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Tumor carcinoide

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O que é tumor1 carcinoide?

Os tumores carcinoides são tumores cancerígenos neuroendócrinos raros, de crescimento lento, que podem surgir em vários locais do corpo, mas que predominam no trato digestivo (estômago2, apêndice3, intestino delgado4, cólon5, reto6) ou nos pulmões7.

Quais são as causas do tumor1 carcinoide?

A causa dos tumores carcinoides ainda não está totalmente esclarecida. Como em todo câncer8, o tumor1 carcinoide ocorre quando uma célula9 desenvolve mutações em seu DNA e continua crescendo e se dividindo, enquanto as células10 saudáveis normalmente envelhecem e morrem. As células10 neoplásicas11 assim acumuladas formam um tumor1.

Qual é o substrato fisiológico12 do tumor1 carcinoide?

Embora não se saiba ainda o que causa as mutações que podem levar a tumores carcinoides, os cientistas sabem que eles se desenvolvem a partir de células10 neuroendócrinas. Os tumores carcinoides são tumores que se acredita partirem das células10 cromafins encontradas nas criptas do intestino. Especificamente, o termo cromafins refere-se à capacidade de colorirem com sais de cromo, uma característica comum das células10 contendo 5-hidroxitriptamina. Da mesma forma, as granulações dos tumores carcinoides têm uma alta afinidade por se colorir por sais de prata, justificando o uso da nomenclatura de argentafinomas que antes havia sido usada para os tumores carcinoides.

As células10 neuroendócrinas, a partir das quais se formam os tumores carcinoides, são encontradas em vários órgãos do corpo e desempenham algumas funções das células nervosas13 e algumas funções das células10 endócrinas produtoras de hormônios. Alguns hormônios que são produzidos pelas células10 neuroendócrinas são: cortisol, histamina14, insulina15 e serotonina.

Quais são as principais características clínicas do tumor1 carcinoide?

Como os tumores carcinoides crescem lentamente e não causam sintomas16, uma pessoa pode ter o tumor1 por muitos anos sem nunca saber. Geralmente eles só são diagnosticados aos 55-65 anos de idade. Em casos raros (menos de 10%), após a sua disseminação, o tumor1 carcinoide causa os sintomas16 da chamada síndrome17 carcinoide.

Os sintomas16 dependerão da localização do tumor1. Nos tumores carcinoides dos pulmões7 aparecem: dor no peito18; chiado; falta de ar; diarreia19; vermelhidão ou sensação de calor e rubor no rosto e pescoço20; ganho de peso, principalmente ao redor da barriga e parte superior das costas21; e manchas rosadas ou arroxeadas na pele22. Tumores carcinoides no trato digestivo incluem: dor abdominal; diarreia19; náusea23; vômito24; obstrução intestinal; sangramento retal; dor retal; e rubor no rosto e pescoço20.

Leia mais sobre “Falta de ar”, "Diarreia19", “Dor abdominal” e “Obstrução intestinal”.

Como o médico diagnostica o tumor1 carcinoide?

Diagnosticar um pequeno tumor1 carcinoide que não está causando sintomas16 da síndrome17 carcinoide pode ser muito difícil. Esses tumores são encontrados ao fazer uma cirurgia ou em um exame para outra condição como, por exemplo, uma apendicectomia.

Os exames e procedimentos usados para diagnosticar tumores carcinoides incluem:

  1. Exames de sangue25, que podem detectar altos níveis de hormônios secretados pelo tumor1 ou subprodutos da decomposição deles
  2. Exames de urina26, para verificar a existência de níveis excessivos de produtos da decomposição dos hormônios secretados
  3. Exames de imagem, incluindo tomografia computadorizada27, ressonância magnética28, tomografia de emissão de pósitrons (PET) e radiografias que podem ajudar na localização do tumor1
  4. Endoscopia29 digestiva alta, que pode ajudar o médico a examinar o interior do trato gastrointestinal
  5. Broncoscopia30, que pode ajudar no caso de tumores no pulmão31
  6. Colonoscopia32, que pode ajudar a diagnosticar tumores retais
  7. Remoção de tecido33 para testes de laboratório (biópsia34), que pode ser coletado para confirmar o diagnóstico35

Como o médico trata o tumor1 carcinoide?

O tratamento inclui cirurgia e medicamentos. Quando detectado precocemente, o tumor1 pode ser completamente removido e curado com cirurgia. Se já estiver avançado ou espalhado quando descoberto, a remoção completa não é mais possível. Se já estiver gerando uma síndrome17 carcinoide, o tratamento inclui drogas que bloqueiam as células10 cancerígenas e medicamentos que fornecem radiação diretamente para as células10 cancerígenas.

Se os tumores já se espalharam para o fígado36, as opções de tratamento podem incluir remoção de parte do fígado36, interrupção do suprimento de sangue25 para tumores hepáticos (embolização37 da artéria hepática38), eliminação de células10 cancerígenas com calor ou frio e ablação39 por radiofrequência.

Como prevenir o tumor1 carcinoide?

Não há como impedir o crescimento de um tumor1 carcinoide, mas um fator de risco40 que a pessoa pode controlar é o tabaco. A pessoa pode diminuir o risco de tumor1 carcinoide ao não fumar. O tratamento desses tumores pode ajudar a prevenir os sintomas16 da síndrome17 carcinoide.

Quais são as complicações possíveis do tumor1 carcinoide?

As células10 dos tumores carcinoides podem secretar hormônios e outros produtos químicos, causando uma série de complicações, incluindo síndrome17 carcinoide, doença cardíaca carcinoide (espessamento do revestimento das câmaras cardíacas, válvulas e vasos sanguíneos41) e síndrome de Cushing42.

Veja mais em “Síndrome de Cushing42”, “Síndrome17 carcinoide”, “Endoscopia29 digestiva alta”, “Broncoscopia30” e “Biópsia34”.

 

Referências:

 As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic, do Johns Hopkins Medicine e do NCBI - National Center for Biotechnology Information.

ABCMED, 2020. Tumor carcinoide. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1355168/tumor+carcinoide.htm>. Acesso em: 9 abr. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
2 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
3 Apêndice: Extensão do CECO, em forma de um tubo cego (semelhante a um verme).
4 Intestino delgado: O intestino delgado é constituído por três partes: duodeno, jejuno e íleo. A partir do intestino delgado, o bolo alimentar é transformado em um líquido pastoso chamado quimo. Com os movimentos desta porção do intestino e com a ação dos sucos pancreático e intestinal, o quimo é transformado em quilo, que é o produto final da digestão. Depois do alimento estar transformado em quilo, os produtos úteis para o nosso organismo são absorvidos pelas vilosidades intestinais, passando para os vasos sanguíneos.
5 Cólon:
6 Reto: Segmento distal do INTESTINO GROSSO, entre o COLO SIGMÓIDE e o CANAL ANAL.
7 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
8 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
9 Célula: Unidade funcional básica de todo tecido, capaz de se duplicar (porém algumas células muito especializadas, como os neurônios, não conseguem se duplicar), trocar substâncias com o meio externo à célula, etc. Possui subestruturas (organelas) distintas como núcleo, parede celular, membrana celular, mitocôndrias, etc. que são as responsáveis pela sobrevivência da mesma.
10 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
11 Neoplásicas: Que apresentam neoplasias, ou seja, que apresentam processo patológico que resulta no desenvolvimento de neoplasma ou tumor. Um neoplasma é uma neoformação de crescimento anormal, incontrolado e progressivo de tecido, mediante proliferação celular.
12 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
13 Células Nervosas: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO.
14 Histamina: Em fisiologia, é uma amina formada a partir do aminoácido histidina e liberada pelas células do sistema imunológico durante reações alérgicas, causando dilatação e maior permeabilidade de pequenos vasos sanguíneos. Ela é a substância responsável pelos sintomas de edema e irritação presentes em alergias.
15 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
16 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
17 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
18 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
19 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
20 Pescoço:
21 Costas:
22 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
23 Náusea: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc.
24 Vômito: É a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pode ser classificado como: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
25 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
26 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
27 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
28 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
29 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
30 Broncoscopia: Método de diagnóstico que permite observar através dos brônquios utilizando um dispositivo óptico (fibroendoscópio), obter biópsias e realizar culturas de secreções.
31 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
32 Colonoscopia: Estudo endoscópico do intestino grosso, no qual o colonoscópio é introduzido pelo ânus. A colonoscopia permite o estudo de todo o intestino grosso e porção distal do intestino delgado. É um exame realizado na investigação de sangramentos retais, pesquisa de diarreias, alterações do hábito intestinal, dores abdominais e na detecção e remoção de neoplasias.
33 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
34 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
35 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
36 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
37 Embolização: Técnica que consiste em injetar, em uma artéria, material capaz de obstrui-la completamente.
38 Artéria Hepática: Ramo da artéria celíaca que se distribui para o estômago, pâncreas, duodeno, fígado, vesícula biliar e omento maior. Circulação Hepática;
39 Ablação: Extirpação de qualquer órgão do corpo.
40 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
41 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
42 Síndrome de Cushing: A síndrome de Cushing, hipercortisolismo ou hiperadrenocortisolismo, é um conjunto de sinais e sintomas que indicam excesso de cortisona (hormônio) no sangue. Esse hormônio é liberado pela glândula adrenal (também conhecida como suprarrenal) em resposta à liberação de ACTH pela hipófise no cérebro. Níveis elevados de cortisol (ou cortisona) também podem ocorrer devido à administração de certos medicamentos, como hormônios glicocorticoides. A síndrome de Cushing e a doença de Cushing são muito parecidas, já que o que a causa de ambas é o elevado nível de cortisol no sangue. O que difere é a origem dessa elevação. A doença de Cushing diz respeito, exclusivamente, a um tumor na hipófise que passa a secretar grande quantidade de ACTH e, consequentemente, há um aumento na liberação de cortisol pelas adrenais. Já a síndrome de Cushing pode ocorrer, por exemplo, devido a um tumor presente nas glândulas suprarrenais ou pela administração excessiva de corticoides.
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