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Neurologia ou Psiquiatria: quais são as diferenças?

Monday, April 12, 2021
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Neurologia ou Psiquiatria: quais são as diferenças?

Neurologia ou psiquiatria?

Ao meio-dia todo mundo dirá que é dia; à meia-noite, todo mundo dirá que é noite, mas às 6 da tarde as opiniões podem variar: uns tendem num sentido, outros noutro. Algo semelhante acontece com a neurologia e a psiquiatria.

Em algumas ocasiões, cada uma tem um âmbito de ação inconfundível, mas há uma zona de transição e de superposição em que as duas especialidades confluem e se confundem. Ninguém procurará o neurologista para tratar uma esquizofrenia, nem atribuirá a um psiquiatra o tratamento de um tumor cerebral, mas ficará em dúvida se o problema for uma insônia ou uma cefaleia. E diante de um desmaio: trata-se de um problema cerebral orgânico (neurologia) ou de uma conversão histérica (psiquiatria)? Nem sempre é fácil distinguir.

Qual o âmbito de atuação próprio do neurologista?

O neurologista é um médico especializado no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças do cérebro, da medula espinhal, dos nervos periféricos e de suas conexões com os músculos. As doenças que com mais frequentemente um neurologista lida são, entre outras:

Os sintomas principais dessas doenças, com os quais o neurologista se defronta diariamente, são:
  • tremores
  • crises convulsivas
  • incoordenações
  • paresias e paralisias dos movimentos
  • dores de cabeça
  • confusão mental
  • perda de memória
  • distúrbios persistentes do sono
  • fraqueza ou paralisia muscular
  • perda súbita da fala ou visão
  • paralisia da face
  • perda de equilíbrio
  • perda da consciência
  • dificuldade da fala e expressão
  • dores que não passam com analgésicos
Leia mais sobre "Acidente vascular cerebral em jovens", "Aneurisma cerebral", "Hemorragia cerebral" e "Isquemia cerebral transitória".

Qual o âmbito de atuação próprio do psiquiatra?

O psiquiatra é um médico especializado no diagnóstico, prevenção e tratamento de transtornos mentais, emocionais e comportamentais. O psiquiatra, além dos aspectos médico-orgânicos, em geral, tem amplo treinamento em uma abordagem biopsicossocial para avaliação e tratamento de doenças mentais, e quase sempre trabalha em uma equipe multidisciplinar, que pode incluir psicólogos clínicos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e equipes de enfermagem.

As doenças mais comumente abordadas pelo psiquiatra são:

Muito frequentemente as pessoas procuram o psiquiatra ou são levadas a ele por sintomas como:

Para fazer a avalição dos pacientes, o psiquiatra se vale fundamentalmente de sua impressão clínica sobre os sintomas e pode complementá-las com um exame do estado mental. Raramente um distúrbio mental apresenta alterações químicas específicas detectáveis por exames laboratoriais. No entanto, um exame físico e exames de imagem cerebral por ressonância magnética ou tomografia por emissão de pósitrons e alguns exames de sangue podem ser feitos para confirmar ou descartar certos diagnósticos.

Nos tratamentos, os psiquiatras usam abordagens farmacológicas, psicoterapêuticas e/ou intervencionistas para tratar os diferentes transtornos mentais.

Campo comum ao neurologista e ao psiquiatra

Apesar de toda a distinção que possa ser feita entre o trabalho do neurologista e do psiquiatra, há um campo comum a ambos, seja porque algumas doenças nervosas cursam com alterações mentais, seja porque há mesmo doenças que, pelo menos a princípio, não se consegue atribuir claramente ao campo da neurologia ou da psiquiatria.

Outras doenças merecem um diagnóstico diferencial por vezes muito difícil. Muitas vezes o paciente procurará o neurologista quando devia ter procurado o psiquiatra, e vice-versa. Imagine-se um desmaio, que tanto pode ser devido a uma condição neurológica como a uma questão mental, por exemplo.

Outra interface da psiquiatria, que confunde muitas pessoas, existe em relação à psicologia clínica. Uma primeira fronteira entre as duas pode ser esboçada assim: a psiquiatria é a medicina da mente, que cuida da parte fisiológica e química envolvendo o cérebro humano; a psicologia é a ciência da alma, que cuida do aspecto social e comportamental das pessoas.

A psiquiatria avalia e trata problemas psicológicos com base na fisiologia e química do cérebro. O psiquiatra realiza seu trabalho terapêutico com base na medicina e na farmacologia, com o objetivo de restabelecer o equilíbrio do cérebro e seu perfeito funcionamento. A meta do psiquiatra é, assim, identificar as alterações psicológicas por uma perspectiva médica, tratando-as por meio de medicamentos. Na prática, a psiquiatria se preocupa primeiramente em reduzir os sintomas.

Por seu lado, a psicologia avalia e trata questões relacionadas a problemas mentais vivenciais, emoções e comportamentos anômalos das pessoas. Ela se preocupa em descobrir as causas dos problemas, usando como principal arma o conhecimento social, filosófico e comportamental, e analisando o indivíduo no contexto em que vive. O psicólogo procura identificar e tratar as alterações psicológicas por meio da psicoterapia, sem qualquer intervenção medicamentosa. As técnicas de tratamentos variam, dependendo da abordagem escolhida pelo profissional.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da APA – American Psychiatric Associaton.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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