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Hipertensão intracraniana idiopática

segunda-feira, 20 de março de 2023
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Hipertensão intracraniana idiopática

O que é hipertensão intracraniana idiopática?

A hipertensão intracraniana idiopática, também conhecida como pseudotumor cerebral, em virtude da semelhança dos sintomas entre ela e um tumor cerebral, é uma condição caracterizada por um aumento anormal da pressão dentro do crânio de um paciente lúcido e orientado, sem que haja uma causa orgânica conhecida.

Quais são as causas da hipertensão intracraniana idiopática?

A causa exata da hipertensão intracraniana idiopática ainda é desconhecida. O que se sabe é que há um excesso de volume do cérebro no interior do crânio do paciente, que se torna, assim, excessivo em relação ao seu continente, a caixa craniana. Os motivos conhecidos desse excesso em geral são:

  1. aumento da produção ou diminuição da absorção do líquido cérebro-espinhal;
  2. obstrução relativa do fluxo venoso, possivelmente em virtude de que os seios venosos sejam menores que o normal ou estejam impedidos;
  3. e aumento da massa cerebral por um tumor.

No entanto, na hipertensão intracraniana idiopática nenhum desses motivos pode ser claramente demonstrado.

Leia sobre "Zumbido no ouvido ou tinnitus", "Hérnias cerebrais", "Edema cerebral" e "Hemorragia subaracnoidea".

Qual é o substrato fisiopatológico da hipertensão intracraniana idiopática?

O crânio é uma caixa rígida, inextensível, formada pelos ossos do crânio e preenchida por líquido cefalorraquidiano, vasos sanguíneos e massa cerebral. Qualquer um desses elementos que sofra um aumento de volume faz aumentar a pressão intracraniana. Portanto, postula-se que a hipertensão intracraniana idiopática possa estar relacionada a algum motivo não detectado de uma das três teorias sobre o motivo pelo qual a pressão intracraniana possa estar elevada:

  1. Excesso de produção de líquor (líquido cefalorraquidiano) ou déficit na reabsorção dele. Dessas teorias, a mais antiga delas propõe um aumento da produção ou diminuição da reabsorção do líquido cefalorraquidiano, com consequente aumento dele nos ventrículos cerebrais.
  2. Aumento do volume de sangue no cérebro. Essa teoria postula que o aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro pode resultar numa pressão intracraniana elevada. No entanto, poucas evidências apoiam essa sugestão, embora estudos recentes tenham mostrado um aumento do teor de água do tecido cerebral nessas situações. Essa ideia foi proposta desde as primeiras descrições da doença, no entanto, não há dados experimentais que a sustentem como ocorrendo sempre.
  3. Aumento de volume do tecido cerebral devido a um ciclo de retroalimentação positivo, em que o aumento da pressão intracraniana causa estreitamento venoso nos seios transversais, resultando em mais hipertensão venosa, diminuição da reabsorção do líquido cefalorraquidiano e ainda mais aumento adicional da pressão intracraniana.

Quais são as características clínicas da hipertensão intracraniana idiopática?

A hipertensão intracraniana idiopática afeta mulheres jovens e obesas, ainda em idade fértil, embora possa afetar qualquer pessoa, incluindo crianças e homens. Os sintomas mais comuns são como os de um tumor no cérebro, mas não há tumor, e incluem dor de cabeça intensa, zumbido nos ouvidos, visão embaçada e, em casos mais graves, perda transitória de visão.

Como o médico diagnostica a hipertensão intracraniana idiopática?

O diagnóstico de hipertensão intracraniana idiopática deve partir de dados da história clínica e do exame físico. Para confirmar o diagnóstico e para excluir outras causas concorrentes, diversas investigações laboratoriais e de imagens se fazem necessárias. Na pressão intracraniana idiopática, esses exames podem parecer normais, embora vistos com atenção, os ventrículos estão apequenados e em forma de fenda e há dilatação das bainhas do nervo óptico e achatamento da glândula pituitária, devido ao aumento da pressão.

Tomografia computadorizada ou ressonância magnética podem ser usadas para excluir quaisquer lesões de massa. Uma venografia feita com o auxílio da ressonância magnética deve ser realizada para excluir a possibilidade de estenose/obstrução do seio venoso ou trombose do seio venoso cerebral.

A pressão intracraniana, geralmente além dos 15 mmHg (milímetros de mercúrio), deve ser medida por punção lombar, a qual é usada também para obter líquido cefalorraquidiano para exame em laboratório e para excluir diagnósticos alternativos. Nos casos de pressão intracraniana idiopática, a composição do líquido cérebro-espinhal é normal, sem indícios de infecção ou sangramento.

Como o médico trata a hipertensão intracraniana idiopática?

O tratamento da hipertensão intracraniana idiopática visa, num primeiro momento, reduzir a pressão dentro do crânio e proporcionar uma melhora dos sintomas. Casos graves podem exigir uma cirurgia para aliviar a pressão no cérebro. Um objetivo principal no tratamento da hipertensão intracraniana idiopática é evitar a perda visual e a cegueira, bem como proporcionar o controle dos demais sintomas.

Um primeiro medicamento normalmente prescrito é um diurético, que pode reduzir a produção de fluido espinhal. Vários analgésicos podem ser usados no controle das dores de cabeça da hipertensão intracraniana, sem muita efetividade. O uso de esteroides deve ser restrito ao papiledema grave, porque fora disso seu uso é controverso e geralmente desencorajado.

Uma porção do líquido cefalorraquidiano pode ser removida por meio de uma punção lombar, para aliviar momentaneamente a pressão. Punções lombares repetidas às vezes são necessárias para controlar a pressão intracraniana com urgência, se a visão da pessoa está se deteriorando rapidamente.

Se for suspeitada uma estenose do seio venoso, um implante de stent pode resolver a hipertensão venosa, levando à melhora da hipertensão intracraniana idiopática.

A cirurgia deve ficar reservada apenas para duas situações: (1) descompressão da bainha do nervo óptico e (2) derivação da circulação liquórica. Ela, no entanto, só deve ser prescrita se as terapias médicas não forem bem-sucedidas.

Quais são as complicações possíveis com a hipertensão intracraniana idiopática?

A complicação mais temível da hipertensão intracraniana idiopática não tratada é o papiledema, que pode causar sérios prejuízos à visão ou mesmo cegueira. Ele é susceptível de ocorrer em 10 a 25% dos pacientes.

Saiba mais sobre tumores cerebrais: "Astrocitoma", "Meduloblastoma" e "Meningiomas".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do PubMed e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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