AbcMed

Potomania - obsessão por beber água!

Thursday, March 28, 2019
Avalie este artigo
Potomania - obsessão por beber água!

O que é potomania?

A potomania (do grego: potos = bebida + do latim: mania = demência ou loucura) é um problema psicológico caracterizado pela necessidade permanente e incontrolável (obsessiva) de beber água. As pessoas afetadas por esse distúrbio podem beber até 10 litros de água por dia, enquanto a média é de 1,5 litros.

Apesar de ser recomendável beber água regularmente, uma superhidratação nesse nível pode ter efeitos negativos no organismo, como um edema no cérebro, por exemplo, que pode levar a transtornos neurológicos graves e mesmo à morte.

Quais são as causas da potomania?

O hipotálamo é a região do cérebro responsável pelo equilíbrio da água no organismo. Uma alteração no mecanismo de controle do hipotálamo pode causar uma potomania neurológica, mas os especialistas concordam que ela pode também estar associada com um distúrbio psiquiátrico. Os fatores de risco que podem influenciar o aparecimento desta doença são certas doenças mentais, como transtornos da personalidade, sintomas delirantes e histeria.

Leia mais sobre "Transtorno obsessivo compulsivo", "Edema cerebral" e "Estrutura da personalidade".

Qual é o mecanismo fisiológico da potomania?

O rim humano normal, através da supressão do hormônio antidiurético, normalmente é capaz de excretar vastas quantidades de urina diluída. Assim, um adulto normal pode beber grandes quantidades de água por dia, sem se tornar hiponatrêmico. No entanto, a ingestão de solutos (gradiente eletrolítico) também é necessária para excretar água livre. Na falta de ingestão adequada de soluto, a quantidade de excreção de água livre pode ser severamente limitada, porque é o soluto que puxa a água para a urina.

O consumo excessivo de água causa hiponatremia, ou seja, os níveis de sal no sangue ficam abaixo da faixa normal. Qualquer queda repentina nos níveis de sal no sangue, por beber mais água do que o corpo pode excretar, pode fazer com que todas as células do corpo se inchem. O inchaço cerebral causado pela hiponatremia pode causar dores de cabeça e vômitos, enquanto o inchaço das células musculares pode desencadear câimbras musculares em todo o corpo

O mais sério, porém, é que esses sintomas imitam os da desidratação e são frequentemente tratados com mais líquidos, agravando ainda mais a situação.

Quais são as principais características clínicas da potomania?

Os sintomas da hiperidratação, resultante de beber água em excesso, parecem muito com os sintomas da desidratação. Quando a pessoa bebe muita água, seus rins ficam impossibilitados de se livrar do excesso de líquido e a água começa a se acumular no corpo. Isso pode causar vários sintomas desagradáveis, incluindo náuseas, vômitos e diarreia.

Para a maioria das pessoas, oito a dez copos de água por dia são considerados uma quantidade normal. Se a pessoa bebe uma quantidade razoável de água, a urina é de cor palha a amarelo transparente. Ter urina sem nenhuma pigmentação, ou seja, muito clara, pode ser um sinal de que a pessoa está bebendo água em excesso.

Além disso, ocorrem outros fatos notórios: o paciente urina frequentemente, inclusive durante a noite, sente náuseas e pode apresentar vômitos, ter diarreias, ter dores de cabeça latejantes ao longo do dia, perceber inchaço ou descoloração nas mãos, lábios e pés e sentir fraqueza muscular e câimbras.

Leia sobre "Desidratação", "Diarreia", "Câimbras", "Dores de cabeça" e "Náuseas e vômitos".

Como o médico diagnostica a potomania?

O diagnóstico da potomania deve partir dos relatos do paciente ou das pessoas relacionadas com ele. As dosagens de eletrólitos no sangue dão uma importante ajuda para confirmar a hiperhidratação.

Como o médico trata a potomania?

Como em todos os casos de hiponatremia, deve-se tomar extremo cuidado para evitar as consequências fatais de corrigir rapidamente os eletrólitos (por exemplo, mielinólise pontina central e edema). Como essa pode ser uma condição crônica, o baixo nível de sódio pode ser aquele a que o paciente está normalmente habituado. Portanto, é necessária uma correção especialmente cuidadosa.

Também é muito importante notar que, devido à função renal normal e à falta de outras causas intrínsecas ou tóxicas do distúrbio eletrolítico, a restauração dos solutos da dieta corrigirá os eletrólitos para níveis séricos normais.

Tratar a potomania pode ser complicado e requer uma abordagem delicada. Embora administrar sódio ao paciente possa parecer o tratamento óbvio, isso pode ser perigoso: a reversão rápida dos níveis de sódio pode levar a problemas neurológicos, incluindo a síndrome de desmielinização osmótica, espasmos, deficiência mental grave e coma. A pessoa que tem potomania está em maior risco dessa síndrome do que pessoas com outros tipos de hiponatremia. O risco da síndrome de desmielinização osmótica está diretamente relacionado à velocidade de reposição de sódio. Portanto, essa administração de sódio deve ser lenta e cuidadosa, ao longo de 48 horas.

Se o paciente não for sintomático, o médico pode decidir não administrar fluidos intravenosos com sódio. Em vez disso, pode colocá-lo em uma dieta com restrição de líquidos por pelo menos 24 horas. Às vezes, isso é suficiente para o corpo expelir fluidos extras e aumentar a concentração de sódio.

Como prevenir a potomania?

Os problemas eletrolíticos podem ser evitados substituindo alguns copos de água por dia por água de coco, que é rica em eletrólitos e é 100% natural.

Quais são as complicações possíveis da potomania?

Não tratada, a potomania pode ser fatal. Quando muito fluido se acumula dentro das células, elas começam a se expandir. Isso causa inchaço nos tecidos do corpo. Nos casos em que os níveis de sódio caem rapidamente a um nível muito baixo, o cérebro pode inchar em questão de horas e esse inchaço pode levar a convulsões, coma e morte.

Veja também sobre "Distúrbios hidroeletrolíticos", "Convulsões" e "Coma".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários