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Azotemia e suas características

segunda-feira, 27 de março de 2023
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Azotemia e suas características

O que é azotemia?

A azotemia (grego: azoto = nitrogênio + hemia = sangue) não é uma doença em si mesma e nem sempre é sintoma de uma doença, mas muitas vezes é sinal de desidratação ou um efeito colateral de medicamentos ou de uma dieta rica em proteínas.

Ela é uma alteração bioquímica caracterizada pela elevação sanguínea dos compostos nitrogenados, como ureia, creatinina, ácido úrico e proteínas no sangue, devido a causas pré-renais, renais ou pós-renais.

Quais são as causas da azotemia?

A azotemia pode ser resultado de qualquer condição que interfira na circulação sanguínea para os rins. Geralmente ela surge no contexto de uma filtração glomerular insuficiente e pode ter causas (1) pré-renais, (2) renais e (3) pós-renais.

As causas pré-renais devem-se a situações que diminuem o volume sanguíneo, interferindo na chegada de sangue aos rins. Por exemplo: insuficiência cardíaca, desidratação aguda, hipovolemia, deficiência de vitamina A, hemorragia, dieta rica em proteínas e aumento da concentração de cortisol devido a alguma doença de base.

A azotemia renal é causada por falha no processo de excreção das substâncias nitrogenadas pelos rins, levando ao aumento da concentração delas no plasma. Normalmente acontece devido a infecções renais, insuficiência renal, necrose tubular ou glomerulonefrite.

A forma pós-renal é marcada pelo aumento desproporcional da ureia em relação à creatinina devido a alterações do fluxo urinário ou obstrução das vias excretoras, podendo ser causada por cálculo renal ou tumor no sistema urinário, por exemplo.

Leia sobre "Avaliação da função renal", "Depuração da creatinina" e "Oligúria".

Qual é o substrato fisiopatológico da azotemia?

A presença de ureia e creatinina no sangue é normal, no entanto, quando há qualquer alteração nos rins ou que interfira na circulação sanguínea, a concentração dessas substâncias pode aumentar de modo a serem tóxicas para o organismo, podendo resultar em danos definitivos aos rins.

A azotemia pré-renal envolve um decréscimo da circulação sistêmica que chega ao rim, diminuindo a filtração de urina e estimulando a retenção de água e sais minerais, para manter os níveis da pressão arterial. O decréscimo da pressão arterial, por seu turno, leva o hipotálamo a secretar em maior quantidade o hormônio antidiurético, o que favorece aquelas retenções.

A azotemia renal refere-se à elevação nos níveis das substâncias nitrogenadas no sangue, devido a algum dano renal.

A azotemia pós renal diz respeito ao aumento das substâncias nitrogenadas resultante de alguma obstrução do sistema coletor, o que acaba por prejudicar a filtração normal da urina. A obstrução unilateral raramente causa azotemia, que é mais frequente nos casos (raros) de obstrução bilateral. Após 12 semanas de obstrução completa do sistema coletor de urina são causados danos irreversíveis ao sistema de filtração renal.

Quais são as características clínicas da azotemia?

As substâncias nitrogenadas acumuladas no sangue podem interferir na taxa de filtração glomerular e, em consequência, levar a danos progressivos e definitivos aos rins. A azotemia pode apresentar alguns sintomas como diminuição do volume total de urina, pele pálida, sede, boca seca, pulso rápido, cansaço excessivo, tremor, falta de apetite, coceira e dor abdominal.

Além desses sintomas, pode haver ainda dificuldade de concentração e atenção, confusão mental e alteração na cor da urina.

A frequência de azotemia é maior em pessoas com idade entre 45 e 65 anos. Deve-se registrar que, embora a azotemia frequentemente seja um sinal de doença renal, pode haver também doença renal, às vezes significativa, sem que ocorra azotemia.

Como o médico diagnostica a azotemia?

O diagnóstico da azotemia é feito principalmente por meio da dosagem de ureia e creatinina no sangue. Também devem ser verificados os níveis de proteínas totais e ácido úrico no sangue, além da realização de exame da urina de 24 horas, que permite avaliar a função dos rins.

Recursos de imagens como ultrassonografia e radiografias podem ser usados para visualizar o sistema excretor renal e identificar problemas específicos. Pacientes diagnosticados com azotemia devem considerar o risco aumentado de danos aos rins.

Como o médico trata a azotemia?

O tratamento imediato da azotemia visa corrigir o desbalanço da filtração renal e determinar rapidamente a sua causa para evitar danos aos rins. Fluidos intravenosos devem ser logo administrados para aumentar o volume de sangue circulante. Várias medicações ou medidas específicas devem ser usadas para tratar as causas particulares dessa condição. Em seguida, deve-se cuidar de normalizar a pressão arterial, geralmente baixa, e fortalecer a bomba cardíaca para impulsionar o sangue com maior vigor.

Pode ser recomendada uma dieta específica, de modo a favorecer a função renal e a prevenir danos aos rins. É aconselhável reduzir o consumo de carboidratos, aumentar a ingestão de vegetais e fibras e evitar o excesso de potássio e magnésio. Todas essas medidas visam normalizar a função renal.

Veja também sobre "Perda de proteína na urina", "Urina avermelhada ou amarronzada pela manhã", "Sangue na urina" e "Diálise peritoneal".

Como evolui a azotemia?

Quase sempre os pacientes com problemas pré-renais ou pós-renais se recuperam inteiramente, fazendo os tratamentos adequados. No entanto, se não tratadas a tempo, essas condições podem levar à insuficiência renal aguda.

Os pacientes que tenham azotemia em virtude de problemas renais podem ter uma evolução mais complicada e virem a necessitar de hemodiálise permanente.

A cirurgia pode ser necessária se houver bloqueio que não for resolvido com medicamentos.

Como prevenir a azotemia?

Algumas maneiras de prevenir a azotemia podem ser:

  • Manter uma alimentação equilibrada e restringir a ingestão de proteínas, que podem aumentar os níveis de ureia no sangue.
  • Manter uma boa hidratação.
  • Manter um controle adequado sobre qualquer doença renal.
  • Evitar o consumo excessivo de álcool e medicamentos prejudiciais aos rins.

Quais são as complicações possíveis com a azotemia?

As complicações mais temidas da azotemia incluem a falência renal aguda e a necrose tubular aguda, o que significa morte do tecido renal, as quais podem, por outro lado, ser a causa da azotemia.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Mount Sinai Hospital – NY e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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