AbcMed

Como é a Actinomicose

segunda-feira, 14 de junho de 2021
Avalie este artigo
Como é a Actinomicose

O que é a actinomicose?

A actinomicose é uma infecção anaeróbica crônica, generalizada ou localizada, por bactérias que normalmente estão presentes de maneira comensal nas fendas entre os dentes e gengivas, nas amígdalas e nas membranas mucosas que revestem o intestino e a vagina.

A actinomicose pode apresentar-se sob várias formas: (1) cervicofacial, (2) torácica, (3) abdominal, (4) uterina e (5) generalizada.

Quais são as causas da actinomicose?

A actinomicose é causada principalmente pela bactéria anaeróbica Actinomyces israelii, mas também por outras espécies de Actinomyces. Os fatores de risco incluem uso prolongado de corticosteroides, bifosfonatos, leucemia com quimioterapia, vírus da imunodeficiência adquirida (HIV), alcoolismo, recipientes de transplante de pulmão e de transplante renal e lesão tecidual local causada por trauma, cirurgia recente ou irradiação.

Leia também sobre "Transplante de órgãos", "É possível viver sem alguns órgãos?" e "Doação de órgãos".

Qual é o substrato fisiológico da actinomicose?

Os Actinomyces estão presentes na flora normal da boca e não causam a infecção sozinhos, sendo necessário para tal que atuem conjuntamente com outros tipos de bactérias para atravessar a pele ou a gengiva. Em geral, são agentes de baixa patogenicidade e necessitam de uma ruptura na barreira da mucosa para penetrar no organismo.

Quase sempre a actinomicose ocorre em pessoas imunocompetentes, mas pode se manifestar também em pacientes com déficit imune. Uma vez estabelecido num local primitivo, o microrganismo pode se espalhar de forma progressiva para os tecidos adjacentes, sem considerar as barreiras anatômicas. Uma localização central purulenta envolve os grânulos característicos da actinomicose.

A actinomicose pode levar à infecção crônica, supurativa, acarretando fibrose densa e fistulização. A disseminação por via sanguínea pode ocorrer e ser fulminante, mas é rara.

Quais são as características clínicas da actinomicose?

A lesão típica é formada por vários pequenos abscessos que se comunicam entre si e com a pele e drenam uma secreção purulenta contendo grânulos arredondados ou esféricos, de cor amarela, com cerca de um milímetro de diâmetro, chamados de “grânulos de enxofre” (devido à sua cor, mas que, na verdade, não contêm enxofre). A infecção dissemina-se aos tecidos contíguos, mas raras vezes através do sangue.

A forma cervicofacial normalmente se inicia sob a mucosa oral ou a pele do pescoço, como um edema pequeno, duro, achatado, com ou sem dor, ou como um edema subperiósteo da mandíbula. Em seguida, áreas amolecidas fistulizadas aparecem, drenando os “grânulos de enxofre”. A bochecha, língua, faringe, glândulas salivares, ossos cranianos, meninges ou cérebro também podem ser afetados, normalmente por extensão direta. As formas cervicofaciais são comumente associadas com cáries e extrações dentárias, gengivite e trauma gengival, infecção em erupção de dentes secundários, tonsilite crônica, otite ou mastoidite, diabetes mellitus, imunossupressão, imunodeficiência, desnutrição e doença neoplásica.

A forma torácica tem um envolvimento pulmonar que se assemelha à tuberculose. A invasão torácica infecciosa pode ocorrer antes do surgimento de sintomas, como dor torácica, febre e tosse produtiva. Como resultado, pode haver perfuração da parede do tórax, com seios de drenagem crônicos. As infecções pulmonares costumam ocorrer por aspiração de secreções orofaríngeas ou gastrointestinais e têm sido relatadas em pacientes com distúrbios pulmonares subjacentes, como enfisema, bronquite crônica e bronquiectasias.

A forma abdominal em geral infecta os intestinos (o ceco e o apêndice) e o peritônio. Caracteristicamente, o paciente pode apresentar dor, febre, vômitos, diarreia ou constipação intestinal e emagrecimento. Podem surgir sinais de obstrução intestinal parcial se as massas abdominais provocam dificuldades de trânsito intestinal. Pode haver também fístulas e drenagens para a parede abdominal externa. A infecção gastrointestinal é, com frequência, acompanhada da perda da integridade da mucosa, como cirurgia, trauma, corpos estranhos, apêndice perfurado ou diverticulite, neoplasia e cirurgia de emergência do colo.

A forma uterina localizada ocorre na maioria dos casos em pacientes que utilizam DIU. O uso prolongado desse dispositivo aumenta o risco de desenvolvimento de actinomicose do trato genital feminino. Quase sempre apresenta secreção vaginal juntamente com dor pélvica ou na região inferior do abdome.

Na forma generalizada, a infecção se dissemina pela corrente sanguínea para corpos vertebrais, cérebro, fígado, rins, ureteres e órgãos pélvicos. Podem ocorrer sintomas diversos relacionados com estes locais, como dor no dorso, cefaleia e dor abdominal.

Como o médico diagnostica a actinomicose?

A suspeita da actinomicose é eminentemente clínica e deve ser confirmada pela identificação do Actinomyces israelii ou outros Actinomyces por microscopia e cultura de escarro, pus ou amostra de biópsia. Exames de imagem, como radiografias de tórax e tomografia computadorizada de abdome ou tórax também podem fornecer bons indícios. O laboratório deve ser notificado sobre a suspeita de actinomicose porque são necessários procedimentos especiais para isolar e identificar esses organismos.

Os nódulos podem simular crescimentos malignos. As lesões pulmonares devem ser distinguidas de tuberculose e câncer. A maioria das lesões abdominais ocorre na região ileocecal e são de difícil diagnóstico, exceto durante laparotomia ou quando há drenagem na parede abdominal.

Veja mais sobre "Micoses", "Como evitar as micoses", "Micoses Superficiais", "Micose de unha" e "Micetoma".

Como o médico trata a actinomicose?

O tratamento da actinomicose deve ser feito com altas doses de penicilina por um longo tempo. Pode levar até um ano para que os antibióticos curem completamente a infecção. Se o paciente for alérgico à penicilina, o médico poderá prescrever outros antibióticos, como a tetraciclina, clindamicina ou eritromicina.

Os abscessos decorrentes da infecção podem ser drenados ou removidos. Se a actinomicose foi devida ao uso do DIU, ele deve ser removido para evitar novas infecções. Quanto mais precoce o tratamento, menores as chances de complicações a longo prazo e de necessitar de cirurgia.

Como evolui a actinomicose?

A actinomicose tem evolução lenta. O prognóstico depende da localização das lesões, da natureza delas e de quão precoce o diagnóstico é feito. Ele é muito favorável na forma cervicofacial e progressivamente pior nas formas torácica, abdominal e generalizada, especialmente se houver envolvimento do sistema nervoso central.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do NIH – National Institutes of Health (USA) e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários