as causas da síndrome1 das pernas inquietas?

As causas da síndrome1 das pernas inquietas não são bem conhecidas. Possivelmente haja um componente genético (autossômico3 dominante), mas hoje se sabe que há também um distúrbio nos neurônios4 que utilizam a dopamina5 como transmissor de impulsos. A doença parece estar relacionada com o ferro, que é um pró-fármaco6 da dopamina5. Outros fatores relacionados com a doença são: varizes7, deficiência de folato ou magnésio, fibromialgia8, apneia9 de sono, uremia10, diabetes11, doenças da tireoide12, neuropatias, doença de Parkinson13, desordens autoimunes14, doença celíaca e artrite15 reumatoide. Também o uso de certos medicamentos ou a abstinência deles pode causar a síndrome1, bem como determinadas cirurgias, sobretudo as que afetam as costas16. Alguns pesquisadores associam a síndrome1 das pernas inquietas aos transtornos de déficit da atenção. A cafeína e o fumo parecem piorar a condição.

Quais são os principais sinais17 e sintomas18 da síndrome1 das pernas inquietas?

O principal sintoma19 da síndrome1 das pernas inquietas é uma vontade incontrolável e irresistível de movimentar as pernas, tão logo tenha se completado o movimento anterior. Ela é mais intensa nos momentos iniciais do sono, mas pode acontecer mais tarde durante o sono, acordando o indivíduo. A pessoa sente uma sensação estranha nos membros inferiores que descreve com palavras pouco precisas como “incômodo”, “pressão”, “alfinetadas”, “coceiras”, “impulsos elétricos”, “formigamento”, “arrepios”, “pontadas”, etc. e que se aliviam de forma imediata, mas passageira, com o movimento das pernas. Embora tipicamente aconteça durante a noite, pode ocorrer também durante o dia, enquanto o indivíduo está em atividades relaxadas. O caminhar, o andar de bicicleta ou o dirigir aliviam os sintomas18. Esses movimentos às vezes podem passar despercebidos pelo próprio indivíduo, mas serem perceptíveis para quem os observa. Em alguns casos trata-se de uma doença progressiva, enquanto que para outros os sintomas18 podem desaparecer espontaneamente.

Como o médico diagnostica a síndrome1 das pernas inquietas?

O diagnóstico20 da síndrome1 das pernas inquietas é eminentemente21 clínico, baseado na descrição dos sintomas18, mas pode ser confirmado pela polissonografia22, um exame em que o paciente dorme no laboratório, ligado a vários aparelhos que medem seus desempenhos fisiológicos. A polissonografia22, além disso, pode ajudar a afastar outras doenças do sono. A dosagem do ferro sérico pode contribuir para o diagnóstico20. Um teste físico pode ser realizado com o paciente mantido imóvel, com as pernas em hiperextensão23, o qual tende a gerar sensações parestésicas24 e movimentos periódicos de membros em quase todos dos pacientes com a síndrome1 das pernas inquietas, fazendo-se o registro eletroneuromiográfico do músculo tibial anterior25.

O distúrbio deve ser diferençado de certos movimentos rítmicos e repetitivos que aparecem quando a pessoa está distraída ou tensa (balançar as pernas, tamborilar os dedos, etc.), que nada tem a ver com a síndrome1 das pernas inquietas.

São critérios obrigatórios para diagnosticar a condição:

  • Desejo irresistível de movimentar as pernas.
  • Inquietude motora que tem como objetivo aliviar sensações parestésicas24 ou disestésicas26 nas pernas.
  • Piora quando em repouso relaxado, no fim do dia ou à noite.

Como o médico trata a síndrome1 das pernas inquietas?

O tratamento da síndrome1 das pernas inquietas tem por objetivo aliviar os sintomas18 e melhorar a qualidade de vida das pessoas, uma vez que em virtude de dormirem mal podem mostrar-se irritadiças, sonolentas e pouco produtivas. Ele inclui:

  • Uso de suplemento de ferro e de vitamina27 B12.
  • Uma boa higiene do sono, que significa encontrar o melhor horário para dormir e para acordar e manter o mesmo número de horas de sono todos os dias.
  • Exercícios físicos moderados diários.
  • Abster-se de todos os produtos que contenham cafeína (café, chás, refrigerantes, chocolate, etc.), bebidas alcoólicas e fumo ajuda no tratamento.
  • Alguns medicamentos podem ser utilizados, como os agonistas dopaminérgicos, os sedativos, os anticonvulsivantes e as medicações para dor, mas todos são de pequena eficácia.
ABCMED, 2013. Síndrome das pernas inquietas: como é?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/378799/sindrome+das+pernas+inquietas+como+e.htm>. Acesso em: 22 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
2 Involuntária: 1.    Que se realiza sem intervenção da vontade ou que foge ao controle desta, automática, inconsciente, espontânea. 2.    Que se encontra em uma dada situação sem o desejar, forçada, obrigada.
3 Autossômico: 1. Referente a autossomo, ou seja, ao cromossomo que não participa da determinação do sexo; eucromossomo. 2. Cujo gene está localizado em um dos autossomos (diz-se da herança de características). As doenças gênicas podem ser classificadas segundo o seu padrão de herança genética em: autossômica dominante (só basta um alelo afetado para que se manifeste a afecção), autossômica recessiva (são necessários dois alelos com mutação para que se manifeste a afecção), ligada ao cromossomo sexual X e as de herança mitocondrial (necessariamente herdadas da mãe).
4 Neurônios: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO. Sinônimos: Células Nervosas
5 Dopamina: É um mediador químico presente nas glândulas suprarrenais, indispensável para a atividade normal do cérebro.
6 Fármaco: Qualquer produto ou preparado farmacêutico; medicamento.
7 Varizes: Dilatação anormal de uma veia. Podem ser dolorosas ou causar problemas estéticos quando são superficiais como nas pernas. Podem também ser sede de trombose, devido à estase sangüínea.
8 Fibromialgia:
9 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
10 Uremia: Doença causada pelo armazenamento de uréia no organismo devido ao mal funcionamento renal. Os sintomas incluem náuseas, vômitos, perda de apetite, fraqueza e confusão mental.
11 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
12 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
13 Doença de Parkinson: Doença degenerativa que afeta uma região específica do cérebro (gânglios da base), e caracteriza-se por tremores em repouso, rigidez ao realizar movimentos, falta de expressão facial e, em casos avançados, demência. Os sintomas podem ser aliviados por medicamentos adequados, mas ainda não se conhece, até o momento, uma cura definitiva.
14 Autoimunes: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
15 Artrite: Inflamação de uma articulação, caracterizada por dor, aumento da temperatura, dificuldade de movimentação, inchaço e vermelhidão da área afetada.
16 Costas:
17 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
18 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
19 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
20 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
21 Eminentemente: De modo eminente; em alto grau; acima de tudo.
22 Polissonografia: Exame utilizado na avaliação de algumas das causas de insônia.
23 Hiperextensão: Extensão máxima ou excessiva. Em medicina, é a extensão de um membro ou parte dele além de sua capacidade normal.
24 Parestésicas: Relativo à parestesia; parestético. Parestesia é uma sensação anormal e desagradável sobre a pele que assume diversas formas (por exemplo; queimação, dormência, coceira etc.).
25 Músculo Tibial Anterior: Subtipo de músculo estriado fixado por TENDÕES ao ESQUELETO. Os músculos esqueléticos são inervados e seu movimento pode ser conscientemente controlado. Também são chamados de músculos voluntários.
26 Disestésicas: Relativo à disestesia ou ao portador dela. A disestesia é o enfraquecimento ou perda de algum dos sentidos, especialmente a perda do tato.
27 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Neurologia?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.

Comentários

22/10/2013 - Comentário feito por Gomes
Re: Síndrome das pernas inquietas: como é?
Desde pequeno sinto o problema, porém nesta época ocorria raramente, ou seja, somente quando viajava de ônibus cerca de quatro horas. Hoje tenho 44 anos. Devido a uma enxaqueca, há seis anos o neurologista receitou um antidepressivo. Comecei a toma-lo. A enxaqueca foi embora, mas a SPI veio como um rolo compressor. É como se tivesse acionado um gatilho, ou seja, passei a sentir as pernas todos os dias a noite. O engrassado é que sei quando vai começar. Geralmente sinto uma dor rápida como se estivessem enfiando uma agulha, e cada dia é num lugar diferente. Procurei uma clinica do sono, fiz a polissonografia e constatou-se a SPI. Foi-me receitado o remedio SIFROL ER 0,375mg. Pelo menos me deixa dormir todos os dias, mas já ouvi dizer que com o tempo o remédio não faz mais efeito. Procuro por noticias sobre pesquisas nesta área, porem encontro muito poucas e praticamente com os mesmos comentários. Ultimamente li uma que falava sobre excesso de glutamato no cérebro, porem pesquisas nada conclusivas. Só quem tem, sabe o tanto que é angustiante. Se alguém souber noticias atuais, por favor entrem em contato. Meu e-mail é gsramos31@ig.com.br. Por favor, só escrevam o que for útil. Obrigado.

16/09/2013 - Comentário feito por octacilio
Re: Síndrome das pernas inquietas: como é?
Pede para tomar CLORETO DE MAGNESIO PA vem com 33gms ou 50grs coloque em um litro de agua e tomo 3 vezes ao dia num copinho de cafe pela manha a tarde e a noite, isto vai resolver oproblema se for 50grs coloque em um litro e meio de agua, e um santo remedio

  • Entrar
  • Assinar